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Porto Alegre, segunda-feira, 26 de junho de 2017. Atualizado às 08h30.

Jornal do Comércio

Panorama

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Cinema

Notícia da edição impressa de 26/06/2017. Alterada em 26/06 às 08h33min

Mostra apresenta Questões de espaço: Releituras do real estreia hoje

Eldorado XXI mostra pessoas que habitam os Andes peruanos

Eldorado XXI mostra pessoas que habitam os Andes peruanos


SOM E FURIA PRODUTORA/DIVULGAÇÃO/JC
Começa nesta segunda-feira, na Sala Redenção (Paulo Gama, 110), a mostra Questões de espaço: Releituras do real. A ideia central do projeto é propor ao público novos olhares sobre territórios, demarcados ou não, nos quais habitam ou transitam indivíduos e grupos. As sessões permanecem em cartaz até sexta-feira com entrada franca.
Na programação, filmes contemporâneos que convergem entre o experimento, o documento etnográfico e a ficção. A seleção deu preferência a trabalhos que exploram o que compõe tais lugares como territórios, tanto física, quanto simbolicamente, ou seja, desde aspectos ambientais das regiões até memórias locais.
O tema da mostra e a escolha por discutir o "espaço" partiu da percepção de que a temática perpassa questões contemporâneas crucias. Segundo a curadora Marcela Bordin, o espaço, aqui analisado como uma medida infinita, de presença constante e índice da globalização, é posto em questão sob a luz de uma força cada vez mais renovada do local, da medida restrita onde ocorrem fatos, vidas, mortes, em todas as suas multiplicidades de esferas.
As identidades e as memórias coletivas existentes na geografia entram em pauta bem como os olhares sobre as migrações, sejam elas forçadas ou voluntárias, e sobre o movimento das pessoas em um planeta que cada vez mais parece ser unificado e transitável. Em meio a discussões sobre muros e refugiados, a mostra também dialoga sobre as fronteiras, aqui valendo tanto as entre países, entre pessoas e a natureza.
O tema pode ser conferido em El mar la mar, de Joshua Bonnetta e J.P. Sniadecki, que traz imagens da paisagem do deserto de Sonora, na divisa entre o México e os Estados Unidos. No filme, relatos dos habitantes daquela região contam histórias sobre os imigrantes mexicanos ilegais que se arriscam a atravessar o perigoso território em busca de uma vida melhor em solo norte-americano.
A manifestações da natureza e a fragilidade humana frente à força natural integram a mostra com o curta-metragem Um campo de aviação. O trabalho experimental de Joana Pimenta suspende a noção de real ao exibir imagens indecifráveis, que embora pareçam fantásticas, são registros de paisagens reais. O filme combina recortes de espaços e do extremo de acontecimentos climáticos ligando a natureza de Cabo Verde ao projeto modernista de Brasília.
O ciclo de filmes também dá voz a realidades específicas e que, até então, se encontram escondidas do público. Costa da Morte é um longa que aborda a região da Galícia, considerada o fim do mundo durante o império romano. Na produção, o vento, o mar, a pedra e o fogo se tornam personagens aliados ao homem, à história e ao mito da região. Já em Eldorado XXI, o cenário pós-apocalíptico compõe a narrativa sobre a árdua vida de homens e mulheres que vão para a comunidade de La Rinconada y Cerro Lunar, localizada em uma elevadíssima altitude nos Andes peruanos, movidos pela esperança de um dia encontrar ouro na mina que ali existe.
No aspecto estético, os filmes selecionados procuram dar destaque às impressões de lugar e utilizar a luz, o som e os depoimentos. O cinema híbrido, que combina documentário clássico à criação autoral, é visto na mostra ao documentar de forma original sem excluir novos formas de contar histórias.
O experimento narrativo também está presente, e, entre os curtas que avançam em direção à experimentação extrema está Meridian plain, de Laura Kraning. Em seu trabalho, a diretora utiliza fotografias, algumas com detalhes, outras com paisagens desérticas, para mapear uma paisagem distante e enigmática, construída por milhares de imagens de arquivo, que é revelada aos poucos.
Para a abertura da mostra, serão exibidos hoje, a partir das 19h, os filmes Lampedusa e Dead slow ahead, seguidos por um bate-papo com a curadora, Marcela Bordin. Com produção da Tokyo Filmes, a programação da mostra pode ser conferida tanto no site da Sala Redenção quanto na grade de cinema do Jornal do Comércio.
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