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Porto Alegre, sexta-feira, 18 de dezembro de 2020.
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Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 18 de dezembro de 2020.
Notícia da edição impressa de 18/12/2020.
Alterada em 18/12 às 03h00min

Beethoven

São tantas as referências e homenagens feitas a Beethoven em filmes que seria uma pretensão irrealizável relacioná-las todas neste espaço dedicado ao cinema. O compositor, que nasceu há 250 anos, é um dos mais citados por cineastas, mas nunca teve um filme que, mesmo que a ele inteiramente dedicado, merecesse a qualificação de obra-prima. Nenhum deles se equiparou em imagens ao universo sonoro por ele criado. O primeiro deles foi O grande amor de Beethoven, realizado em 1936 por Abel Gance, um dos nomes mais prestigiados do cinema francês e que havia dirigido na época do silencioso um épico dedicado a Napoleão Bonaparte. O filme tinha como principal intérprete o ator Harry Baur, que mais tarde, em l942, quando estava na Alemanha vivendo, por coincidência, o papel de um compositor fictício em Sinfonia de uma vida, de Hans Bertram, viu a esposa ser sequestrada e morta pelos nazistas. Mais tarde, na França ocupada, ele morreu em circunstâncias até hoje não suficientemente esclarecidas. Só em 1994, no filme Minha amada imortal, de Bernard Rose, Beethoven seria outra vez protagonista de um filme, interpretado então por Gary Oldman. Em 2006, a polonesa Agnieska Holland dirigiu O segredo de Beethoven, tendo Ed Harris no papel principal.
São tantas as referências e homenagens feitas a Beethoven em filmes que seria uma pretensão irrealizável relacioná-las todas neste espaço dedicado ao cinema. O compositor, que nasceu há 250 anos, é um dos mais citados por cineastas, mas nunca teve um filme que, mesmo que a ele inteiramente dedicado, merecesse a qualificação de obra-prima. Nenhum deles se equiparou em imagens ao universo sonoro por ele criado. O primeiro deles foi O grande amor de Beethoven, realizado em 1936 por Abel Gance, um dos nomes mais prestigiados do cinema francês e que havia dirigido na época do silencioso um épico dedicado a Napoleão Bonaparte. O filme tinha como principal intérprete o ator Harry Baur, que mais tarde, em l942, quando estava na Alemanha vivendo, por coincidência, o papel de um compositor fictício em Sinfonia de uma vida, de Hans Bertram, viu a esposa ser sequestrada e morta pelos nazistas. Mais tarde, na França ocupada, ele morreu em circunstâncias até hoje não suficientemente esclarecidas. Só em 1994, no filme Minha amada imortal, de Bernard Rose, Beethoven seria outra vez protagonista de um filme, interpretado então por Gary Oldman. Em 2006, a polonesa Agnieska Holland dirigiu O segredo de Beethoven, tendo Ed Harris no papel principal.
Sorte melhor teve o autor de Fidélio quando em 1968, Stanley Kubrick, tendo por base um romance de Anthony Burgess, realizou Laranja mecânica, no qual o protagonista, símbolo do que a civilização reprime, tinha entre suas admirações a Nona Sinfonia, obra pela qual, depois de transformado num ser dócil e servil pelo sistema, passa ter ojeriza por quem ele chamava de Ludwig van. E quando retorna a ser o indivíduo perigoso de antes passa a cultuar novamente o tema principal daquela obra. A ousadia kubrickiana impulsionada pela constatação das complexidades do relacionamento entre ser humano e sociedade afastou de cena qualquer ingenuidade, se distanciou do lugar comum e revelou que há vários gêneros de alegria. Isso faz pensar no primeiro Duro de matar, realizado em l988 por John MacTiernan, quando o chefe de um grupo terrorista assalta um banco e, ao contemplar a fortuna ali depositada, seu chefe assobia o célebre tema do último movimento da Nona. Nos créditos finais do filme, o diretor volta a usar o tema, desta vez na versão original. Outro momento que merece ser lembrado é o de Prenon Carmen, uma modernização de Prosper Mérimèe, e que em vez de utilizar os temas da ópera Carmen, de Georges Bizet recorreu a vários quartetos de Beethoven, aquele gênero no qual, segundo muitos, o compositor atingiu o auge de sua arte. A ousadia de Godard, assim como a de Kubrick, revela conflitos geralmente escondidos por panegíricos.
E finalmente há também o Beethoven lembrado em vários filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, com a utilização das quatro primeiras notas da Quinta Sinfonia, as mesmas em que em Código Morse, por sua duração, representam a letra V, algo que remete ao sinal de vitória sempre feito por Winston Churchill em suas aparições públicas. Este foi o sinal para comunicar aos resistentes em solo europeu que a operação de desembarque na Normandia havia começado. Foi utilizado a música de um compositor alemão, mas a França também foi homenageada pela emissora britânica, que utilizou como código os versos de Paul Verlaine: Les sanglot longs des violons de l'automme... E se um dia algum cineasta realizar um filme dedicado ao tema da queda da aristocracia e a ascensão de novos valores é só utilizar uma sinfonia de Haydn e depois uma de Beethoven. Quem perceber a diferença será beneficiado pelo conhecimento do conteúdo de um período histórico através da emoção. Quem não o perceber terá que conviver com um obstáculo entre seu conhecimento e dados essenciais à compreensão de uma fase de transformação. Beethoven, assim como tantos outros compositores, graças a cineastas que têm a música entre seus interesses, faz parte da história do cinema. E é importante lembrar que em sua época, o mestre escreveu música para acompanhar peças de teatro, assim como depois seria feito por autores contemporâneos do cinema.
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