Gastronomia

Operações gastronômicas de Porto Alegre apostam no Litoral Norte para expandir

Depois de consolidarem suas marcas em Porto Alegre, empreendedores olham para o Litoral como uma alternativa para lidar com a baixa temporada na Capital
Do período que se inicia em dezembro e segue até o fim do Carnaval, uma parte considerável da população de Porto Alegre transita entre a Capital e as praias do Estado. Esse deslocamento, que ocorre principalmente em datas comemorativas e aos fins de semana, acaba impactando os negócios da capital gaúcha, que registram queda no faturamento em razão do movimento menor.
Do período que se inicia em dezembro e segue até o fim do Carnaval, uma parte considerável da população de Porto Alegre transita entre a Capital e as praias do Estado. Esse deslocamento, que ocorre principalmente em datas comemorativas e aos fins de semana, acaba impactando os negócios da capital gaúcha, que registram queda no faturamento em razão do movimento menor.
Mesmo as marcas mais consolidadas e experientes passam por esse momento e buscam criar estratégias para driblar os desafios da época. Nos últimos anos, alguns negócios compreenderam que acompanhar o movimento da população - migrando para o Litoral - pode ser uma alternativa. Alguns empreendimentos apostam em operações temporárias, outros perceberam no Litoral Gaúcho uma oportunidade de expansão e de oferta de novos produtos e serviços para os residentes dessas regiões.
Entre os diversos negócios que fazem sua estreia no Litoral na temporada de 2026 está o Grupo Leiteria, que abriu as portas em Atlântida. Após nove anos de atuação em Porto Alegre, o grupo decidiu transformar um desafio recorrente em oportunidade estratégica. Neste ano, o negócio que reúne as marcas Leiteria, Ferro Xiseria, Pizzaria Ferradura e Madre, apostou no Litoral Gaúcho para expansão das marcas, instalando uma operação temporária no complexo Ramblas, em Atlântida. O projeto reúne Leiteria, Ferro e Ferradura em um formato mais enxuto e foi construído em tempo recorde, em duas semanas entre a assinatura do contrato e a abertura ao público.
A decisão de ir para a praia surgiu a partir de Tiago Leite, CEO do grupo. Segundo ele, nos meses de janeiro e fevereiro o movimento em Porto Alegre cai de forma cada vez mais acentuada, acompanhando o aumento do fluxo de pessoas rumo ao Litoral. “Sentimos um movimento cada vez mais forte de praia. As pessoas, de fato, em janeiro e fevereiro estão vindo mais pra cá, e consequentemente o movimento em Porto Alegre acaba caindo. Sempre recebemos propostas de vir para a praia no verão, mas acabávamos declinando, porque já temos um ano muito corrido ”, afirma. 
Tradicionalmente, esse cenário levava o grupo a realizar demissões sazonais na virada do ano e no período entre janeiro e fevereiro. Tiago ainda comenta que, quando o Carnaval ocorre em março, o cenário é um pouco mais crítico, já que o público estende a estadia no Litoral. Em 2025, a lógica foi invertida. 
“Em vez de demitir alguns colaboradores nesse período que é mais fraco, a gente fez essa operação na praia para trazer essa galera pra cá e também para entender esse modelo de negócio aqui, que acaba sendo muito diferente do que fazemos em Porto Alegre”, explica Tiago. Para viabilizar a mudança, o grupo alugou uma casa para acomodar a equipe deslocada da Capital, preservando a equipe já treinada e evitando o custo de novas contratações no retorno da alta temporada em Porto Alegre.
A execução da operação no Ramblas foi marcada por uma intensidade incomum, conforme aponta Tiago. O contrato foi fechado no dia 6 de dezembro, as obras começaram no dia 8 e, no dia 18, as portas já estavam abertas. “Em 10 dias eu tirei tudo do zero. Foi uma correria insana, trabalhando quase 20 horas por dia. Tivemos que refazer grande parte da estrutura”, relata o empresário. Durante o processo, problemas estruturais exigiram decisões rápidas, como a troca completa do telhado após vazamentos causados pelas chuvas. A abertura antecipada, antes do início oficial da temporada em 27 de dezembro, funcionou como um período de testes. “Optamos por abrir dia 18 para forçar o erro, corrigir a tempo e chegar mais preparado para o formato forte da temporada”, diz.
No Litoral, a estratégia de marcas também foi cuidadosamente pensada. O Ferro, consolidado há dois anos, assumiu o protagonismo da operação. A Ferradura entrou por ter uma dinâmica considerada mais simples, enquanto a Leiteria atua como marca “madrinha”, emprestando seu reconhecimento construído ao longo de quase uma década. “Ela vem muito mais para chancelar as marcas Ferro e Ferradura do que propriamente com o projeto completo dela”, explica Tiago. Na praia, a Leiteria opera de forma reduzida, focada em cafés e tortas.
Essa escolha, no entanto, trouxe desafios logísticos importantes. Diferentemente do Ferro e da Ferradura, cuja produção é feita integralmente no local, a Leiteria exige que parte dos produtos seja preparada em Porto Alegre e transportada até o Litoral. “Estamos sentindo esse momento de praia, que, para nós, é novidade. Temos que reformular tudo, entender mais sobre a logística, pois muita coisa é produzida em Porto Alegre e trazemos para cá”, relata. Soma-se a isso a diferença de perfil de consumo: enquanto o parque concentra fluxo a partir das 18h, os produtos da Leiteria são tradicionalmente mais procurados durante o dia. “Estamos entendendo como otimizar isso, como trabalhar a venda de tortas à noite”, afirma o CEO, destacando que o verão servirá como base de aprendizado para futuras decisões. Ainda em janeiro, a marca irá testar a operação no formato delivery para o público litorâneo também. “No final da temporada, vamos passar uma régua, ver o que deu certo, o que não deu, o que se aprimora e o que precisamos corrigir.”
A recepção do público tem sido positiva e revela dois perfis de clientes, sendo alguns fiéis da Capital, que aguardavam há anos a presença das marcas na praia, e novos consumidores que estão conhecendo o grupo agora. “O produto está maravilhoso. Hoje tanto o Ferro quanto a Ferradura chegaram no modelo ideal, nas receitas ideais. Agora é a hora de vir conhecer”, afirma Tiago, confiante na maturidade das operações.
Apesar da procura por franquias, especialmente para o Litoral, o grupo segue resistente a esse modelo. Para o empresário, a alta performance está diretamente ligada à presença dos donos e ao envolvimento diário com a operação. “As pessoas podem até ter a grana, mas não têm a alma, não têm o empenho para fazer a marca dar certo”, diz. Esse receio reforça a decisão de manter uma gestão própria, mesmo que isso signifique crescer de forma mais controlada.

