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Porto Alegre, quarta-feira, 08 de março de 2017. Atualizado às 22h31.

Jornal do Comércio

Panorama

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Memória

Notícia da edição impressa de 09/03/2017. Alterada em 08/03 às 19h08min

Espetáculo e livro celebram Caio Fernando Abreu

Paula Dip (na foto, maior, com Caio Fernando Abreu) lança livro no domingo após sessão da peça Caio do Céu, no Theatro São Pedro. A publicação (ao lado) contém correspondências trocadas entre o escritor gaúcho e Hilda Hilst durante três décadas (detalhe). A peça, que mistura vídeos de Caio com interpretação e música, estreou com sucesso no Porto Verão Alegre.

Paula Dip (na foto, maior, com Caio Fernando Abreu) lança livro no domingo após sessão da peça Caio do Céu, no Theatro São Pedro. A publicação (ao lado) contém correspondências trocadas entre o escritor gaúcho e Hilda Hilst durante três décadas (detalhe). A peça, que mistura vídeos de Caio com interpretação e música, estreou com sucesso no Porto Verão Alegre.


ACERVO PAULA DIP/DIVULGAÇÃO/JC
Cristiano Vieira
Já se passaram 21 anos desde a morte de Caio Fernando Abreu, em 1996. Desde então, a obra e a vida do celebrado escritor e jornalista gaúcho ganharam mais admiradores, principalmente entre os leitores ligados na internet - Caio é um dos autores mais citados em redes sociais.
Neste domingo, para não perder o embalo, tem programação dupla dedicada ao autor de Morangos mofados: às 18h, a montagem Caio do Céu, da Companhia de Solos & Bem Acompanhados, realiza sessão única no Theatro São Pedro. Logo após, no saguão, ocorre o lançamento e sessão de autógrafos do livro Numa hora assim escura - a paixão literária de Caio F. e Hilda Hilst (J.Olympio, 2016), da escritora Paula Dip, uma das grandes amigas do escritor desde a década de 1970.
Paula destaca que Caio, quando o tema é amizade, era "deliciosamente intenso - e isso incluía seu famosos altos e baixos emocionais". Ele podia ser bipolar, algumas vezes, chegando mesmo a se trancar no quarto por dias, mas quando estava feliz era de uma alegria contagiante.
"Ele adorava sair na noite, badalar, ir ao cinema, ao teatro, dançar. Tem um poema dele sobre o suicídio em que ele escolhe continuar vivo e que termina dizendo: "...ou então, visto minhas calças vermelhas e procuro uma festa onde possa dançar rock até cair". Paula destaca: "Caio foi o melhor amigo que já tive: era um confidente afetuoso, atento, sempre muito presente".
Parte deste gênio indomável do escritor gaúcho transparece nas incontáveis cartas que ele, um ávido redator de recados e mensagens, enviou para muitos amigos. Hilda Hilst foi um deles. A escritora, cronista e dramaturga paulista manteve com Caio F. uma longa amizade registrada em papel. Caio frequentou muito a Casa do Sol, lendário refúgio de Hilda em Campinas, interior de São Paulo.
O material deixa claro a intensidade da relação entre os dois. As cartas chegaram até Paula por um caminho inusitado. A correspondência estava com o poeta baiano Antonio Nahud Jr., que viveu na Casa do Sol e recebeu o material da própria Hilda na década de 1990. "Ela ameaçava destruí-las num acesso de raiva depois de uma briga com Caio. Eles fizeram as pazes e as cartas sobreviveram a ambos. Eu conto isso no início do livro", explica Paula.
Numa hora assim escura apresenta as cartas trocadas entre Caio e Hilda entre 1971 e 1990. Inéditas, algumas ainda estavam em envelopes selados, escritas à mão em papéis amarelados, devorados por cupins, ou foram datilografadas. Paula reuniu o material, inédito, e decidiu transformá-lo em uma nova publicação.
Ela lançou, em 2009, Para sempre teu Caio F, cartas, conversas, memórias de Caio Fernando Abreu (Record), volume que virou o documentário homônimo de grande sucesso dirigido por Candé Salles, premiado como melhor filme do Festival Mix Brasil em 2014.
Paula relata que os livros de Caio são facilmente adaptáveis para o cinema, pois "parecem roteiros prontos. Ao escrever meus livros, eu tenho sempre isso em mente. Sou apaixonada por cinema", avisa.
Com este novo volume, Paula gostaria de seguir no mesmo caminho: transformá-lo em filme ou peça de teatro. "Ao mesmo tempo, sei que no momento há dois filmes sendo feitos sobre a vida de Hilda. E tenho outros projetos: um na área de artes plásticas, pois faço colagens há mais de 20 anos (Caio também fazia colagens lindas) e estou escrevendo ficção. Mas não elimino jamais a possibilidade de voltar a fazer filmes."
Para Paula, a obra de Caio não envelhece e se mantém atual por tocar em questões humanas discutidas desde a antiguidade: de onde viemos, para onde vamos, porque estamos aqui, qual o sentido da vida, do amor, da morte; a alma, a existência de deus. "Caio sempre se ocupou desses temas em sua literatura, de forma poética e dramatúrgica. A obra dele tem e terá sempre um sabor de juventude, apesar de já terem se passado 21 anos de sua morte", completa.
O lançamento do livro na Capital surgiu após convite da atriz e diretora Deborah Finocchiaro. Juntamente com o músico Fernando Sessé, Deborah leva ao palco um espetáculo de linguagem híbrida - com música ao vivo, imagens projetadas e interpretação. A direção é de Luís Arthur Nunes. Caio do Céu estreou em janeiro deste ano, no Porto Verão Alegre. Os ingressos para a peça custam R$ 30,00, à venda na bilheteria. Para a sessão de autógrafos, às 19h15min, a entrada é franca.
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