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Porto Alegre, segunda-feira, 09 de julho de 2018.
Feriado em São Paulo - Revolução Constitucionalista.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 09/07/2018.
Alterada em 09/07 às 21h50min
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Da abertura econômica ao socialismo chinês

Após quatro décadas de mudanças, China tem 15% da riqueza global

Após quatro décadas de mudanças, China tem 15% da riqueza global


/THIAGO COPETTI/ESPECIAL/JC

O ano de 2018 tem uma grande marca para a China, e o tema está por todos os lados: os 40 anos da grande reforma, quando o país começou sua gradual abertura ao Ocidente. O processo, conduzido por Deng Xiaoping, é a base de tudo que o gigante asiático é hoje. Mas o que é a China hoje? Parte da resposta está em um termo que se repete em diversas conversas, palestras e entrevistas feitas aqui.
Esqueça a China comunista em seu sentido mais puro, digamos assim. O Partido Comunista está e seguirá no comando, mas o sistema político-econômico que vigora, em palavras de diferentes representantes do governo, é o "socialismo com características chinesas". A China não é mais um país comunista no que se refere a seguir todos os seus preceitos, explica o diretor da Escola de Negócios Internacionais da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, Niu Huayong.
"Adotamos diferentes ideais comunistas em várias etapas. Mudamos conforme o período e as necessidades de cada tempo, e de acordo com as carências da população em cada época. Hoje, adotamos o socialismo com características chinesas", diz Niu.
Mas o que seria esse socialismo? Depois de ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001 (fato criticado, na época, por muitos chineses), o país aprofundou essa busca por um novo conceito para governar, assim explicado: socialismo com características chinesas significa que o sistema permite dois protagonistas em sua história. Enquanto o comunismo tinha palco para apenas um ator principal (o governo), o socialismo chinês permite a atuação conjunta de outra estrela (a iniciativa privada).
A ideia central de ter como protagonistas tanto o governo quanto as grandes empresas tem explicação pelo lado social. Em algum momento desses 40 anos de reforma e abertura - ou justamente esse foi o motor da mudança -, se percebeu que, sem gerar riquezas, sem entrar no mercado global e sem a iniciativa privada, a China não teria recursos para cumprir o papel social de tirar milhares de pessoas da pobreza. Parece que a estratégia deu certo.
Hoje, a China é a segunda maior economia do mundo, representa 15% de toda a riqueza global, e o combate à pobreza exibe números ainda alentadores. Entre 2013 e 2017, por exemplo, segundo o governo Xi Jinping, 68 milhões de pessoas deixaram essa condição, e a renda média da população cresceu 7,4% ao ano no mesmo período.
A aposta no setor privado segue forte. E atuar com o setor privado como parceiro e também protagonista exige reduzir burocracias. "Em 40 anos, eliminamos mais de 300 licenças necessárias ao funcionamento de empresas e 425 departamentos de controles de governo em diferentes esferas. A reforma foi um sucesso, mas temos de avançar no socialismo com características chinesas para fazer ainda mais. Agora, estamos facilitando investimentos estrangeiros no setor financeiro, por exemplo", afirma Li Bin, conselheiro do Comitê Nacional para Reforma e Desenvolvimento.
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Thiago Copetti

A convite do Centro Internacional de Imprensa da China, o repórter está participando de um intercâmbio no gigante asiático. No blog Conexão China, apresentará, além de informações econômicas e políticas da segunda maior economia do mundo, também curiosidades culturais e gastronômicas, dicas de turismo e como é o cotidiano da vida em Pequim.