Isadora Jacoby

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Editora do GeraçãoE

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Gastronomia

Crepe fideliza clientes desde 2009 no centro de Atlântida

O Crepe da Tia Mari acompanhou as mudanças na praça, um dos principais pontos da praia
"No verão, a gente acaba se tornando família", afirma Marines Gomes Soares, mais conhecida como Tia Mari, empreendedora que comanda, desde 2009, uma barraquinha de crepe no centro de Atlântida. Apesar da trajetória no crepe ter começado quase por acaso, hoje o tradicional lanche do Litoral representa muito mais que uma possibilidade de negócio. "Não sabia que ia virar o amor da minha vida. Já estou há 17 verões", conta sobre o Crepe da Tia Mari, que está localizado no Roubadinhas Atlântida.
"No verão, a gente acaba se tornando família", afirma Marines Gomes Soares, mais conhecida como Tia Mari, empreendedora que comanda, desde 2009, uma barraquinha de crepe no centro de Atlântida. Apesar da trajetória no crepe ter começado quase por acaso, hoje o tradicional lanche do Litoral representa muito mais que uma possibilidade de negócio. "Não sabia que ia virar o amor da minha vida. Já estou há 17 verões", conta sobre o Crepe da Tia Mari, que está localizado no Roubadinhas Atlântida.
Antes de empreender, Mari conta que trabalhava como cozinheira para outras famílias. Foi a partir da experiência do filho no clássico Mini Golfe localizado na praça central de Atlântida que surgiu a oportunidade de começar o negócio. "Botei um crepe na beira da praia em Capão, mas não gostei, vim embora no meio do verão. O meu filho veio trabalhar no Mini Golfe e disse que tinha um crepe para vender", rememora. Foi assim que Mari, ao lado dos dois filhos e do marido, começou uma trajetória que acumula boas histórias e clientes fiéis. 
Mesmo apaixonada pelo negócio, Mari alerta a clientela de que a temporada de 2026 pode ser a última do Crepe da Tia Mari. Isso porque, em função do esforço repetitivo, a empreendedora desenvolveu um problema no braço e passou por um processo cirúrgico. Desde então, não consegue mais manter o mesmo ritmo em frente às chapas. "Não sei se ano que vem vou estar aqui, justamente pela saúde. Já estou falando para os clientes que esse ano é uma despedidaEstourou o tendão no braço, fui para cirurgia e ficou difícil", lamenta.
Além disso, Mari ressalta a dificuldade de contratação de mão de obra para suprir a ausência de sua família. "Antes, era a família toda que se ajudava. Tinha o meu marido, que veio a falecer no último ano do Covid. A gente estava na casinha velha ainda, e, na época, não pagávamos aluguel. A responsabilidade aumenta, e a idade chegou 17 anos depois", reflete.
Olhando com orgulho para os anos à frente do crepe, Mari prepara a despedida com o coração apertado. "Já chorei muito, porque achei que não ia conseguir tocar. Vou tocar mais lento esse ano", diz a empreendedora, que espera vender entre 60 a 100 crepes por dia. Em anos anteriores, esse número era bem mais elevado. "No ano retrasado, pegamos a família toda junto, vendíamos muito bem, em torno de 180 no dia. Ano passado, já caiu a produção, meus filhos não vieram. O ritmo da chapa, a velocidade da montagem é onde se ganha aqui", conta. 

Empreendedorismo permeado por afeto

Ao fazer um balanço dos 17 anos empreendendo, o maior orgulho para Mari é a relação com os clientes. "Agora, estou ficando aqui para ter contato com os clientes. Tem gente de Imbé e Cidreira que vendeu a casa aqui e, uma vez no ano, vem para comer o crepe", afirma Mari, destacando que o crepe atravessa até fronteiras internacionais. "Teve um rapaz que foi para Amsterdam e, 12 anos depois, veio aqui. Era Covid, ele estava de máscara, e, quando chegou, reconheci pelo olhar, que nunca saiu da minha cabeça, porque são meninos que peguei bebês, na cadeirinha da bicicleta, e chegam hoje com namoradas. Eles cresceram, e é bem gratificante", emociona-se. 
A presença de Mari nos fins de semana ao longo do ano durante toda a temporada é esperada pelos clientes fiéis, que se frustram quando isso não acontece. A empreendedora diverte-se ao rememorar que, no último verão, fez uma viagem, e o crepe ficou sob comando de seu filho e sua nora - o que causou estranhamento na clientela. "O relacionamento é muito bom. Tem clientes que tenho o telefone, a gente conversa no inverno. Tem cliente que se chegar aqui e eu não estiver, não come. Ano passado, viajei para o Nordeste e eles estavam me ligando, perguntando se eu estava doente, falando que foram embora quando chegaram aqui e eu não estava", conta Mari.
Nem mesmo as longas filas de espera, que podem passar de 2 horas na alta temporada, espantam o público fidelizado por Mari. O carro-chefe do negócio é crepe de carne de panela, além dos sabores de pizza e de frango.
Presente na praça central desde 2009, Mari acompanhou as transformações do espaço, que comporta hoje o complexo Roubadinhas Atlântida. Além das transformações físicas e da chegada de novas operações, a clientela também foi mudando ao longo dos anos. "Antes, era a juventude que vinha na madrugada. Agora, é mais família, e essa tranquilidade foi o que eu almejei, fico até a meia-noite e vou embora para casa", conta sobre a rotina.
A temporada de 2026 vai até a quarta-feira de cinzas, no dia 18 de fevereiro. Apesar de estar projetando que este será o último verão do Crepe da Tia Mari, a empreendedora não descarta deixar a parte operacional de lado para focar apenas na administração do negócio e, assim, continuar de portas abertas. "Estou me despedindo há uns anos. Chorei muito por não poder estar na chapa. Meus filhos estão colocando na minha cabeça para eu só coordenar, mas é muito difícil", admite. 
Apesar da nostalgia, o clima é de otimismo para receber os veranistas neste verão. “A pessoa já chega na praia louca para comer o crepe, e nós estamos aqui esperando. É muito bom rever eles”, garante Mari.