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Reportagem Cultural

- Publicada em 21h09min, 10/09/2020.

Autor de obra universal, escritor Caio Fernando Abreu faria 72 anos neste sábado

Artista gaúcho teve uma trajetória que foi além da literatura, como participação no teatro

Artista gaúcho teve uma trajetória que foi além da literatura, como participação no teatro


SANDRA LA PORTA/DIVULGAÇÃO/JC
Flávia Cunha, especial para o JC
O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu completaria 72 anos neste sábado (12). Seu sucesso só aumentou desde sua morte, em fevereiro de 1996, em razão de complicações decorrentes da Aids.
O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu completaria 72 anos neste sábado (12). Seu sucesso só aumentou desde sua morte, em fevereiro de 1996, em razão de complicações decorrentes da Aids.
Ainda em vida, o autor ficou mais conhecido do grande público pelos contos, gênero literário que teve destaque editorial no Brasil a partir da década de 1970. Mas Caio foi além. Escreveu romances, crônicas para jornais, textos dramatúrgicos e poesia. Sua ficção foi adaptada para o cinema e sua vida inspirou documentários. O teatro também permanece em destaque, com uma montagem multimídia de um de seus textos sendo organizada durante esse período de quarentena.
Caio foi um nômade que passou a vida transitando entre morar em São Paulo e Rio de Janeiro, com algumas passagens pela Europa. Gaúcho de Santiago do Boqueirão, veio morar em Porto Alegre a partir da adolescência. Na Capital, estudou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), sem concluir nenhum dos cursos. Saiu do Rio Grande Sul para trabalhar como jornalista na primeira turma da revista Veja e depois permaneceu em atuação em diferentes veículos de imprensa. Volta e meia, vinha a Porto Alegre para visitar a família e amigos, até o retorno definitivo à cidade após o diagnóstico de HIV positivo. Em todos os lugares por onde passou, Caio cultivou amizades.
Em 1978, compartilhou em carta para a mãe Nair a alegria de celebrar seus 30 anos: "Meu aniversário foi ótimo. Ganhei três bolos de chocolate: um à tarde, na (revista) Pop. Outro da Ana, outro do Celso. Umas pessoas começaram a falar que vinham aqui à noite e, meio sem planejar, acabou pintando uma festa muito gostosa. Foi bom perceber que, em tão pouco tempo, já tenho amigos em São Paulo".
E as amizades eram realmente muito valorizadas pelo escritor, como confidenciou em carta à amiga Jacqueline Cantore, em 1981: "Tenho amigos tão bonitos. Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica."
É essa riqueza pessoal de Caio - a amizade - o fio condutor dessa matéria especial. As memórias a respeito do aniversário do escritor transformaram-se em um mosaico de recordações e impressões a respeito de sua personalidade. A risada do escritor e seu humor irônico foram lembrados com saudade por mais de um entrevistado, assim como seu inegável talento artístico. Outra habilidade ressaltada era a capacidade de fortalecer laços entre aqueles que conhecia.

Caio F morou com a produtora cultural Sandra La Porta em Londres, em 1974
Caio F morou com a produtora cultural Sandra La Porta em Londres, em 1974
MARCOS SANTILLI/DIVULGAÇÃO/JC
A produtora cultural Sandra La Porta, que morou com o escritor em Londres, em 1974, e em Porto Alegre, em 1976, considera-o "um irmão". Ela revela ter sido surpreendida em visita à Inglaterra, em 2018, ao ver a mesma casa onde morou com Caio. "Incrível como conservaram. Por fora, está idêntica. O texto do espetáculo Pode ser que seja só o leiteiro lá fora foi escrito ali e inspirado nas nossas vivências, com uma bela ficção junto", explica.
Sandra La Porta acredita que o escritor gostaria de ser famoso como é agora. "Sempre foi muito conhecido e valorizado no meio literário, mas não junto ao público em geral", avalia.
A doutora em Teoria Literária Márcia Ivana de Lima e Silva, especialista na obra do autor, aponta como um dos motivos para essa popularidade a verdade literária presente em seus textos. "Sua homossexualidade assumida, o diagnóstico de Aids e seu engajamento com a contracultura foram vivências transformadas em literatura com alto valor estético", destaca.


