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Porto Alegre, quinta-feira, 03 de agosto de 2017. Atualizado às 09h40.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 03/08/2017. Alterada em 03/08 às 09h44min

Criadores de Angus apostam em nova raça

Cruzamento propicia maior resistência ao calor e a ectoparasitas

Cruzamento propicia maior resistência ao calor e a ectoparasitas


GABRIEL BARROS/GABRIEL BARROS/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Uma nova raça certificada no Brasil, mais resistente ao clima tropical e também a doenças, já começa a povoar os campos gaúchos. A Ultrablack, originária da Austrália, foi apresentada ontem pela Associação Brasileira de Angus. Fruto da cruza de animas Angus de alta genética com Brangus, uma raça sintética, é a aposta da entidade para ampliar a oferta de carne com qualidade Angus no mercado brasileiro.
"Hoje, não conseguimos atender a todo o mercado com Angus. Apesar dos inúmeros problemas econômicos enfrentados no País, com os atuais 14 milhões de desempregados, dos danos com a Operação Carne Fraca e das restrições norte-americanas, aumentamos em 1% o número de abates no Brasil", comemora o presidente da associação, José Roberto Pires Weber.
Neste ano, de acordo com a associação, foram abatidos no Brasil 213 mil bovinos da raça Angus. O volume é considerado insuficiente para atender ao mercado interno, que consumiu 89% da produção (o restante foi exportado). É com foco no mercado interno, prioridade da associação, ressalta Weber, que a Ultrablack foi certificada no Brasil. Denominado pelos técnicos da entidade como uma "ferramenta" importante para produção de carne Angus no País, a nova raça certificada se caracteriza pela rusticidade necessária ao cruzamento industrial no Centro-Oeste.
Entre as principais qualidades da raça estão precocidade reprodutiva, alto ganho de peso, e resistência ao calor e a ectoparasitas, como o carrapato (uma praga atualmente em muitas propriedades). Tudo isso sem perder qualidade na carne Angus, como bom índice de marmoreio e sabor diferenciado, segundo a entidade. Proprietário do primeiro Ultrablack certificado no Estado (existem só três no Brasil), Gabriel Barros, da Cabanha La Coxilha, de Cacequi, é só elogios ao novo terneiro da fazenda. Com apenas 10 meses, este passou neste ano por uma dura prova de resistência, com louvor.
"Logo após a chuvarada de maio e junho, houve excesso de calor e aumento da presença de carrapato entre os animais, o que minou o desenvolvimento da maioria. De um grupo de 25 terneiros que estavam a campo, cerca de 80% dos animais perderam peso, outros 15% mantiveram, e apenas o Ultrablack ganhou", comemora Barros.
O pecuarista diz ter ampliado as boas expectativas sobre a raça depois deste teste de resistência imprevisto. E elogia outra característica da raça: o pelo curto é um fator positivo, que logo também será posto à prova. "Aqui, na região de Santa Maria, a média dos picos mais altos de temperatura chega a ser maior do que em Campo Grande (MS). Por isso, a característica de pelos mais curtos do que o Angus, com o mesmo acabamento e qualidade de carne, será importante para nós", explica Barros. Para quem já se interessou em testar a raça sintética, com cruza mínima de 80% Angus e 20% Brangus, o presidente da associação dos criadores antecipa que o primeiro remate de touros da raça deve ocorrer em 2020.
O criador interessado em formar um rebanho Ultrablack tem, agora, dois caminhos: produzir seus próprios animais ou esperar pelos primeiros leilões. O gerente de fomento da associação, Mateus Pivato, explica que, para obter um legítimo Ultrablack passível de registro, é preciso estar atento aos critérios definidos pela Associação Brasileira de Angus e usar reprodutores que tenham registro definitivo.
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