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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de dezembro de 2016. Atualizado às 14h04.

Jornal do Comércio

Economia

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Energia

Notícia da edição impressa de 30/11/2016. Alterada em 30/11 às 10h44min

Senergisul frisa que passivo dificulta venda da CEEE

Se houver privatização, Estado ficará com o ônus da companhia, afirma Bastos

Se houver privatização, Estado ficará com o ônus da companhia, afirma Bastos


ALEXANDRE PIVATTO /divulgação/jc
Jefferson Klein
Mesmo que seja aprovada na Assembleia Legislativa a revogação da obrigatoriedade de plebiscito para a privatização ou federalização da CEEE (o Executivo também solicitou o fim da consulta popular para as possíveis alienações da Sulgás e CRM), o Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul (Senergisul) adverte que a venda da estatal de energia não seria algo simples. Em dívidas trabalhistas, previdenciárias e financiamentos, o presidente da entidade, Jorge Eduardo Saraiva Bastos, estima que a companhia verifique atualmente um passivo de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões. O dirigente argumenta que, se a empresa for vendida, muito provavelmente, esse ônus ficará com o governo.
O presidente do Senergisul recorda que quando dois terços da área de distribuição do Grupo CEEE foram privatizados, durante o governo de Antônio Britto, o passivo trabalhista ficou com a parte estatal. Um fator que pode auxiliar na solução quanto ao endividamento da empresa ou deixá-la mais atrativa à iniciativa privada é um processo movido pela estatal que pode render um montante bilionário para seus cofres. O grupo entrou, há cerca de dois anos, na Justiça Federal em Brasília, com uma ação contra a União e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), buscando o reconhecimento do custo que teve com os ex-autárquicos (antigos servidores aposentados vinculados à companhia) de 1993 até o final de 2014. Os ex-autárquicos oneram até hoje o grupo e o valor da causa é estimado em quase R$ 8 bilhões. A estatal já havia conquistado o direito a R$ 3 bilhões devido a créditos com a Conta de Resultados a Compensar (CRC), relativa à compensação de pagamentos a ex-autárquicos e inativos até o ano de 1993.
Sobre a medida do governo gaúcho de propor a retirada do plebiscito para a privatização da CEEE e com isso sinalizar a possível venda da companhia, o presidente do Senergisul considera equivocada a posição adotada. O dirigente ressalta que a CEEE-GT (responsável pela área de geração e transmissão) é uma empresa saudável, sem problemas de fluxo de caixa, apresentando lucratividade nos seus balanços mais recentes. E a CEEE-D (que lida com o segmento de distribuição), apesar de ainda enfrentar dificuldades financeiras, nos últimos dois anos tem melhorado quanto à qualidade no fornecimento de energia e há a expectativa de que possa alcançar a lucratividade em exercícios futuros, prevê Bastos. "É uma empresa que está em franca recuperação", comenta o dirigente.
Bastos diz que a postura do Executivo também surpreende, porque a direção do Grupo CEEE estava se esforçando em renovar a concessão da distribuidora e recuperar a companhia. "O que eu acredito é que o governo tomou uma decisão, por meio do governador e dos seus secretários mais próximos, sem levar em conta essas questões das direções das estatais, uma decisão puramente de governo e não técnica", julga. A reportagem do Jornal do Comércio tentou entrar em contato com o presidente do Grupo CEEE, Paulo de Tarso Pinheiro Machado, mas o executivo não se pronunciou sobre o assunto.
O assessor técnico da Frente Parlamentar pela Manutenção e Fortalecimento do Grupo CEEE e ex-presidente da estatal, Gerson Carrion, concorda com Bastos que o passivo da estatal gaúcha é um enorme empecilho para uma privatização. "São obrigações da empresa", enfatiza. Carrion afirma que o governo não está debatendo com a sociedade a imposição de um conceito de estado mínimo.

