A catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul fez com que a operação da Braskem no Polo Petroquímico de Triunfo fosse interrompida por quase um mês. Essa situação, informa o CFO da empresa, Pedro Freitas, fez com que se perdesse a produção de alguns itens químicos e combustíveis que são entregues a clientes locais por dutovias. O dirigente acrescenta que devido a essa condição, no Custo Total da Venda (CTV) do balanço da companhia, fosse reconhecido um montante de quase R$ 160 milhões de ociosidade.
“São gastos fixos que a Braskem teve e que não levaram a ter uma produção de produtos vendidos”, detalha Freitas. Já quanto aos polímeros que a companhia também fabrica no complexo gaúcho (como polietileno e polipropileno), ele diz que foi possível atender aos clientes através das unidades da empresa localizadas em outros estados (São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia).
A descontinuidade das atividades em Triunfo durante as enchentes também contribuiu para agravar a redução da taxa de utilização das plantas petroquímicas da Braskem no Brasil no segundo trimestre deste ano, que foi na casa de 71% (nos três primeiros meses de 2024 tinha sido de 74%). Nas plantas que o grupo possui na Europa e Estados Unidos esse índice foi de 78% (contra 76% nos três meses anteriores). Conforme Freitas, uma taxa de ocupação saudável seria algo a partir de 85% a 90%.
Porém, a condição do clima no Rio Grande do Sul não é o único fator que tem influenciado o desempenho aquém do desejado dos complexos petroquímicos. O CEO da Braskem, Roberto Bischoff, salienta que há uma sobreoferta global de produtos e uma entrada de artigos importados no País de forma bastante agressiva. Questionado nesta quinta-feira (8), durante entrevista coletiva, se não chegou o momento da Braskem pensar em readequação de capacidade de suas fábricas, como outros setores que até fecharam unidades, Bischoff deixou essa “porta” aberta.
“O processo de otimização do nível de operação da Braskem é feito continuamente, é uma atividade rotineira que busca dentro da demanda estimada e da capacidade de venda otimizar a operação dos nossos ativos do ponto de vista energético, de produção e de atendimento de clientes”, enfatiza. Ele ressalta que, a partir do nível de ocupação abaixo do adequado, o que implica ineficiências nas atividades das plantas, a Braskem está fazendo a análise de como recuperar a eficiência.
No segundo trimestre deste ano, a companhia registrou um prejuízo financeiro de cerca de R$ 3,7 bilhões, um revés 385% superior ao verificado no mesmo período de 2023. O CFO da empresa indica que, assim como a ociosidade, a variação cambial, com a desvalorização do real, foi uma das principais explicações para o resultado.
Ainda sobre os reflexos das cheias na atividade da Braskem no Rio Grande do Sul, Freitas comenta que o terminal Santa Clara, localizado no rio Jacuí e que foi bastante danificado com o acontecimento, já voltou a operar. “Porém, a gente ainda está no Sul com algumas complexidades logísticas”, assinala o dirigente. No âmbito rodoviário, ele enfatiza que em alguns casos os caminhões precisam optar por caminhos mais longos, dilatando prazos e custos. A catástrofe climática também afetou parte da malha ferroviária gaúcha. “A situação aguda da crise foi tratada e as águas baixaram, mas o impacto sobre o Estado é muito grande”, finaliza o integrante da Braskem.