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Porto Alegre, quinta-feira, 10 de outubro de 2019.

Jornal do Comércio

Cultura

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música

10/10/2019 - 08h28min. Alterada em 10/10 às 09h19min

Com grande público, Iron Maiden faz show histórico em Porto Alegre

Show foi o maior que a banda já teve na cidade e uma das maiores plateias na história recente da Capital

Show foi o maior que a banda já teve na cidade e uma das maiores plateias na história recente da Capital


MARIANA CARLESSO/JC
Igor Natusch
Ontem à noite, Porto Alegre curvou-se uma vez mais a um dos gigantes do heavy metal. E dizer que a terceira aparição do Iron Maiden em Porto Alegre foi histórica não é excesso de empolgação. Mais de 40 mil pessoas (números da organização) estiveram na Arena do Grêmio, marcando o maior público que a banda já teve na cidade e uma das maiores plateias na história recente da Capital. As quase duas horas de show tiveram ares de celebração, em mais de um sentido: não apenas um grupo lembrando os grandes momentos de quase 45 anos de carreira, mas um público sedento de clássicos, reencontrando os ídolos após mais de uma década de jejum (o show anterior, no Gigantinho, ocorreu em 2008).
Ontem à noite, Porto Alegre curvou-se uma vez mais a um dos gigantes do heavy metal. E dizer que a terceira aparição do Iron Maiden em Porto Alegre foi histórica não é excesso de empolgação. Mais de 40 mil pessoas (números da organização) estiveram na Arena do Grêmio, marcando o maior público que a banda já teve na cidade e uma das maiores plateias na história recente da Capital. As quase duas horas de show tiveram ares de celebração, em mais de um sentido: não apenas um grupo lembrando os grandes momentos de quase 45 anos de carreira, mas um público sedento de clássicos, reencontrando os ídolos após mais de uma década de jejum (o show anterior, no Gigantinho, ocorreu em 2008).
A Donzela, como é apelidada pelos brasileiros, esteve no País promovendo o jogo para dispositivos móveis Legacy of the Beast. Antes de reencontrar os gaúchos, o sexteto tocou no Rock in Rio e fez show também em São Paulo. Nas horas que antecederam o espetáculo, o cenário no entorno da Arena mostrou, uma vez mais, que o heavy metal da banda atinge as mais diferentes gerações. Desde o começo da tarde, fãs de cabelos brancos dividiam espaço nas longas filas com jovens que nem nascidos eram nos anos 1980, quando a banda estourou.
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Abrindo a noite, os gaúchos da Rage in My Eyes fizeram um show seguro, trazendo um trabalho que vem conquistando espaço na cena metálica nacional. Por volta das 19h40min, o quinteto The Raven Age continuou os trabalhos, em uma performance bastante coesa e profissional. A banda conta com o guitarrista George Harris, filho do lendário baixista do Maiden, Steve Harris - mas o metalcore do grupo, que promove o novo álbum Conspiracy, apresentou méritos suficientes para afastar quaisquer insinuações de nepotismo.
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Terceira aparição do Iron Maiden em Porto Alegre foi histórica. Foto Mariana Carlesso/JC
Os dois shows de abertura foram bem recebidos, é verdade, mas a expectativa era toda pela banda principal. E o Iron Maiden não deixou por menos. Introduzida por um trecho de um discurso de Winston Churchill na Segunda Guerra Mundial, Aces high abriu o show em alta voltagem, com uma enorme réplica de um caça spitfire oscilando sobre o palco. Desde os primeiros momentos, o visual impactante demonstrava que brigaria de igual para igual com os muitos clássicos do repertório - o que se confirmou a partir dos vários elementos cênicos e mudanças de palco, que pontuavam tanto os temas das músicas quanto as fases do jogo promovido na turnê.
A voz de Bruce Dickinson oscila em alguns momentos, mas o vocalista de 61 anos continua comandando o público como ninguém, movimentando-se com segurança pelo enorme palco da Arena. Respeitando a lógica temática da apresentação, o cantor pegou mais leve em suas conversas com a plateia, sem interromper o fluxo das canções - o que não quer dizer, é claro, que não tenha havido espaço para alguma conversa. Na primeira pausa para respirar, logo após 2 minutes to midnight, o cantor deu um discurso no qual demonstrou sua habilidade com as multidões. "Estamos fazendo três shows no Brasil. O do Rio foi OK. O de São Paulo foi ótimo. Em Porto Alegre, achamos que estaria bom se vendêssemos uns 20 mil ingressos, e o show está 'sold out' (com lugares esgotados). É o maior público para o qual já tocamos em Porto Alegre, esse show vai ser espetacular", concluiu, sendo ovacionado pelo público.
Se a idade parece não chegar para Bruce Dickinson, o mesmo se pode dizer de seus companheiros de banda. Os três guitarristas (Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers) não são mais garotos, mas executam as melodias intrincadas e os riffs galopantes com um entusiasmo quase adolescente. Mesmo competindo com essa parede sonora, o baixo de Steve Harris surge forte e preciso, enquanto o músico corre pelo palco inteiro e imita uma metralhadora com seu instrumento, gesto que já está gravado na retina dos fãs. E o baterista Nicko McBrain, do alto de seus 67 anos, pilota as baquetas com total desenvoltura, como se tocar as músicas do Iron Maiden fosse bem mais fácil do que de fato é.
A ocorrência de alguns problemas de som, que se mostrou embolado em alguns setores da pista, não chegaram nem perto de atrapalhar o clima do espetáculo. Música gravada originalmente pelo vocalista Blaze Bayley, The clansman ganha um ar imponente na interpretação de Dickinson, resultando em um dos momentos musicalmente mais impressionantes do set. Após uma sequência de canções ligadas tematicamente a guerras e rebeliões, veio um bloco mais reflexivo, discutindo a busca da fé em meio à opressão das religiões. Sign of the cross mostrou-se hipnótica e sombria, seguida de uma performance impactante de Flight of Icarus, que não era tocada pelo conjunto desde o final dos anos 1980. Durante a canção, um enorme ícaro surgiu no fundo do palco, realçado por um lança-chamas empunhado por Bruce Dickinson.
Após esse arco temático, Fear of the dark surgiu para ser, talvez, a música mais cantada da noite, com um espetáculo de luzes de celulares realçando, por contraste, as reflexões um tanto sombrias da letra. Após a indefectível aparição da mascote Eddie na música Iron Maiden, o bis surgiu com as históricas The evil that men do e Hallowed be thy name, encerrando-se com a ovacionada Run to the hills. "Que show maravilhoso. O melhor sempre fica para o final, em se tratando de Brasil. Nós vamos voltar, é uma promessa", disse Bruce ao microfone. A julgar pela visível satisfação do público que saía lentamente da Arena, o Iron Maiden pode retornar a hora que quiser, pois será sempre muito bem-vindo na Capital.
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