ARTE/JC
 

Referências astrológicas e humor com pitadas melodramáticas

Em 1987, ator Marcos Breda dividiu apartamento com autor em São Paulo
Em 1987, ator Marcos Breda dividiu apartamento com autor em São Paulo
ACERVO MARCOS BREDA/DIVULGAÇÃO/JC
"Caio nasceu em 12 de setembro de 1948, às 8h17min, em Santiago do Boqueirão no Rio Grande do Sul e fez sua passagem em 25 de fevereiro de 1996, em Porto Alegre. Com o Sol em Virgem e o Ascendente em Libra, nasceu e partiu num domingo. [...] Escritor de estilo refinado, Caio era um mago das palavras, as quais tecia com minucioso e dedicado trabalho virginiano, articulando com perfeição forma e conteúdo." Assim começa a interpretação do mapa astral do escritor pela amiga e astróloga Amanda Costa, autora de 360 Graus - Inventário Astrológico de Caio Fernando Abreu (2011).
A relação com a astrologia seria o motivo para Caio importar-se com seu aniversário, conforme o ator Marcos Breda: "Quando se aproximava 12 de setembro, fazia mil cálculos, se preocupava com isso". Para quem ainda não percebeu essa influência em sua obra, Breda recomenda a leitura de Triângulo das Águas, inspirado nos signos de Peixes (conto Dodecaedro), Escorpião (O marinheiro) e Câncer (Pela noite).
A partir de 1987, o ator dividiu apartamento com Caio, em São Paulo. O escritor tinha 38 anos e Breda, 26. A diferença de idade e de orientação sexual nunca impediu a cumplicidade. Durante o período no qual moraram juntos, na década de 1980, o escritor completou 40 anos.
Resolveu, então, anunciar o fato de uma maneira que Breda classifica como uma marca de seu humor refinado, com tiradas melodramáticas, ao gravar a seguinte mensagem na secretária eletrônica do telefone do apartamento: "Você ligou para 853-2441. Quarenta anos, não quero a faca nem o queijo, quero a fome. Deixe o seu recado após o sinal".
Sobre as celebrações de aniversários do escritor, Breda rememora que Caio preferia a companhia dos amigos mais próximos. "Lembro que íamos a restaurantes comemorar, não eram grandes festas." Segundo ele, Caio era atento à passagem do tempo e esse fato reflete-se em seus textos. "Caio partiu, mas sua obra continua mais viva do que nunca, espalhando beleza, sabedoria e sementes do belo que tornam o cotidiano menos difícil", opina.

Parceria na escrita dramatúrgica

Caio em cena no Sarau das 9 às 11 (1976), com Suzana Saldanha, Graça Nunes, Izabel Íbias e Biratã Vieira
Caio em cena no Sarau das 9 às 11 (1976), com Suzana Saldanha, Graça Nunes, Izabel Íbias e Biratã Vieira
/SANDRA LA PORTA/DIVULGAÇÃO/JC
Uma das primeiras homenagens póstumas ao escritor é o livro Teatro completo, com organização do ator Marcos Breda e do diretor teatral Luís Artur Nunes, lançado em março de 1997, cerca de um ano depois de seu falecimento. A ideia de reunir seus textos teatrais surgiu durante o processo de produção de O homem e a mancha.
Em entrevista para essa reportagem, Nunes destacou que a experiência de Caio como ator, no grupo gaúcho Província, na década de 1970, ajudava-o na hora de ler seus próprios textos. "Jamais esquecerei o dia que, em São Paulo, ele me convidou para assistir à leitura de O homem e a mancha, encomendada pelo ator Carlos Moreno. Caio fez uma leitura brilhante, mas Moreno terminou não montando o texto. Coube a mim e a Marcos Breda esse privilégio. Caio já estava doente e nos pediu pressa. Por contratempos de produção, a estreia foi no final de 1996. Caio havia partido, alguns meses antes."
A escrita a quatro mãos foi uma das marcas da relação entre o autor e Luís Artur Nunes. "Na maioria dos casos, é praticamente impossível dizer quem escreveu o quê. Às vezes, um ou outro era responsável por determinado momento da peça. Depois, nos reuníamos e, sem nenhum constrangimento, fazíamos interferências."
Nunes descreve a relação com Caio como de muita amizade e intimidade: "Conversávamos muito. Sobre arte, principalmente. Dividimos apartamento no Centro de Porto Alegre durante algum tempo. Dessa época, recordo longas caminhadas noturnas pelas ruas, jogando conversa fora".
 

Caio e o teatro

O livro Teatro completo reúne os textos dramatúrgicos do escritor: Sarau das 9 às 11 (em parceria com Luis Artur Nunes), Diálogos, A comunidade do arco-íris, Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, Reunião de família, A maldição do Vale Negro (em parceria com Luís Artur Nunes), Zona contaminada e O homem e a mancha. A obra, originalmente publicada em 1997, foi relançada, em 2009. Atualmente, o livro está novamente esgotado mas pode ser encontrado em sebos virtuais.
E mesmo em meio à quarentena, os fãs do teatro de Caio Fernando Abreu terão uma novidade. Marcos Breda revela que prepara uma leitura dramática do monólogo O homem e a mancha em uma versão que contará com a voz do próprio autor lendo as rubricas, as marcações para indicar gestos e movimentos dos atores.
Por enquanto, a apresentação será lançada em formato on-line. Assim que for possível, terá a presença do público. "Será uma leitura dramatizada multimídia. Lerei os cinco personagens da peça com as imagens da primeira montagem, de 1996", explica.

