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Porto Alegre, sexta-feira, 23 de agosto de 2019.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 20/08/2019.
Alterada em 21/08 às 20h29min
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Sensores monitoram perdas de alimentos

Bender comandou estudo sobre danos no trajeto do campo às gôndolas

Bender comandou estudo sobre danos no trajeto do campo às gôndolas


/LUIZA PRADO/JC
Um terço da produção total de alimentos vai para o lixo. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 1,3 bilhão de toneladas de alimentação são desperdiçadas por ano no mundo. Esse desperdício é um dos fatores responsáveis pela fome de mais de 800 milhões de pessoas, conforme o relatório da FAO de 2016. Para reverter esse quadro, a ciência tem se voltado a entender onde estão as falhas na cadeia de produção alimentícia e como aperfeiçoá-las para diminuir o impacto.
A união entre os pesquisadores do Laboratório de Pós-Colheita, coordenado pelo professor doutor Renar João Bender, com o Laboratório de Eletroeletrônica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) faz parte disso. Buscando entender quais os danos fisiológicos que as frutas, olerícolas e algumas flores sofrem no trajeto da colheita até as gôndolas do mercado, os pesquisadores monitoraram diversos transportes, tanto em viagens dentro do Estado quanto longas viagens pelo Brasil.
Com esferas instrumentadas atuando como sensores de monitoramento, os pesquisadores puderam registrar todas as compressões que atingem os alimentos, desde a colheita até a chegada dos produtos aos mercados. Para entender como as forças de colisão atuam nas propriedades alimentícias dos produtos, os pesquisadores acompanharam cargas de dia e de noite de produtos da região, e também em viagens interestaduais.
Nestas primeiras operações, os estudiosos utilizaram molas extensoras para medir com precisão como as forças de compressão afetam os frutos embalados. Nos primeiros acompanhamentos, eles puderam observar que a força que incide nos frutos é elevada e resulta em danos expressivos, como o achatamento das células superficiais, afetando seu metabolismo e levando a mudanças na qualidade gustativa, com perdas açúcares e ácidos significativos para o consumo.
Depois dos primeiros protótipos, os cientistas desenvolveram um sistema utilizando acelerômetros - capazes de determinar com maior precisão as forças de impacto e de vibração. Os dados de vibração, inéditos no Brasil, demonstraram que o transporte inadequado das cargas tem consequência direta na qualidade da hortaliça ao ser consumida. Durante o trajeto, realizado em caminhões, a falta de investimento na qualidade das estradas fica evidente nos impactos sofridos pelas frutas, verduras e flores monitoradas pelos pesquisadores.
A pesquisa trouxe a possibilidade de um monitoramento em tempo real em qualquer parte do Brasil, através dos sensores para diminuir os prejuízos, protéicos e econômicos. "A nossa preocupação está no desperdício de um terço do que produzimos na cadeia pós-colheita", explica Bender. O pesquisador exemplifica que, através do impacto sofrido por uma bergamota, ela pode perder 25% da vitamina C contida na fruta. O impacto mecânico nas frutas e olerícolas traz, além do risco de contaminação devido à danos na sua superfície, mudanças no sabor, visual e aroma dos insumos, resulta no prejuízo qualitativo e, consequentemente, no desperdício de alimentos.

Veja a lista completa de vencedores:

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STARTUP DO AGRONEGÓCIO
CADEIAS DE PRODUÇÃO E ALTERNATIVAS AGRÍCOLAS
INOVAÇÃO E TECNOLOGIA RURAL
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL
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