Porto Alegre, terça-feira, 06 de julho de 2021.
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Responsabilidade Social

- Publicada em 17h33min, 03/07/2021. Atualizada em 00h18min, 06/07/2021.

Projeto doa computadores para alunos de baixa renda

Clevi (À direita) com Márcio e Betina buscam doações para atender a uma lista de espera de alunos

Clevi (À direita) com Márcio e Betina buscam doações para atender a uma lista de espera de alunos


MARIANA ALVES/JC
Patrícia Comunello
Na pandemia, ter um computador, tablet ou celular nunca foi tão essencial. Por isso, o projeto Enigma Mulheres na Tecnologia, que surgiu em Porto Alegre, e que capta equipamentos, deixa em condições de uso e doa, está mudando a história de crianças, adolescentes e adultos que estão estudando, ou tentando, mas enfrentam a barreira da inclusão tecnológica, antes mesmo da digital, por não terem acesso aos meios para conseguir acompanhar e assimilar o conteúdo online.
Na pandemia, ter um computador, tablet ou celular nunca foi tão essencial. Por isso, o projeto Enigma Mulheres na Tecnologia, que surgiu em Porto Alegre, e que capta equipamentos, deixa em condições de uso e doa, está mudando a história de crianças, adolescentes e adultos que estão estudando, ou tentando, mas enfrentam a barreira da inclusão tecnológica, antes mesmo da digital, por não terem acesso aos meios para conseguir acompanhar e assimilar o conteúdo online.
Que o diga a auxiliar de serviços gerais a Cristina Soares da Silva, que desde abril de 2020 cumpriu uma rotina: ir à escola do filho de 14 anos na Zona Leste da Capital para buscar material impresso para ele estudar. O motivo? Ela não tem dinheiro para comprar um notebook, um computador com tela e gabinete ou mesmo um bom celular, para poder rodar ferramentas e acessar aplicativos. "Tá muito difícil. Ajudo como posso", resume Cristina: "Daqui para frente vai melhorar".  
Desde o dia 22 de junho, a rotina mudou, e Cristina está aliviada. Graças ao projeto, que surgiu no Colégio de Aplicação, unidade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a chefe de família, condição reforçada porque o marido dela está desempregado e seu salário de pouco mais de R$ 1 mil é a unica renda, conseguiu a doação de um notebook. 
Como o projeto faz verdadeiras transformações - adapta, conserta e coloca máquinas em condições de uso, o filho de Cristina tem agora um notebook com um teclado, arranjo necessário para driblar a limitação do computador, que foi doado, mas tinha problema no teclado. Para Cristina, isso é detalhe e ela espera ainda aprender a usar a máquina com a ajuda do filho: "Ele sabe mexer".  
A professora Clevi Rapkiewicz, do Aplicação e que tem formação em tecnologia da informação e fez doutorado com o tema das mulhres na computação, criou o Enigma em 2018 para atender demandas de alunos, principalmente da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Muitos não têm condição de ter uma máquina para fazer trabalhos ou ampliar os estudos. Tudo passava por conserros de usados. 
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Cristina ganhou um notebook para o filho e não vai mais precisar ir à escola buscar materiais impressos. Foto: Mariana Alves/JC
Mas veio a pandemia, e Clevi se deparou com mais dificuldades dos alunos, em todos os níveis. 
"Tínhamos bolsistas que dependiam do laboratório de informática para estudar, tinha casos de um computador para toda a família. Fizemos um levantamento de quantos precisavam e fomos pedindo doação", recorda a coordenadora.
"Quando a gente fala de aulas remotas, precisamos pensar em quem precisa ter acesso. Quase 80% dos meus alunos do EJA não tinham como acessar as aulas", revela Clevi. Para dar conta da demanda, com as aulas acontecendo, o Enigma fez campanhas e usou a rede de conexão que professores e a comunidade ligada à escola tinham. 
"Como professora, poder alcançar o computador é bom por um lado, pois temos o prazer de ver a alegria deles (alunos), e ruim por outro, pois como professores, tão criticados muitas vezes, temos de fazer o papel do estado", desabafa Clevi.    
Desde o primeiro semestre do ano passado até junho de 2021, quase 200 equipamentos chegaram a quem não tinha o meio para estudar. Mas à medida que Clevi e seus colegas foram se mobilizando, mais equipamentos em condição de funcionar chegaram a lares, com foco naqueles com mulheres chefes de família.
"Eles ficam muito felizes, pois alguns alunos assistem às aulas em celular bem ruim ou precisam dividir com mais dois irmãos o mesmo aparelho", descreve Betina Graeff, assistente social da escola que apoia o projeto, desde a identificação de quem precisa das máquinas até a entrega.   
Da meta de atender alunos do Aplicação, o Enigma transbordou, pois mais pessoas e instituições ficaram sabendo da iniciativa e buscaram apoio. 
"Doamos um computador para uma tribo indígena no interior, para um menino de um assentamento de sem-terra que quer estudar tecnologia e para uma ONG que atua com mulheres que estavam em abrigos de proteção", lista a coordenadora.
"Mas para dar conta de tantas necessidades, precisamos de mais doações", destaca ela. Até fim de junho, pelo menos mais 150 alunos estavam na espera. Clevi decidiu ajudar mulheres empregadas em  terceirizadas da Ufrgs e que têm filhos em idade escolar. 

Rede de apoio para doação e conserto dos equipamentos

O Enigma depende de duas pontas para dar certo: quem doa e quem faz o conserto ou a revisão para que a máquina possa ser usada pelo aluno.   
A filha de Márcio de Freitas Carneiro estuda no colégio. Ele, que é técnico em informática, ficou desempregado na pandemia e surgiu a chance de ajudar. Carneiro faz a manutenção das doações, por um preço bem abaixo do mercado.
"A gente faz revisão e limpeza das máquinas que ficam prontas para doação", diz o técnico. "Muitas crianças não têm condição de acessar as aulas porque não tem o equipamento", observa o pai de Yummi, 14 anos.    
Já na ponta de doadores um dos exemplos é os dos funcionários da empresa Altus, uma das referências em soluções de automação industrial e elétrica no Rio Grande do Sul. A Altus repassou 14 computadores em meados de 2020. 
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Altus doou 14 notebooks para o projeto, após sugestão de ex-aluno que trabalha na empresa. Foto: Projeto Enigma/Divulgação  
"Participávamos de diversas ações sociais, mas acho que a doação de um grande número de computadores assim foi a primeira vez", diz Alexandre Ingrassia, gerente nacional de Engenharia da empresa. Ingrassia conta que a ideia da doação partiu de um colega, Roberto Haushahn Vaz, ex-aluno do Aplicação, e foi acolhida pela Altus. 
A empresa verificou que tinha notebooks que não serviam mais e que poderiam ser usados pelos alunos. "Foi uma grande satisfação poder fazer um pouco para ajudar no acesso à educação destas crianças que estão privadas de estarem na escola", resume o gerente.  

Como participar com doações

Projeto Enigma Mulheres na Tecnologia
O que pode doar: computadores, tablets, celulares, notebooks e monitores
Como doar:
  • Instagram: @enigmaprojeto
  • Facebook: @projetoenigma
  • E-mail: [email protected] 
  • Telefone/WhatsApp: (51) 99295-6632
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