Porto Alegre, sáb, 05/04/25

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 22 de Janeiro de 2025 às 18:28

"Há insegurança jurídica", diz Piratini sobre nova redação do Propag

Governo gaúcho tem discutido com o governo federal por vetos presidenciais ao programa

Governo gaúcho tem discutido com o governo federal por vetos presidenciais ao programa

Jürgen Mayrhofer/Secom/Divulgação/JC
Compartilhe:
Ana Carolina Stobbe
Ana Carolina Stobbe Repórter
Os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a trechos do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) têm gerado entraves entre o governo federal e o do Rio Grande do Sul. Após o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmar que a redação final do projeto foi mal compreendida pelo governador Eduardo Leite (PSDB), o gaúcho afirmou durante reunião do Plano Rio Grande nesta quarta-feira (22) que “a lei tem que estar muito clara para atender aos interesses do Estado”. O vice-governador, Gabriel Souza (MDB), por sua vez, disse que há "insegurança jurídica" na nova redação do Propag. As críticas de Leite e as defesas do governo federal têm apresentado contradições. O governador afirma que a necessidade de contribuição com o Fundo de Equalização Federativa (Fef), criado para recompensar os entes federativos em boa situação fiscal, afetaria a Lei Complementar 206, a qual prevê a suspensão da dívida do RS com a União até 2027. Por outro lado, o Tesouro Nacional e representantes do executivo federal, negam o impacto. 
Os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a trechos do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) têm gerado entraves entre o governo federal e o do Rio Grande do Sul. Após o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmar que a redação final do projeto foi mal compreendida pelo governador Eduardo Leite (PSDB), o gaúcho afirmou durante reunião do Plano Rio Grande nesta quarta-feira (22) que “a lei tem que estar muito clara para atender aos interesses do Estado”. O vice-governador, Gabriel Souza (MDB), por sua vez, disse que há "insegurança jurídica" na nova redação do Propag

As críticas de Leite e as defesas do governo federal têm apresentado contradições. O governador afirma que a necessidade de contribuição com o Fundo de Equalização Federativa (Fef), criado para recompensar os entes federativos em boa situação fiscal, afetaria a Lei Complementar 206, a qual prevê a suspensão da dívida do RS com a União até 2027. Por outro lado, o Tesouro Nacional e representantes do executivo federal, negam o impacto. 
“Na razão do veto, (o governo federal) diz que (o não pagamento do Rio Grande do Sul ao FEF) criaria uma assimetria entre os Estados, em que alguns não fariam a contribuição ao fundo. Então, as razões do veto reforçam a nossa (necessidade de) contribuição. Agora, estão dizendo que não é assim, que o governo do Rio Grande do Sul não será chamado a fazer a contribuição ao fundo. E eu não posso ficar contando com essa interpretação”, afirmou Leite.
Souza, por sua vez, complementa que são questões diferentes. Embora a dívida do Rio Grande do Sul siga suspensa, o FEF precisaria ser pago já em 2025. "Uma coisa é a dívida do Estado com a União, que de fato a Lei Complementar 206 resguarda o Rio Grande do Sul de não pagá-la e utilizar esses recursos para o Funrigs (Fundo do Plano Rio Grande), para a reconstrução do Estado até o início de 2027, totalizando 14 bilhões de reais durante esse período. Isso é uma coisa. Outra coisa é uma contribuição que foi criada", explica.

Na terça-feira (21), Leite e Costa conversaram por telefone. Na ocasião, o ministro havia se colocado à disposição para explicar melhor os pontos do projeto que foram vetados e afirmou que deverá visitar o Rio Grande do Sul ao longo da próxima semana. Leite, por sua vez, pediu para que as manifestações sejam realizadas formalmente. O governo gaúcho disse estar esperançoso com o diálogo junto ao chefe da Casa Civil
“Se nós não nos mobilizarmos, não insistirmos, a gente pode ver a coisa correr solta e o Estado ter bilhões de reais a menos no médio prazo para a sua reconstrução”, complementou o governador. O Piratini afirma que buscará derrubar os vetos presidenciais no Congresso Nacional ou garantir melhores condições ao Estado por meio dos decretos que deverão ser promulgados para regulamentar o Propag. Em último caso, Leite fala em judicializar a questão.

Além disso, pela terceira vez, o governador se referiu ao pronunciamento de Lula em que se referiu aos governadores que estão reclamando do Propag como “ingratos”. “Nós somos gratos, é importante dizer, porque nos acusam de ingratidão”, disse Leite. Em outra ocasião, ele havia considerado a fala presidencial como “absolutamente reprovável”.
Apesar das críticas e dos impasses com o governo federal, o Piratini avalia a sua adesão ao Propag. A decisão deverá ser tomada até o final de 2025. Caso aceite ingressar no programa, o Estado deixará o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que possui uma maior taxa de juros e um menor prazo para o pagamento dos débitos. Entretanto, o governo gaúcho considera que as atuais condições, com os vetos, tornariam o novo programa pior que o atual

Negociação de dívidas com bancos internacionais também foi criticada

Além das questões que envolvem o Fundo de Equalização Federativa (FEF) e a suspensão da dívida gaúcha, um outro ponto criticado pelo governador gaúcho foi em relação às dívidas do Estado com bancos e organismos internacionais. Os débitos teriam sido contraídos no passado e somam cerca de R$ 1,5 bilhão. De acordo com Leite, elas haviam sido renegociadas no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e não estariam inclusas no Propag. 
"O Estado ajustou (essas dívidas) no Regime de Recuperação Fiscal, que a União paga essas dívidas e incorpora esse valor no nosso saldo devedor. O Estado vai honrar esses pagamentos ao longo do contrato da dívida. Na forma como a lei foi aprovada, a nossa interpretação é que o Estado terá que voltar a pagar as dívidas com organismos internacionais", pontuou. 
A mesma reclamação tem sido realizada em relação ao Propag pelo governador mineiro Romeu Zema (Novo), que recebeu uma resposta incisiva de Rui Costa. "O governador de Minas Gerais queria que o governo federal pagasse as dívidas de Minas com outros bancos privados e bancos internacionais em vez de só renegociar os débitos com a União", disse o ministro. O Estado integra o grupo de mais endividados com a União, do qual também faz parte o Rio Grande do Sul. 
"É como se um amigo chegasse para você e dissesse o seguinte: 'Rapaz, eu estou lhe devendo um dinheiro. Dá para você me dar um desconto nessa dívida para eu poder pagar e parcelar em muitas vezes?'. E você diz: 'Olha, você é meu amigo, eu vou quebrar seu galho, vou parcelar essa dívida e vou dar o desconto'. Aí você parcela, dá o desconto e ele diz: 'Rapaz, você não é meu amigo não. Se você fosse meu amigo mesmo, pagava a dívida que eu tenho com mais cinco pessoas'. O que você tem a ver com a dívida que ele tem com mais cinco pessoas? É a mesma coisa", declarou o ministro da Casa Civil.

Comentários

0 comentários