Isadora Jacoby

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Editora do GeraçãoE

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Negócio Raiz

Primeiro restaurante de Capão da Canoa celebra 70 anos com inauguração de espaço kids

O restaurante Maquiné acompanhou a transformação de uma das cidades mais movimentadas do Litoral Norte
O Litoral Norte ganha, todos os anos, diversas novas operações, que surgem com o objetivo de atender à crescente demanda dos veranistas. No entanto, há quem testemunhe essas mudanças há décadas. O restaurante Maquiné, considerado o primeiro de Capão da Canoa, celebra, neste ano, 70 anos de portas abertas. Hoje comandado pela terceira geração da família que criou o negócio, o restaurante busca manter-se atualizado e trazendo novidades, como o amplo espaço kids inaugurado em 2026.
O Litoral Norte ganha, todos os anos, diversas novas operações, que surgem com o objetivo de atender à crescente demanda dos veranistas. No entanto, há quem testemunhe essas mudanças há décadas. O restaurante Maquiné, considerado o primeiro de Capão da Canoa, celebra, neste ano, 70 anos de portas abertas. Hoje comandado pela terceira geração da família que criou o negócio, o restaurante busca manter-se atualizado e trazendo novidades, como o amplo espaço kids inaugurado em 2026.
Os irmãos Rafael e Ronaldo Goldani estão à frente do Negócio Raiz. O restaurante Maquiné foi fruto do espírito empreendedor de Lidorino Goldani, avô de Rafael e Ronaldo. A família de imigrantes italianos chegou ao Rio Grande do Sul e transformou Barra do Ouro - um pequeno distrito de Maquiné - em lar. 
Era na região de Maquiné que Lidorino e Cecília Santa Goldani, sua esposa, administravam o bar da rodoviária, que contava com uma pequena pousada. "Capão da Canoa começou a ser mais povoado e eles vieram para cá", conta Rafael. Em 1948, Lidorino alugou um galpão no centro da cidade, ponto distante 150 metros do atual restaurante Maquiné, para administrar um restaurante com pousada. "Em 1956, eles adquiriram esse lote, que era só dunas, iniciaram com madeira. Esse prédio era a rodoviária, eles tinham uma ótima experiência em Maquiné. Por muitos anos, foi conhecido como o restaurante da rodoviária. Foi bem onde começou a crescer tudo, a praça, igreja, que hoje está passando agora pela quarta transformação", relata Ronaldo. 
O restaurante familiar passou por diversas fases e diferentes gerações, mas manteve o mesmo propósito de receber os veranistas de forma acolhedora. Em 1974, Lidorino passou o comando para os cinco filhos. Quatro deles seguiram à frente do negócio até 2005. "Os filhos continuaram tocando. Eles criaram uma pizzaria aqui do lado, depois um restaurante de frutos do mar em Xangri-Lá. Depois, um dos irmãos foi para o Mato Grosso, porque deu o boom da soja. Quando o irmão mais velho faleceu, eles resolveram separar tudo em 2005", conta Rafael. 
Foi assim que Claudio e Lucilda, pais de Rafael e Ronaldo, tomaram a frente da operação. Hoje, apesar de continuarem no dia a dia do restaurante, já não atuam na parte administrativa. "O pai está com 74 anos, a mãe vai fazer 75 anos, e os dois estão sempre aqui. A mãe fazia todos os doces, hoje não mais, mas ela ainda segura dois: a ambrosia e o doce de abóbora. O pai que faz o aperitivo, então ele adora, tem o maior prazer em servir os clientes", conta Rafael sobre a bebida produzida por Claudio. "É o aperitivo da casa, que é um limãozinho doce. Cada cliente tem uma maneira de chamar: medicinal, cachacinha, remédio", brinca Rafael. 
Cecília e Lidorino Goldani no salão do restaurante Maquiné | Arquivo Pessoal/JC
Cecília e Lidorino Goldani no salão do restaurante Maquiné Arquivo Pessoal/JC

Cardápio que atravessa décadas

Apesar das mudanças de formato ao longo dos anos, o Maquiné mantém os quitutes do cardápio ao longo dos anos, apenas deixando algumas iguarias no passado. "Servíamos bife de fígado, tatu à caçarola, língua à vinagrete, dobradinha. Vai dar para essa gurizada comer agora. Vão dizer para a gente pagar para eles comerem isso", brinca Rafael, contando que os pratos ainda são produzidos sob demanda para alguns clientes fiéis. "Clientes mais antigos nos ligam e pedem para preparar."
Operando no almoço e no jantar, o sistema do Maquiné inclui um buffet diverso e itens que chegam na mesa. "A sopa é servida na mesa de entrada, depois vem filé de peixe à dorê, filé de peixe à milanesa e grelhado. Depois disso, vem bife na chapa, batatinha frita e ovos, tudo à vontade. O restante é no buffet, que tem frutas, saladas e conservas com mais 30 variedades, um buffet de comida caseira, que tem arroz, feijão, massa, nhoque, legumes. Ao meio dia, tem um buffet de feijoada, onde todas as carnes vão separadas, como pé, rabo, costelinha. E um buffet de frutos do mar, que tem mexilhão, lula, camarão, e as sobremesas", explica. O valor é de R$ 109,00 no almoço e no jantar. 
O restaurante Maquiné conta com buffet no almoço e no jantar | Isadora Jacoby/Especial/JC
O restaurante Maquiné conta com buffet no almoço e no jantar Isadora Jacoby/Especial/JC

Pés na tradição, olhar na renovação

Embora o grande eixo do Maquiné seja a tradição, o restaurante busca sempre se manter atualizado frente às novas necessidades trazidas pela clientela. Prova disso é o amplo espaço kids no segundo andar do restaurante, novidade da temporada de 2026.
"Somos um restaurante família e queremos continuar, não podemos perder nossos clientes. Veio o avô, pai, o filho e agora o neto, temos que abraçar essa nova fatia. Por isso, estamos inaugurando esse ano acredito que o maior espaço kids do Litoral", afirma Rafael. 

Sucessão de gerações na frente e atrás do balcão

Os irmãos contam que administrar o negócio foi um passo natural, já que cresceram entre as mesas do restaurante. "Nascemos aqui dentro. Tenho 50 anos, o Ronaldo 47 anos, então nunca vimos uma outra coisa que não aqui. Acho que se formos para uma praia na temporada ficamos louco", brinca Rafael. O restaurante Maquiné viu Capão da Canoa crescer e se transformar na cidade mais populosa do Litoral Norte, com 63 mil habitantes. 
"Tinha gente que eu pegava no colo, colocava na cadeirinha, e agora já está com filho. Se a gente se mantém há 70 anos, é porque alguma coisa tem bom, sinal que alguma coisa que deu certo. Nós falamos que é a receita que deu certo, sabor e tradição no centro de Capão", diz Rafael.
Em 2026, o restaurante Maquiné celebra 70 anos de portas abertas | Arquivo Pessoal/JC
Em 2026, o restaurante Maquiné celebra 70 anos de portas abertas Arquivo Pessoal/JC