Clássico cachorro quente do Bom Fim abre operação em Atlântida

O Bonfa, tradicional cachorro-quente do bairro Bom Fim que opera há mais de 30 anos em Porto Alegre, acaba de chegar ao Litoral. Em uma operação temporária junto ao Céu Bar e Arte, o negócio está no Ramblas Atlântida levando os clássicos lanches para o fim de festa dos veranistas. 
Francini Magalhães, segunda geração à frente do negócio, conta que o desejo de ter uma operação no Litoral já existia, mas não estava no cronograma da marca. "Estava no radar, mas não era uma prioridade, porque demanda muito. A nossa operação já é bem puxada aqui. Mas surgiu o convite do Céu, que já tinha a estrutura, o ponto certo, então encurtou o caminho", conta Fran sobre a chegada do Bonfa no Litoral. 
Um dos desafios de levar uma marca já tão tradicional e conhecida da clientela para outra cidade é manter o padrão dos produtos. Para garantir isso, a empreendedora conta que só aceitou o convite quando o encarregado da produção do negócio topou a ideia. "O treinamento, quando uma pessoa nova entra no Bonfa, tem todo um acompanhamento para garantir o padrão, a montagem e a qualidade do produto. Isso foi uma das coisas que me segurou para tomarmos essa decisão. Levamos nosso encarregado da produção, fizemos uma reunião, e ele comprou a ideia, foi aí que decidimos ir", lembra Fran, destacando que a equipe da operação de verão será mista entre pessoas novas e as que já trabalham no Bonfa. "Duas pessoas são da nossa equipe, bem experientes, e vão estar lá fixos, e também vamos trabalhar com freelas lá da praia."
O cardápio terá os clássicos cachorros-quentes, mas vendidos em combos em parceria com o Céu e com o bar Mescla, que também compõe a operação. A operação, que iniciará às 19h de quinta-feira a domingo, tem como objetivo atender a demanda pelo lanche na madrugada depois das festas, movimento que já acontece na Capital. "O que a gente vê, ao longo do ano, é que a nossa galera conversa muito com a do Céu. Tem pessoas que saem do Céu na Lima e Silva e vão comer um Bonfa no fim de festa. Então, estamos levando o Bonfa para continuar sendo o final de festa da galera", garante a empreendedora. 
Situado dentro do Ramblas, complexo que reúne diversas operações já conhecidas dos veranistas, o Bonfa chega ao Litoral com otimismo. "A nossa expectativa é bem alta, e praticamente não tem como dar errado. O Ramblas concentra as baladas da praia, então a ideia é continuar com o movimento que já temos em Porto Alegre, só que agora na praia", compara Fran. 
A operação no Litoral, inaugurada no fim de dezembro de 2025, não foi a única novidade da marca no ano. Em setembro, o Bonfa abriu as portas no Parque Harmonia. A unidade foi a primeira do negócio a ter espaço para receber a clientela. Os movimentos de expansão, conta a empreendedora, não seriam possíveis sem o suporte do time do Bonfa. "Sempre temos que contar com a equipe. Uma das coisas que fizemos foi juntar todo mundo, apresentar o projeto, e a galera super comprou a ideia", afirma Fran. 
O Bonfa no Litoral ficará de portas abertas até o dia 18 de fevereiro.

