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Publicada em 13 de Abril de 2026 às 20:25

Macrorregião da Serra: área mais rica do RS atrai população e cria oportunidades

Com o segundo maior PIB entre os municípios do Rio Grande do Sul, Caxias do Sul reúne grande população, parque industrial e serviços

Com o segundo maior PIB entre os municípios do Rio Grande do Sul, Caxias do Sul reúne grande população, parque industrial e serviços

TÂNIA MEINERZ/JC
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Guilherme Kolling
Guilherme Kolling Editor-chefe
Um dos novos indicadores trazidos nesta edição do projeto Mapa Econômico do Rio Grande do Sul é o PIB per capita nas diferentes partes do Estado. Com uma indústria forte e diversificada em municípios como Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha e Carlos Barbosa, além de alta produtividade, a Macrorregião da Serra se destaca como a área mais rica do RS, considerando este aspecto.
Um dos novos indicadores trazidos nesta edição do projeto Mapa Econômico do Rio Grande do Sul é o PIB per capita nas diferentes partes do Estado. Com uma indústria forte e diversificada em municípios como Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha e Carlos Barbosa, além de alta produtividade, a Macrorregião da Serra se destaca como a área mais rica do RS, considerando este aspecto.
O bloco formado pelas Regiões da Serra, Hortênsias, Campos de Cima da Serra, Paranhana e Encosta da Serra e Vale do Caí concentra 17,2% do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho. E, além de atividades com alto valor agregado, como a indústria metalmecânica – com milhares de empresas e presença de multinacionais –, o polo moveleiro e o setor vitivinícola, essa porção do Estado tem outro importante ativo: segue atraindo novos moradores.
Um dos grandes desafios do Rio Grande do Sul é o envelhecimento da população – projeções dão conta de que já a partir de 2027 o Estado começará a ter redução no número de habitantes. Entre 2010 e 2022, datas dos últimos Censos do IBGE, poucas regiões no Estado tiveram expressivo crescimento populacional.
Apenas três dos 28 Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento, como são chamadas as microrregiões em que o Estado é subdividido) tiveram alta de dois dígitos na população nesses 12 anos (2010-2022), sendo a Região das Hortênsias, puxada por Gramado e Canela, uma delas. A Serra, por sua vez, cresceu 9% em população. É um dado importante para a economia da região.
Com esses dois fatores – PIB per capita mais elevado do Rio Grande do Sul e população ainda em crescimento – a Macrorregião da Serra tem uma ampla gama de oportunidades de desenvolvimento, seja no setor de serviços, como o turismo, seja na indústria, atraindo importantes investimentos.
O mercado consumidor forte e cadeias produtivas consolidadas são ativos importantes, ainda mais em uma região que agrega produtividade elevada, diversificação econômica e capacidade de atrair investimentos e população, mesmo em um cenário estadual de estagnação demográfica.
Mas, para sustentar o crescimento, a Serra ainda tem desafios. Um deles é a falta de mão de obra. Na variação do dado do emprego formal entre 2025 e 2026, houve estagnação, com alta de apenas 0,01% no número de vagas ocupadas na macrorregião, embora o mercado siga aquecido e existiam milhares de postos não preenchidos, indicando descompasso entre oferta e demanda por trabalhadores.
O problema da falta de mão de obra não é exclusividade da Serra, é tema de queixas de lideranças em todas as partes do Rio Grande do Sul, assim como a infraestrutura, que permanece como gargalo ao desenvolvimento econômico, dificultando o escoamento da produção industrial bem como o fluxo turístico para as áreas que atraem grande parte dos visitantes ao solo gaúcho, notadamente Gramado/Canela e Vale dos Vinhedos.
Não por acaso, foram temas recorrentes citados entre as mais de 100 lideranças que participaram do primeiro painel de 2026 do projeto Mapa Econômico do Rio Grande do Sul, realizado no dia 31 de março na Associação Comercial, Cultural e Industrial de Veranópolis.
Um exemplo dessas adversidades logísticas, intensificadas após a enchente de 2024, foi o trajeto que a equipe do Jornal do Comércio fez de Porto Alegre a Veranópolis. Em vez de duas horas de carro, o percurso levou mais tempo em função das obras na rodovia BR-470, no trecho entre Bento Gonçalves e Veranópolis – muitos motoristas optam, inclusive, por um desvio por Cotiporã.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) faz um trabalho importante de recuperação em 25 quilômetros dessa estrada, afetada pela cheia. Mas até a empreitada ser concluída, o trânsito seguirá no sistema de "pare e siga", afetando a mobilidade da região.
A cada ano, na Serra Gaúcha, repete-se o consenso da importância de duplicação de rodovias, especialmente entre Porto Alegre e Caxias do Sul, além da construção do novo aeroporto de Vila Oliva, projeto que deve começar a sair do papel neste ano. Foi assim nos encontros com lideranças regionais em 2023 (Caxias do Sul), 2024 (Bento Gonçalves), 2025 (Garibaldi) e 2026 (Veranópolis).
Esta é a quarta temporada do projeto Mapa Econômico do RS, que busca mapear, com profundidade e dados, potencialidades e desafios ao desenvolvimento das diferentes regiões. O trabalho seguirá combinando apuração jornalística, entrevistas, análise de informações do poder público e de entidades privadas com reuniões em municípios de diferentes partes do Estado.
O resultado é um panorama das diferentes cadeias produtivas, mostrando janelas de oportunidades para estimular o desenvolvimento e caminhos para superar desafios. Mais do que isso, a iniciativa busca, com jornalismo de dados, cruzar informações e criar novos indicadores sobre o presente da economia gaúcha, permitindo mais precisão no planejamento do futuro do Estado.
Seguiremos, até o fim deste ano, percorrendo o Rio Grande do Sul em novos encontros com lideranças regionais, produzindo conteúdos especiais sobre cada macrorregião. Além do capítulo da Serra, ainda publicaremos outros quatro especiais após os novos encontros, que estão previstos para 15 de abril em Cachoeira do Sul (Macrorregião Central), 12 de maio em Santana do Livramento (Macrorregião Sul/Fronteira Oeste), 28 de maio em Ijuí (Macrorregião Norte) e 18 de junho em Porto Alegre (Macrorregião Metropolitana).

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