'As pessoas subestimam o custo de empreender digitalmente', diz Goldschmidt, da Superplayer

Gustavo Goldschmidt está em novo episódio da série Mentes Transformadoras


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Autoria:
Patricia Knebel
Colaboração:
Patrícia Comunello
Gustavo Goldschmidt é o CEO da Superplayer & Co

Gustavo Goldschmidt é o CEO da Superplayer & Co

NÍCOLAS CHIDEM/JC

Nas duas últimas décadas, a indústria da música virou um símbolo de como a transformação pode ser avassaladora para as empresas e setores que não conseguirem se antecipar às mudanças. O mercado fonográfico foi do céu, quando dominava completamente as ações, ao inferno, quando virou as costas para a inovação. Só mais recentemente, ao aceitar os novos modelos digitais, voltou a crescer “A música criou mudanças de paradigmas gigantescos para o mercado”, aponta o cofundador e CEO da Superplayer & Co, Gustavo Goldschmidt. Para ele, porém, não são apenas as companhias tradicionais que precisam estar atentas. “O digital nasce sem fronteiras e, quando menos se espera, pode vir um concorrente internacional e tomar o mercado de assalto. Isso exige muita agilidade”, destaca.
Goldschmidt é o personagem do nono episódio desta temporada de Mentes Transformadoras. A série de vídeos e podcasts entrevista personalidades que falam sobre o cenário atual do mercado, os novos modelos de negócios que estão surgindo e os desafios deste mundo cada vez mais conectado.
> PODCAST: Ouça o episódio com Gustavo Goldschmidt e os anteriores
PERFIL: Gustavo Goldschmidt é cofundador e CEO da Superplayer & Co, líder em soluções corporativas de streaming de áudio no Brasil. As plataformas de streaming e serviços de sonorização da marca impactam mais de 2 milhões de pessoas por mês. O Superplayer foi globalmente acelerado pelo Google e é parte do grupo Movile. Gustavo também é membro do conselho de administração do Bling, um dos principais ERPs para pequenas empresas do Brasil. 
> VÍDEO: Confira as ideias dessa mente transformadora
Jornal do Comércio – Como a inovação ajudou a moldar a transformação que o mercado de música passou nos últimos anos?
Gustavo Goldschmidt – O papel da inovação na música vem de muito tempo, com o surgimento do direito autoral e da propriedade intelectual. Os artistas tocavam de bar em bar e conseguiam monetizar suas horas. Aí as músicas começaram a ser gravadas e, em determinado momento, surgiu a necessidade de proteger aquele conteúdo. Foi então que os artistas começaram a ganhar dinheiro de forma escalável. Na minha visão, é com a música que surgem os primeiros venture capitalist, porque as gravadoras nada mais são do que investidoras. Elas aportam recursos, ajudam a produzir o álbum e, junto com os artistas, apostam no sucesso para ganhar dinheiro. Com o surgimento da música digital, a facilidade de copiar e enviar um arquivo levou ao nascimento do Napster, em 2000, um dos apps que cresceu mais rápido na história da internet – e sem redes sociais. A música começou a ser compartilhada de forma mais agressiva. O modelo legal, que era o de downloads, não tinha mais um benefício significativo para o usuário quando comparado ao mercado da pirataria, e isso acabou fazendo a receita da indústria da música cair de forma super acelerada. A indústria fonográfica precisou se reformular e é aí que surge o streaming, que é hoje a forma de se consumir música em que as pessoas não pagam mais para comprar a propriedade do arquivo, e sim para ter acesso a milhões de músicas em qualquer lugar e dispositivo. É um pouco a tendência em tudo que vemos, como no caso de empresas como Uber e Airbnb. A música virou exemplo dessa disrupção da tecnologia e com isso criou shifts de paradigmas gigantescos para o mercado.
JC – Que insights essa transformação trouxe para os outros segmentos do mercado?
Goldschmidt – A principal lição é que não tem como parar a inovação tecnológica, é preciso estar sempre atento e se adaptando. A indústria da música tentou, por um tempo, conter a Napster por meio de processos e regulações, mas quando o consumidor viu benefício naquele modelo, a mudança foi inevitável. E ela só conseguiu recuperar o crescimento quando deu chance à inovação, se adaptou e criou um modelo de streaming legalizado – e a partir daí as receitas deste setor só vem crescendo.