Em parceria com o Ramblas, estúdio de hot yoga de Porto Alegre leva prática para o Litoral

O Yoga Vibes contará com seis encontros focados em equilibrar a prática de exercícios físicos com momentos de socialização e lazer
Inaugurada em setembro de 2025, a Melt Hot Yoga Club fez as malas e também foi para o Litoral. A marca, comandada por Helena Ben, segue operando em Porto Alegre, mas, neste verão, através de uma parceria com o Ramblas Atlântida, idealizou o Yoga Vibes, iniciativa que contará com eventos que levarão para a cidade litorânea a prática de yoga.

A iniciativa consiste em seis eventos aos sábados, focados em equilibrar a prática de exercícios físicos com momentos de socialização e lazer, como degustação de vinhos e festas. As idealizadoras, Helena e Luiza Rauber, à frente do Ramblas Atlântida, destacam que a proposta busca fortalecer o senso de comunidade, oferecendo experiências sensoriais que conectam a saúde à liberdade do verão.

Com aulas ministradas pela equipe de professores da Melt, o projeto utiliza espaços de entretenimento para mostrar que é possível integrar hábitos saudáveis e diversão no mesmo ambiente. “Desde o início, nós tínhamos vontade de fazer algo voltado ao esporte aqui no Ramblas. Trazer um estúdio, algo assim. Observando esse movimento crescente de busca por uma vida mais fitness, resolvemos buscar um espaço que conectasse isso com bem-estar e chegamos à Helena, que já fazia esse movimento em Porto Alegre”, conta Luiza sobre o início do projeto.
O convite para a parceria chegou para Helena quando a operação recém-completava dois meses. Embora a empreendedora tenha considerado o movimento "prematuro", ela aceitou o desafio. “Sempre tive o sonho de levar a Melt para outros espaços, mesmo que aberta há pouco tempo. Eu tenho sonhos grandes para esse negócio. Acredito que o verão, o calor e o período de praia combinam muito com a nossa proposta”, observa Helena, que não pensou duas vezes antes de aceitar a proposta. “Acredito que vai ser um período de aprendizados também”, afirma.

Essa iniciativa também marca o primeiro passo de um projeto maior para revitalizar o Ramblas e consolidá-lo como um centro de vida saudável e de experiências. “Nesta nova fase, queremos que as pessoas associem a vida saudável ao equilíbrio. Queremos muito a Melt conosco este ano e nos próximos, além de ter mais operações de esportes para receber a galera, para o pessoal ficar a tarde inteira aqui como quiser”, destaca Luiza. Atualmente, o foco do complexo é em operações noturnas e gastronômicas.

De acordo com as idealizadoras, a ideia central da Yoga Vibes é que a busca pela saúde não deve ser "fake" ou baseada em padrões inatingíveis. Segundo Helena e Luiza, o bem-estar é visto como a liberdade de desfrutar de diferentes momentos: a pessoa pode praticar yoga para se sentir saudável e, logo em seguida, beber um chope e socializar, sem que uma escolha anule a outra. Esse conceito é resumido na ideia de "equilíbrio" entre o movimento e a diversão. “A Melt sempre se propôs a ser isso. Falamos de wellness, de saúde, mas não é só para postar no Instagram. A ideia é trazer o que é possível, o que traz conexão, sem buscar um padrão inatingível, inalcançável”, pondera Helena.

Cada encontro pretende explorar sentidos específicos durante as aulas de yoga. Uma das aulas programadas para fevereiro será com os olhos vendados. Os demais eventos irão contar com outras atividades, como oficina de perfumaria, onde o aluno vai produzir seu próprio body splash, degustação de vinhos, além de uma oficina de drenagem facial com esfoliantes.

Os valores para as aulas do projeto Yoga Vibes variam entre R$ 120,00 e R$ 180,00, dependendo da experiência escolhida ou a modalidade de compra. Para quem quer fazer mais de uma aula, pode optar pela aquisição do passaporte, no valor de R$ 680,00, que inclui as seis experiências. Nesta última modalidade, o passaporte pode ser comprado em grupo, e as aulas são divididas por pessoas. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site da Melt Hot Yoga Club.

Embora o projeto atual seja uma parceria temporária para o verão, Helena não descarta a possibilidade de levar uma operação fixa para o Litoral. “Ainda é muito cedo, mas acho que essa experiência irá abrir as portas para novas ideias.”