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Porto Alegre, segunda-feira, 30 de outubro de 2017.

Jornal do Comércio

Cultura

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Teatro

Notícia da edição impressa de 31/10/2017. Alterada em 30/10 às 17h13min

História de amor dos anos 1960 é retratada em peça no Theatro São Pedro

Peça recria história de casal apaixonado que trocava cartas de amor

Peça recria história de casal apaixonado que trocava cartas de amor


CAROL BEIRIZ/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Em mais de 300 cartas, enviadas na década de 1960, Maria de Lourdes Lang e Lourenço Renato Medeiros de Farias trocaram confidências, falaram sobre medos, ciúmes e amor. Esse material ganha vida através da peça 220 cartas de amor, adaptada aos palcos pela Cia. de Teatro Íntimo. A companhia é liderada pelo filho do casal, Renato de Farias, e apresenta o espetáculo em sessão única hoje, às 21h, no Theatro São Pedro (praça Marechal Deodoro, s/nº). Ingressos entre R$ 30,00 e R$ 60,00.
Quando chegaram às mãos de Renato após o falecimento do pai, em 1998, as cartas logo impressionaram pelo conteúdo literário e lírico. A princípio, o material seria adaptado em formato musical. Quase 20 anos após o contato com as cartas, Renato decidiu dar outro destino ao conteúdo, transformando-o em uma peça documental. "Vimos que a literatura era tão importante que resolvemos dar protagonismo para a palavra", conta.
A direção é de Rafael Sieg. Para ele, o mote do espetáculo é contar como essas duas pessoas que estavam apreendendo a se relacionar construíram um amor durante sete anos por meio da troca de correspondência - nos textos, expunham suas fragilidades, anseios e sonhos. As cartas têm papel central no espetáculo e são organizadas de forma cronológica, passando pelo dia em que o casal se conheceu, o noivado e os preparativos para o casamento. "Os diálogos foram criados a partir delas - trechos das correspondências são lidos e os atores fazem alguns comentários sobre o conteúdo", explica Sieg.
O amor que se recria na montagem teve início em Santa Maria. Quando Lourenço foi estudar Odontologia na Capital, Maria de Lurdes permaneceu em sua cidade natal para cursar Matemática. Nos quatro anos em que passaram separados, eram as letras e o carteiro os responsáveis por manter viva a relação entres eles.
O que cativou Renato e a todos envolvidos com o projeto foi compreender como se deu a história de um amor de outro tempo em contraste com a rapidez dos aplicativos e dispositivos de mensagem de agora. "Perdemos a noção de como é se relacionar com esse tempo mais lento em que é o tempo de receber, ler a carta, sentir o que foi escrito, depois responder, levar nos correios, esperar o outro receber", explica.
O ator, que vive o próprio pai na peça, conta que a montagem fala também sobre como era ser homem e mulher na década de 1960 e que, para a sua surpresa, o relacionamento dos seus genitores já quebrava estereótipos na época. "Meu pai era mais romântico, ele derrama isso nas cartas, era um homem que não tinha medo de se apaixonar", relembra Renato. Já Maria de Lurdes, virginiana e matemática, era mais objetiva e resumia suas correspondências a relatos e narrativas quase jornalísticas. Quem contracena com Renato é a atriz Gaby Haviaras.
Há 30 anos morando no Rio de Janeiro, Renato conta que hoje, ao ler as correspondências de seus pais, compreende que o material foi essencial para a cumplicidade que eles cultivaram em um casamento que durou 37 anos e gerou três filhos. "Apesar de pensarem diferentes, havia um esforço muito grande para que essas diferenças se mantivessem, mas que se buscasse um ponto comum de concordância."
Para o ator, um dos maiores desafios ao entrar em cena é conseguir separar as coisas e compreender que "estamos falando de nós, mas, ao mesmo tempo, é um trabalho para comunicar de forma que vá além da minha experiência pessoal", explica.
No entanto, o conflito de emoções existe. "É muito poderoso entrar em contato com o amor que gerou a sua vida e reconhecer nele aspectos meus que eu nem imaginava. Ao mesmo tempo, são duas pessoas que eu não conheci."
Amanhã, o espetáculo será encenado no Theatro Treze de Maio, em Santa Maria - na plateia deve estar a mãe de Renato, assistindo à montagem pela primeira vez. A escolha das duas cidades é simbólica, pois marca os dois municípios que separaram, ou fortaleceram, a relação de Lourenço e Maria de Lourdes.
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