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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

Notícia da edição impressa de 23/07/2018.
Alterada em 23/07 às 01h00min
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Eleições não devem afetar investimentos no Brasil

Zhou orienta empresas chinesas interessadas em investir no País

Zhou orienta empresas chinesas interessadas em investir no País


/THIAGO COPETTI/ESPECIAL/JC
O Centro de Estudos Brasileiros do Instituto da América Latina é um dos mais importantes polos de conhecimento e de orientação de políticas do governo chinês e fonte de consulta para empresas, com estudos setoriais. Ligado à Academia Chinesa de Ciências Sociais, produz obras públicas e também documentos confidenciais para o Partido Comunista planejar as relações com outros países. O núcleo de estudos brasileiros foi criado em 2009, após a fundação do Brics - grupo que reúne, além dos dois países, também Rússia, Índia e África do Sul - devido à importância estratégica do Brasil para a China.
Coordenado desde 2016 pelo professor Zhou Zhiwei, que já atuou como professor convidado em duas instituições de Ensino Superior no Brasil, o centro acompanha os assuntos do País com uma lupa bem próxima, apesar da distância física. Para isso, conta com quatro pesquisadores exclusivamente dedicados a monitorar o Brasil. Zhou estará no País em setembro (e também em Porto Alegre, já que a universidade onde leciona tem intercâmbio com a Ufrgs). Também em setembro o Centro de Estudos Brasileiros promove, em Pequim, um evento sobre as eleições brasileiras. Política, investimentos chineses estatais e privados e o futuro das relações sino-brasileiras foram tema da entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio.
Jornal do Comércio - Além de estudos que vão embasar políticas chinesas nas relações com o Brasil, o centro que o senhor coordena também faz pesquisas para empresas interessadas em investir no País. Quais setores mais têm buscando esses estudos?
Zhou Zhiwei - A maior demanda é pelo setor de energia e empresas de projetos hidroelétricos, como a China Gezhouba Group (que ingressou neste ano Brasil com a compra do sistema de captação e tratamento de água São Lourenço, em São Paulo). Também a demanda de indústrias de alimentação tem aumentado bastante.
JC - Quais as orientações que o Centro fornece neste trabalho de estudos para empresas?
Zhou - Principalmente ajudamos a entender a situação política e econômica com uma visão macro, o que é importante para fazer projetos e planos de longo prazo. Além disso, analisamos a situação do setor em questão, apontando os competidores, políticas setoriais que o Brasil tem para aquele segmento, assim como tentamos ajudar a entender o sistema tributário, que é muito complexo, e o sistema legal, que tem mudanças constantes no Brasil.
JC - E quais os maiores riscos que costumam apontar para quem quer investir no Brasil?
Zhou - São muitos (rindo, com certo constrangimento, pelo comentário). Há riscos políticos, de juros, de câmbio, de impostos.
JC - A violência e a insegurança brasileira também são um risco?
Zhou - Sim, com certeza. Alertamos para esse fato. E tentamos orientar para melhores localizações, para a empresa e para os funcionários. Normalmente, os funcionários são, em sua maioria, brasileiros, mas no começo se costuma ter mais chineses também na operação, especialmente executivos. E tentamos ajudar nestas questões de segurança também.
JC - Estamos em ano de eleições e o Centro tem um evento, em setembro, para apresentar os candidatos brasileiros aos chineses. Até que ponto essa eleição, a mais confusa dos últimos anos, pode afetar ou frear investimentos no Brasil?
Zhou - Ainda é muito cedo para fazer esse tipo de projeção. No momento, o Brasil está no meio de algumas reformas importantes para receber investimentos, como trabalhista, previdenciária e tributária. Na minha opinião, apesar de impopulares, são reformas importantes para o desenvolvimento sustentável do País. Não é tão importante quem vai ganhar. Os investimentos chineses no Brasil, acredito, ainda crescerão muito independentemente de quem será o próximo presidente. Isso porque não são tão antigos como se faz na Europa, Estados Unidos e Ásia, e, por isso, ainda há muito a ser feito no Brasil.
JC - Qual o seu conhecimento sobre os candidatos já anunciados?
Zhou - Ouvimos muito sobre Bolsonaro e sua popularidade, mas sei que, assim como Marina Silva, tem pouco tempo de televisão, o que pode diminuir sua competitividade. Também avaliamos que Ciro Gomes, se conseguir o apoio do PT, teria condições de vencer. Mas isso é uma análise minha, particular. Mas acho que ele tem mais chance.
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Thiago Copetti

A convite do Centro Internacional de Imprensa da China, o repórter está participando de um intercâmbio no gigante asiático. No blog Conexão China, apresentará, além de informações econômicas e políticas da segunda maior economia do mundo, também curiosidades culturais e gastronômicas, dicas de turismo e como é o cotidiano da vida em Pequim.