Boas lembranças de um aniversário com surpresa

Diretor teatral Luciano Alabarse recorda momentos e montagens que fez de obras do amigo
Diretor teatral Luciano Alabarse recorda momentos e montagens que fez de obras do amigo
JONATHAN HECKLER/JC
O diretor de teatro Luciano Alabarse recorda que esteve com Caio em muitos aniversários do escritor. Apesar de considerá-lo meio blasé em relação a datas oficiais, acredita que, no fundo, ele gostava do carinho. "Eu cantava parabéns, não o poupava de nada", diverte-se.
Em um de seus aniversários, Alabarse resolveu fazer uma surpresa. "O Caio cantarolava sem parar uma música linda da (cantora) Sueli Costa. Por isso, juntei todo meu dinheiro, fui na Kings Discos da Galeria Chaves e comprei o LP. Fui a pé, do Centro até o bairro Menino Deus, com o disco embrulhado para presente. Bati na porta, Caio veio atender. Entendeu tudo antes de abrir o presente. Me abraçou forte e caímos no choro, juntos. Foi lindo."
De todas as montagens para o teatro que fez de obras do amigo, Alabarse elege como a mais memorável o primeiro espetáculo, Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, de 1983. "Pela surpresa de ver aquele cenário aos pedaços ocupando todo o Clube de Cultura, pela trilha da Meredith Monk, pela interpretação do Gilberto Gawronski, em seu primeiro trabalho como ator, pela reação super positiva do Caio, por ter sido com essa peça que ganhei meu primeiro Açorianos de melhor diretor. Foi marcante e inesquecível", enfatiza.

Recordações da família como inspiração literária

Montagem de fotos 3x4 do acervo da família: Caio F com cerca de 15, 20 e 30 anos
Montagem de fotos 3x4 do acervo da família: Caio F com cerca de 15, 20 e 30 anos
/ACERVO FAMILIAR /DIVULGAÇÃO/JC
Caio era o primogênito entre os cinco irmãos, José Cláudio (Gringo), Luiz Felipe, Márcia e Cláudia. A irmã caçula, Cláudia Abreu Cabral, 13 anos mais nova que o escritor, lamenta não ter recordações especiais sobre a comemoração da data, já que geralmente ele passava os aniversários longe de Porto Alegre.
Ela lembra que as memórias da infância no interior do Rio Grande do Sul inspiraram alguns textos do autor, como o conto Corujas, de Inventário do irremediável, de 1970. "Tivemos 2 corujas em casa quando eu era muito pequena e elas morreram. Até pouco tempo, eu acreditava que tinham sido soltas no campo", confessa Cláudia. No conto, dedicado aos irmãos e aos pais, o sargento de cavalaria do Exército Zaél Meneses de Abreu e a professora Nair Ferreira Loureiro Abreu, Caio cita o nome da caçula: "As crianças disputavam a posse, é minha, não, é minha, manhê, a Cláudia quer se adornar das corujas, mas elas passavam adiante, sabendo-se para sempre impossuídas, indecifráveis".
Sobre a atualidade e popularidade do legado literário do irmão, inclusive entre leitores mais jovens, Cláudia comenta que foi uma agradável surpresa para a família. "Acho que ninguém poderia supor que o trabalho do Caio atingiria tanta gente."
 

Saudades transformadas em livro e filme

Paula Dip mantém na mente a risada do escritor, contagiante: Quando estava feliz, era imbatível
Paula Dip mantém na mente a risada do escritor, contagiante: Quando estava feliz, era imbatível
ACERVO PAULA DIP/DIVULGAÇÃO/JC
Paula Dip, amiga que Caio conheceu em São Paulo em sua trajetória como jornalista, acredita que ele gostava de comemorar aniversários. "Detestava o mês de agosto, por ser a passagem de seu inferno astral, e esperava com ansiedade o final do mês. Quando chegava setembro, ele era pura alegria e, no dia 12, estava sempre animado para festejar", conta.
Quando lembra de Caio, a primeira coisa que vem à cabeça de Paula é a risada do escritor, contagiante: "Embora tivesse fama de ser depressivo. E era mesmo, o mais depressivo de todos. Mas quando estava feliz, era imbatível".
Em 2009, Paula lançou o livro Para sempre teu Caio F. - cartas, conversas, memórias de Caio Fernando Abreu, que já está na quinta edição. Em 2014, o livro foi adaptado para o cinema, com roteiro de Paula e direção de Candé Salles, tendo sido premiado como melhor filme no Festival Mix Brasil.
Paula explica que conheceu Candé Salles durante o lançamento de seu livro, no Rio de Janeiro. "Eu havia feito um pequeno vídeo com imagens do Caio e algumas entrevistas para apresentar no evento. Candé logo sugeriu que fizéssemos o filme. Eu conheci Caio nos anos 1980, Candé em 1995. Candé foi um dos milhares de amigos que fiz por causa do Caio."

