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Porto Alegre, domingo, 11 de setembro de 2016. Atualizado às 22h43.

Jornal do Comércio

Panorama

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ARTES CÊNICAS

Notícia da edição impressa de 12/09/2016. Alterada em 09/09 às 19h47min

"O homem e a mancha" apresenta nova montagem para homenagear Caio Fernando Abreu

Caio em Porto Alegre no ano de 1994

Caio em Porto Alegre no ano de 1994


ADRIANA FRANCIOSI/DIVULGAÇÃO/JC
Michele Rolim
Este ano completaram-se duas décadas desde que o jornalista e escritor gaúcho Caio Fernando Abreu faleceu. Com a intenção de prestar homenagem ao amigo, Luís Artur Nunes e Marcos Breda fazem uma releitura da peça O homem e a mancha, estreada também há 20 anos, mas nove meses após a morte do escritor.
A montagem volta ao palco do Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº) - lugar onde estreou - hoje, às 21h, data de aniversário de Caio - ele faria 68 anos. Ingressos a R$ 20,00.
O homem e a mancha é a última peça escrita por Caio F. "A obra dramatúrgica de Caio é menos numerosa que as demais produções dele, mas nem por isso é menos valiosa em termos de qualidade", afirma Breda, que, ao lado de Nunes, organizou o livro Teatro Completo - Caio Fernando Abreu, reunindo os oito textos do autor sobre o gênero.
Em cena, Breda (ator que o realizou o monólogo em 1996) faz a leitura dos personagens e Nunes, que dirigiu a peça na época, irá ler as rubricas (as anotações do autor para indicar gestos ou movimentos dos atores).
Eles também estarão acompanhados de imagens do espetáculo de 1996 - inclusive, Caio "entra em cena", no telão, lendo a primeira rubrica da peça. A seleção dessas imagens e a sua edição ficaram a cargo de Candé Salles, realizador do filme Para sempre teu, Caio F., a partir das filmagens das apresentações no Theatro São Pedro e na Casa da Gávea no Rio. As composições são de Celso Loureiro Chaves.
Nunes conta que a ideia de o diretor ler as rubricas tem o objetivo, primeiro, de facilitar a compreensão da complexa tessitura cênica sugerida pelo autor. A esse, soma-se outra coisa: as rubricas de Caio são riquíssimas, cheias de humor e de poesia, na opinião do diretor. "Gostaríamos que o público, a quem por praxe é negada a leitura desse material, pudesse também saboreá-lo." Nunes despontou em Porto Alegre liderando o Grupo de Teatro Província na década de 1970, conhecido por suas encenações experimentais.
A peça é um monólogo com cinco personagens que se revezam em forma de delírios e sonhos. Todos eles procuram algo: o Ator busca um personagem; Miguel procura a fuga do mundo e Carolina; Quixote busca aventuras; Dulcineia, homem da mancha, segue atrás de uma mancha imaginária (uma metáfora à Aids); enquanto Triste Figura busca uma saída. "Essa peça é uma espécie de testamento dramatúrgico do Caio. Todas as obsessões artísticas e pessoais dele estão no texto", conta Breda.
Para Nunes, Caio tinha um texto inovador em termos de linguagem teatral. "O homem e a mancha era uma peça muito moderna. A primeira vez que foi montada era bastante ousada e estava além da compreensão da época", conta ele, lembrando que, apesar de a montagem ter sido bem-sucedida, não foi um grande sucesso de público.
A peça também realiza outras três apresentações neste ano: no Teatro do Sesc em Canoas (15 de setembro), no Teatro Sérgio Cardoso São Paulo com participação especial na Semana Caio Mon Amour (17 de setembro) e uma nova sessão na capital gaúcha (em outubro). 
A dupla adianta que este é o começo de um projeto que terá desdobramentos, intitulado CA(IO) Entre Nós. A releitura, aliás, ocorre um dia antes de se iniciar a programação oficial do Porto Alegre em Cena. Será uma espécie de abre-alas para o festival de teatro que ocupará a cidade no mês de setembro, mais precisamente de amanhã até dia 26.
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