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Porto Alegre, quinta-feira, 21 de março de 2019.
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Responsabilidade Social

21/03/2019 - 18h27min. Alterada em 21/03 às 22h31min

Clubinho da Mochila mobiliza doações e melhora a autoestima de crianças

Crianças da EMEF João Gourlat após recebimento de mochilas do Clubinho da Mochila.

Crianças da EMEF João Gourlat após recebimento de mochilas do Clubinho da Mochila.


Arquivo pessoal/Tanira/JC
Lívia Rossa
Crianças não vão à escola em muitos lugares porque não têm onde guardar seus materiais. Sim, isso é real e acontece em Porto Alegre. Alguém precisava agir, e foi o que a jornalista Tanira Lebedeff fez. Tanira, que é professora de Jornalismo na ESPM-Sul, criou o projeto Clubinho da Mochila. 
A história do clubinho começou em 2016. A jornalista estava fazendo uma reportagem para um canal de televisão quando foi procurada pela professora Mahira Agni, que atuava em uma escola no bairro Restinga, zona sul da Capital. A pauta era sobre uma ação que arrecadava materiais escolares para crianças. Interessada, Tanira buscou o local para saber mais. Na entrevista, Mahira fez uma revelação: muitos estudantes não iam para a aula porque não tinham onde levar os materiais escolares.
Tocada pela declaração, a jornalista decidiu criar o Clubinho da Mochila, para arrecadar materiais usados e novos destinados a locais de vulnerabilidade social. O projeto queria ajudar a reduzir um dos problemas de evasão escolar.
A mobilização resultou em dois projetos – o dos kits com materiais escolares e o do Clubinho-, que  são independentes, mas complementam-se eventualmente, de acordo com a necessidade, explica Tanira. "É uma corrente. As pessoas entram em contato, e falamos sobre o que elas ou as crianças estão precisando. O que consigo arrecadar, repasso", diz a professora da escola, dando corda para a jornalista. 
"Elas ficam encantadas e os olhos chegam a brilhar", descreve Mahira, sobre a reação das crianças após receberem os kits com materiais escolares em locais como a ocupação Mário Quintana, na zona leste, e a vila Castelo, na Restinga, no período que antecede o início do ano letivo.
Segundo a professora, os objetos são mais do que utilitários para a sala de aula e modificam a autoestima das crianças, já que, no contexto escolar, existem aqueles que podem e os que não têm condições financeiras de adquirir os materiais. “Alguns pais estão desempregados ou ganham muito pouco. O que acontece é que as crianças chegam na escola e os colegas perguntam onde está o material. Muitos abandonam os estudos diante dessa condição”, lamenta Mahira.
A meta estimada pela professora é de conseguir 150 kits a cada início de ano. Conforme os alunos avançam nas séries, os materiais vão sendo repassados para os que estão chegando e, assim, sucessivamente. As crianças beneficiadas têm de seis a 14 anos. Moradores das comunidades, que não precisam necessariamente fazer parte da mesma instituição, também são contemplados pela iniciativa.
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Última visita de Tanira (frente) foi na Escola Municipal de Ensino Fundamental João Belchior Marques Goulart. A distribuição foi realizada pela professora Cristina gil (esq) e Daniela Cardoso (dir). Foto: Arquivo Pessoal/Tanira Lebedeff/JC
O Clubinho da Mochila persiste em “carreira solo”, mas recebe apoio de amigos e vizinhos. Tanira arrecada mochilas em campanhas nas redes sociais, que foram ativadas em fevereiro, quando começam os preparativos para mais um ano letivo. A psicóloga Andrea Fagundes é vizinha de Tanira e colabora com o projeto desde o início.
"A educação é o que pode fazer diferença na vida das pessoas e nós [Andrea e família] colaboramos para incentivar pessoas a se desenvolverem. É muito gratificante, fico emocionada com o retorno das fotos e depoimentos após as entregas", acrescenta. Só neste ano, a vizinha diz ter reunido desapegos de dez famílias que conhecia e contribuído com quantidade considerável de materiais escolares.
Até começo de 2019, o Clubinho já arrecadou 36 mochilas, que destinadas à Escola Municipal de Ensino Fundamental João Belchior Marques Goulart, localizada no bairro Sarandi, na zona norte. A escolha atendeu a um pedido de apoio feito por uma professora. 
 "São materiais básicos, mas que são muito importantes para as crianças, pois fazem com que elas tenham melhores condições de estudo. Tendo verba reduzida, a escola sozinha não teria como dar apoio aos estudantes, a não ser com as doações de professores e pessoas como a Tanira", diz.
O esquema de entregas é simples. A jornalista leva as doações até as escolas, onde deixa os materiais sob responsabilidade das professoras. A ideia, explica Tanira, é que a distribuição seja justa e respeite as necessidades de cada aluno. 
As ações sociais do Clubinho funcionam ao longo do ano. Tanira vai recebendo as mochilas e guardando em casa. A criadora do projeto diz que nunca chegou a buscar patrocínio de empresas, pois prefere usar a mobilização por meio das redes sociais. "O máximo que pedi até hoje foram sacolas grandes para conseguir colocar todas as mochilas e depois levar aos futuros donos", descontrai a jornalista.
Para conversar com a jornalista, é só entrar no Facebook: https://www.facebook.com/clubinhodamochila
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