Cinema e Caio

Sobre sete ondas verdes espumantes (2013) é baseado na sua vida e obra
Sobre sete ondas verdes espumantes (2013) é baseado na vida e obra do escritor
BESOURO FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Cinéfilo inveterado, a obra de Caio Fernando Abreu é repleta de referências à sétima arte. Talvez por isso, a literatura de Caio recebeu inúmeras adaptações em curtas-metragens, produções universitárias e, até o momento, dois longas-metragens: Aqueles dois (direção de Sérgio Amon, lançado em 1985) e Onde andará Dulce Veiga (de 2008, com direção de Guilherme de Almeida Prado).
Dentre os curtas, os especialistas em cinema destacam Dama da Noite (direção de Mario Diamante, de 1999), Sargento Garcia (direção de Tutti Gregianin, de 2000) e Pela passagem de uma grande dor (direção de Bruno Polidoro, de 2005). Polidoro também dirige, em parceria com Cacá Nazario, Sobre sete ondas verdes espumantes, documentário poético baseado na vida e obra do escritor, lançado em 2013.
 

Cinquenta anos de uma obra universal e com verdade literária

Professora da Ufrgs Márcia Ivana de Lima e Silva foi responsável pelo acervo do escritor
Professora da Ufrgs Márcia Ivana de Lima e Silva foi responsável pelo acervo do escritor
ANDR/ARQUIVO/JC
O ano de 1970 foi marcante na trajetória de Caio Fernando Abreu. Há 50 anos, o autor publicava pela editora gaúcha Movimento, os livros Inventário do irremediável, Limite branco e Roda de fogo (antologia com escritores do Rio Grande do Sul). A década de 1970 é considerada por especialistas em literatura como a do boom do conto brasileiro.
Caio encaixa-se nessa geração, porém, conseguiu perpetuar sua obra, ao contrário de muitos de seus contemporâneos. A professora de Letras da Ufrgs Márcia Ivana de Lima e Silva, doutora em Teoria Literária e especialista em sua obra, considera que a qualidade estética é o que determina seu sucesso duradouro. "Muitos autores daquele período escreveram memórias a respeito da luta contra a ditadura militar. Essas obras esgotam-se nessa perspectiva. Caio escreve sobre suas vivências, porém, atinge um patamar de universalidade."
Márcia Ivana comenta que o grande público não associa o autor à poesia: "Seus contos, crônicas e até romances são mais lembrados. Porém, Caio era poeta e dos bons". A professora é uma das organizadoras do livro Poesias nunca publicadas de Caio Fernando Abreu, lançado em parceria com Letícia Chaplin, em 2012. A obra contém mais de 100 poemas. "Abordam temas como relações amorosas e solidão. Algumas poesias são memorialísticas, sobre a infância e a família."
A professora ressalta que, mesmo abordando suas experiências reais, ele conseguiu transformar através, da palavra, as vivências em literatura com alto valor estético. "Embora em sua obra apareçam as marcas de seu tempo, o que se destaca mesmo é a carga de verdade literária. E, por isso, agrada tanto aos leitores de todas as gerações."

Dos campos de girassóis em meio às coxilhas à despedida na Noruega

Mais um dos amigos de uma vida inteira do escritor, Augusto Rigo enviou um depoimento especialmente para essa reportagem, direto de Ibiza (Espanha). Na os anos 1970, viajou com Caio para a Suécia. O autor dedicou a ele o conto O afogado, do livro O ovo apunhalado, de 1975.
"Nos conhecemos em dezembro de 1966, em Santiago do Boqueirão, cidade natal de ambos. Desse verão, recordo banhos no açude, Caio dirigindo o carro dos pais, um Willys. Passeamos pelas coxilhas e avistamos um campo de girassóis, foi uma festa: Van Gogh com chimarrão. Posso garantir que Caio detestava o seu aniversário, mas, como toda diva caprichosa, não perdoava quem esquecesse. Era um dia de fossa, enfiado na cama, predisposto a sofrer. Mas, ao mesmo tempo, vinha a volta por cima, e fazia rir e divertia a todos. Me recordo de muita estrada juntos: Espanha, Suécia, Holanda, Bélgica, França e Inglaterra. Mas o que ainda é muito caro ao meu coração foi sua última visita quando veio se despedir (de mim), na Noruega, em junho (de 1995), oito meses antes de partir definitivamente. Foi lindo e triste, mas como sempre, divertido também."

* Flávia Cunha é jornalista e produtora cultural. Mestre em Literatura Comparada pela Ufrgs, analisou a obra de Caio Fernando Abreu como jornalista.
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