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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de setembro de 2016. Atualizado às 20h15.

Jornal do Comércio

Panorama

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ARTES CÊNICAS

Notícia da edição impressa de 06/09/2016. Alterada em 05/09 às 18h25min

Movimentos sobre rodas paradas, da In.Co.Mo.De-Te, faz temporada no estacionamento do Teatro de Câmara

Peça Movimentos sobre rodas paradas é encenada em estacionamento

Peça Movimentos sobre rodas paradas é encenada em estacionamento


CASSIANA MARTINS/JC
Michele Rolim
A mais nova produção da companhia gaúcha In.Co.Mo.De-Te, Movimentos sobre rodas paradas, estreia nesta terça-feira. A peça cumpriu pré-estreia e começa, agora, temporada até domingo, sempre às 20h, no estacionamento do Teatro de Câmara Túlio Piva (Rua da República, 575), com entrada franca.
A companhia, que existe há oito anos, ficou conhecida por uma estética sofisticada acompanhada de ótimas atuações no qual a cenografia, a luz e a trilha sonora são indissociáveis.
Destaque também, claro, pelas escolhas dos textos dramáticos, como a trilogia Auster. A vida dele (2014), DentroFora (2009) e O Gordo e o Magro vão para o céu (2008) foram todos inspirados na obra do escritor norte-americano Paul Auster. Os três espetáculos constituem o projeto Da mão para a boca, título homônimo da tradução brasileira que reúne uma biografia e as únicas peças escritas por Auster, nas quais ele faz uma espécie de tributo a Samuel Beckett.
Com esta nova montagem, a companhia parte para outros desafios. Sair da caixa cênica para um espaço alternativo é um deles. O espetáculo acontece no estacionamento do Teatro de Câmara Túlio Piva, na Cidade Baixa - a casa está fechada desde 2014 para reformas.
"O texto foi pensado para ser encenado em qualquer pátio, estacionamento, garagem fechada, lugar que comporte a presença de carros de verdade", avisa o ator da peça Nelson Diniz, responsável também por mais uma novidade. Pela primeira vez, a companhia investe em uma dramaturgia própria, assinada por ele.
A peça é composta por cinco esquetes que retratam a vida cotidiana, mas inseridas em situações inusitadas e marcadas pelo humor ácido. Como a história que começa na garagem de um prédio, no qual uma mulher tenta arrancar com o carro, mas é impedida por um homem, que obstrui seu caminho de braços abertos.
Os títulos das esquetes decorrem de termos utilizados no teatro e na arte em geral: Abordagem, Bastidores, Ensaio, Personagens e Merda. "Essa montagem tem um caráter mais cru, quebra o que vínhamos fazendo até então em termos de estética", diz Diniz.
A ideia geral, já presente na trilogia Auster, é uma metáfora da vida, que evidencia que, apesar do movimento, pouco se sai do lugar, ou seja, explicita a imobilidade do ser humano perante a vida, justificando o título da peça - Movimentos sobre rodas paradas. "Existe uma situação que pode levar a alguma coisa mudança, mas não leva, fica tudo na mesma", comenta Diniz.
Elementos referentes ao trânsito e à cidade estão presentes no pátio, que conta com cones, placas de sinalização e fitas de isolamento - além, obviamente, de carros (inclusive muitas das cenas ocorrem dentro dos veículos). A ambientação e os adereços são assinados por Rocco Rodrigo.
Durante as apresentações, o público (30 espectadores por sessão que assistirão de pé ao espetáculo) e o elenco irão percorrer o espaço no estacionamento, entre a fachada do teatro e o portão, com pequenos deslocamentos.
Uma das coisas que se mantém nessa montagem e faz parte da prática do grupo é o revezamento entre seus membros na direção e, também, o de convidar uma pessoa de fora para participar do trabalho da companhia - dessa vez, é o jovem ator de Caxias do Sul Fábio Cuelli.
Se no mais recente trabalho do grupo, A vida dele, Ramiro Silveira dirigiu Carlos Fensterseifer, Nelson Diniz e Liane Venturella, aqui é Carlos Fensterseifer quem dirige Diniz, Liane, Álvaro RosaCosta (que também assina a trilha sonora, como em outras montagens da companhia) e Fábio Cuelli. A luz é de Mirco Zanini.
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