Senge-RS calcula que governo não tem votos suficientes para acabar com plebiscito

Será um duro desafio para o Executivo retirar a obrigatoriedade da consulta popular no caso do desencadeamento das privatizações das estatais. O vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS), Luiz Alberto Schreiner, informa que, pelos levantamentos feitos pela instituição, o Executivo não possui a quantidade de votos necessários (33) na Assembleia Legislativa para decretar o fim do plebiscito.
O dirigente acrescenta que o governador José Ivo Sartori já sinalizou que, se não for possível derrubar a exigência, será convocado o plebiscito. Nesse sentido, Schreiner adianta que serão feitas campanhas para conscientizar a sociedade sobre a importância da manutenção das estatais. Entre as funções desempenhadas por empresas dessa natureza, o vice-presidente do Senge-RS cita a possibilidade de direcionar uma estratégia de aquisições de equipamentos e de serviços que permita o fortalecimento da indústria regional.
Além da CEEE, outra estatal também ganhará apoio formal no Legislativo. Hoje, será celebrada a cerimônia de instalação da Frente Parlamentar pela Manutenção e Fortalecimento da Companhia Rio-grandense de Mineração (CRM), proposta pelo deputado Luis Augusto Lara (PTB). O ato será realizado no Salão Júlio de Castilhos, no Palácio Farroupilha, a partir das 11h.
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Comentários
Fabrício Barcellos Aguirre 08/12/2016 14h30min
Houve um erro absurdo na privatização de 2/3 da CEEE. Quando houve a privatização de 80% da Eeltrosul, a compradora levou todo o passivo trabalhista. Os 20% que sobraram com o governo ficaram sem este ônus. Entregar patrimônio e ainda arcar com a dívida é de uma estupidez tremenda, é um negócio perde-perde.n
Daniel DAlascio 30/11/2016 19h11min
O grupo CEEE eletrificou o Rio Grande e 1997 sofreu a privatização de dois terços da distribuição por um governador que fugiu para os EUA com medo da PF. Vem se erguendo e hoje é a melhor distribuidora do Rio Grande e a tarifa mais barata. A CEEE é estratégica para o Rio Grande. A GM só veio para o Rio Grande por exemplo porque a CEEE construiu uma linha de transmissão de 19km em 230kV e uma subestação de 230/23kV. conhecida como SE CIAG. A CEEE é indispensável para o RS.
luis 30/11/2016 15h28min
VENDER UMA EMPRESA QUE É LUCRATIVA,É UM ATO INSANO E NO MÍNIMO DE SE DESCONFIAR, A CEEE TEM UM VALOR DE MERCADO DE NO MÁXIMO 3 BILHÕES DE REAIS,ISSO PAGARIA 3 OU 4 FOLHAS DO ESTADO E TERMINARIA O DINHEIRO E FICARIAMOS SEM O PATRIMÔNIO,ALÉM DISSO A EMPRESA NÃO RECEBE UM TOSTÃO DO GOVERNO DO ESTADO, AO CONTRÁRIO, É SANGRADA PELO MESMO TODO O ANO.SE A PRIVATIZAÇÃO ACONTECER ,ALGUNS POLÍTICOS VÃO LEVAR O SEU PERCENTUAL DE COMISSÃO.PERGUNTA: ONDE ESTÁ O EX-GOVERNADOR QUE VENDEU A CRT E PARTE DA CEEE
Átila 30/11/2016 14h36min
Paulo, te falta conhecimento de causa. O ativo trabalhista da CEEE é fruto de políticos incompetentes que assumiram a direção da empresa em anos passados e quê se julgaram acima da lei, os senhores do poder e terminaram tomando atitudes desastrosas que resultaram em ações trabalhistas. n
PAULO 30/11/2016 12h54min
INCRÍVEL!......OS PRÓPRIOS FUNCIONÁRIOS DERRETERAM COM A CEEE!.....MAMARAM, E NÃO SATISFEITOS..METERAM AÇÕES NA JUSTIÇA;...FAZENDO A VACA SANGRAR, ATÉ MORRER;....PRIVATIZAÇÃO URGENTE DE TODAS AS ESTATAIS!!