JC – Sempre se fala muito do desafio de as grandes empresas tradicionais se transformarem. Mas, como é essa tarefa de se reinventar para um player nascido na era digital?
Goldschmidt – As pessoas subestimam o custo de empreender digitalmente. Quando se pensa em uma indústria tradicional, como um restaurante, conseguimos imaginar os investimentos que precisam ser feitos e concluir que vai ser caro. Quando a gente faz um app, parece tão simples, mas tem um investimento grande para chegar no modelo certo. Outro ponto é que o digital nasce sem fronteiras e, a menos que esteja em um mercado muito específico, vai competir com o mundo todo, onde o modelo de funding também está em outra escala. Quando menos espera, pode vir um concorrente internacional e tomar o mercado de assalto. Isso exige muita agilidade para conseguir ver estes movimentos e rapidamente se reposicionar e aproveitar as oportunidades.
JC – Como é lidar com a angústia de ter de empreender em um mercado de mudanças tão contundentes?
Goldschmidt – Esse cenário de mudanças é angustiante até a gente se dar conta que a única certeza que temos é que a mudança será sempre uma constante, e que é isso que gera a beleza para a vida. Geralmente, um empreendedor bem-sucedido que vende seu negócio não consegue ficar muito tempo parado. Ela logo vai atrás de um desafio de novo, que traga incerteza. Por isso, o caminho é tão importante quando o destino na hora de empreender. Não é só sobre ganhar dinheiro, é sobre aproveitar as conquistas, os desafios, as vitórias, é se empolgar com os problemas, pois muitas vezes você tem a chance de resolver um grande problema dessa indústria e aí vai fazer história. Isso que motiva os empreendedores.
JC – Todo mundo pode se tornar um empreendedor?
Goldschmidt – É como o peneirão de futebol. A gente tem de ter lá 100 crianças tentando virar profissional, porque uma ou duas vão dar certo. É superimportante motivar o empreendedorismo para o país, pois é isso que gera emprego, desenvolvimento, inovação e, assim, melhora a qualidade de vida das pessoas. Mas, temos que saber que muitos vão falhar. Tem de estar claro para quem entra nesse jogo quais são os riscos e não pintar um cenário de que tudo é lindo e maravilhoso, porque não é. Já a sociedade tem de aceitar e apoiar o empreendedorismo mesmo para aqueles que fracassam. O empreendedor e quem vai correr riscos e gerar ganhos para todos. Independentemente de morrer ou não na guerra, é algo nobre e que precisa ser valorizado.
JC – Quais as habilidades necessárias para os empreendedores conseguirem persistir?
Goldschmidt – Empreender é tomar porrada de tudo quanto é lado, então, a capacidade de resiliência, de se manter de pé, é fundamental. Outra habilidade necessária é a capacidade de aprendizado, porque a gente não tem muita certeza dos desafios que virão. Tem muito conhecimento novo, muito o que estudar e aprender para captar o conhecimento o mais rápido possível. É fundamental estar de olho bem aberto, não ter preguiça de estudar e trabalhar.
OUTROS EPISÓDIOS: Confira abaixo as próximas entrevistas da temporada. Saiba mais sobre o projeto Mentes Transformadoras e confira os outros episódios clicando aqui. Acesse a primeira temporada clicando aqui.
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Quem são as Mentes Transformadoras:

  José Galló, Presidente do Conselho de Administração da Lojas Renner
  Andreas Blazoudakis, Fundador e CEO do Delivery Center
  Caroline Cintra e Marta Saft, Diretoras-presidentes da ThoughtWorks no Brasil
  Cassio Bobsin, Fundador e CEO da Zenvia
  Gilson Trennepohl, Diretor-presidente da Stara
  Clovis Tramontina, Presidente do Conselho de Administração da Tramontina
  Marciano Testa, Fundador e CEO do Agibank
  Soraia Schutel, cofundadora da Sonata Leadership Academy
  Gustavo Goldschmidt, Fundador e CEO do Superplayer
  Cesar Paz, Empreendedor serial e co-fundador do Poa Inquieta
  Julio Ricardo Mottin Neto, Presidente do Grupo Dimed/Panvel
  Cleber Prodanov, Reitor da Feevale

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Reportagem publicada em 05/02/2020 pelo

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