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Publicada em 31 de Março de 2026 às 20:17

Infraestrutura e mão de obra são desafios ao desenvolvimento da região da Serra

Os painelistas citaram a reforma tributária como um fator de atenção neste ano, envolvendo o trabalho de contadores e empreendedores para entender as novas regras

Os painelistas citaram a reforma tributária como um fator de atenção neste ano, envolvendo o trabalho de contadores e empreendedores para entender as novas regras

Dani Barcellos/Especial/JC
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Luciane Medeiros
Luciane Medeiros Editora Assistente
De Veranópolis

A cidade de Veranópolis recebeu nesta terça-feira (31) o primeiro evento da quarta temporada do Mapa Econômico do Rio Grande do Sul, projeto realizado pelo Jornal do Comércio. O evento ocorreu na Associação Comercial, Cultural e Industrial de Veranópolis (ACIV) e reuniu lideranças empresariais e políticas. 
De Veranópolis
A cidade de Veranópolis recebeu nesta terça-feira (31) o primeiro evento da quarta temporada do Mapa Econômico do Rio Grande do Sul, projeto realizado pelo Jornal do Comércio. O evento ocorreu na Associação Comercial, Cultural e Industrial de Veranópolis (ACIV) e reuniu lideranças empresariais e políticas. 
O evento teve como painelistas o presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul, Ubiratã Rezler, o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do RS, Vitor Agostini, e o sócio e cofundador do Grupo Bom Futuro e fundador da Vinuta, José Maria Bortoli. Os problemas de infraestrutura, a falta de mão de obra e juros altos foram alguns dos desafios apontados para o desenvolvimento da região, enquanto o turismo foi elencado como uma oportunidade para crescimento das cidades.
Na abertura do Mapa Econômico, o diretor-presidente do Jornal do Comércio, Giovanni Jarros Tumelero, lembrou que o Estado é mais do que apenas Porto Alegre, e que grande parte da força produtiva está no interior e na Serra. "No Mapa Econômico, as lideranças regionais discutem o desenvolvimento", pontuou.
Em mensagem gravada em vídeo, o governador Eduardo Leite citou investimentos realizados no Rio Grande do Sul nos últimos anos, dados apresentados em outro projeto do JC, o Anuário de Investimentos.
O prefeito de Veranópolis Cristiano Dal Pai ressaltou a relevância da região serrana para a economia gaúcha. "O PIB da região está aqui representado hoje, e isso é muito importante para o desenvolvimento porque uma cidade sozinha não cresce. Hoje em Veranópolis e região temos dificuldade de acesso para transportar insumos, produção e fazer o turismo. Isso não impede de pensar o que pode ser feito de bom passando por cima dos obstáculos", afirmou. Dal Pai salientou a importância de investimentos por parte dos municípios nos setores de cultura e turismo, o que aumentará o consumo nas cidades. 
O editor-chefe do JC Guilherme Kolling explicou como é feita a divisão dos municípios por regiões no mapeamento de indicadores realizados pelo JC e apresentou dados referentes ao projeto. "As oportunidades identificadas em 2024 já estão saindo do papel, várias delas" 
Primeiro painelista a falar, Rezler disse que Caxias do Sul é vista como uma cidade autossuficiente, mas uma cidade sozinha não faz nada, o que torna muito importante o debate sobre o envolvimento de todos os municípios. Caxias tem o segundo PIB do Estado e tem sua economia baseada na indústria, que tem a maior força dentro da cidade e puxa as demandas de outros municípios. "Na Serra em um raio de 120 km temos tudo o que precisamos, mas temos pouco. Temos inovação, temos lideranças, empreendedorismo, indústrias dos mais variados setores, mas falta infraestrutura", disse.
Outro desafio citado por Rezler está relacionado à mão de obra e à atração de pessoas, e o assistencialismo é um grande concorrente para preencher as lacunas no mercado de trabalho em todos os setores. O dirigente considera positivas iniciativas realizadas por municípios voltadas à população jovem para desmistificar o que é a indústria, fazendo com que esse público se interesse por trabalhar no segmento, e o mesmo deve ser feito por outros setores como comércio e serviços. 
Agostini, da Movers, comparou o Rio Grande do Sul a uma bota e disse que a "Serra é uma sola". Tudo o que precisa trazer de matéria prima, temos um grande desafio. Na infraestrutura, apontou a malha ferroviária como alternativa para o transporte de alimentos e outras produções.
Os sites de apostas esportivas foram lembrados por Agostini como outro problema pelo aumento no endividamento da população. A inadimplência afeta as vendas do setor de móveis, bem como o crédito alto.
Bortoli, do Grupo Bom Futuro, ressaltou que a infraestrutura é um problema para o País, desde quando o modal ferroviário perdeu espaço para o transporte rodoviário. 
Os painelistas citaram a reforma tributária como um fator de atenção neste ano, envolvendo o trabalho de contadores e empreendedores para entender as novas regras.
As eleições deste ano também foram lembradas. "É preciso cobrar dos representantes na Câmara dos Deputados e no Senado apoio para a região", disse Agostini. "É preciso pensar bem em quem vai votar", afirmou Bortoli.
Na segunda etapa do painel, foram abordadas as oportunidades para a região. Rezler defendeu que é preciso mexer na matriz produtiva, uma vez que Caxias é vista como muito forte na indústria de transformação. "É preciso tentar fazer com que a matriz produtiva possa ser mais plural, ter outras oportunidades para que o PIB possa subir, que haja um ecossistema transformador", disse. 
Kolling, mediador do painel, questionou Rezler sobre a inovação como oportunidade, Ubiratan disse que as indústrias trabalham com esse propósito com ações internas, mas o ecossistema de inovação ainda é pequeno.
Agostini criticou a carga tributária e os juros elevados, que dificultam a competitividade do setor. "Jogamos todo o imposto que pagamos na mão do governo e isso é muito mal investido", afirmou. "Somos muito resilientes, estou no ramo porque não tenho plano B. Estou lutando, estamos passando por momentos de repensar se é isso o que queremos para o País ou para mim. Cada vez que paramos para fazer o planejamento nos deparamos com os mesmos problemas, as mesmas dores e os mesmos desafios. Peço sabedoria para fazer as melhores escolhas", complementou.
O presidente da Movers ressaltou que o setor precisa investir em máquinas e ter sistemas de processos que otimizem as operações das indústrias, para que possa produzir melhor e com mais qualidade e chegar no mercado mais competitivo. A realização da Fimma Brasil em Bento Gonçalvez é uma oportunidade para o desenvolvimento do setor moveleiro mas também para muitas pessoas que querem compreender. 
Bortoli avaliou que ainda há muito futuro para o turismo na região, na gastronomia e no ramo de hotéis. Ao elencar alguns investimentos que está fazendo na área, apontou a cidade de São Francisco como "a bola da vez".  Ele criticou a demora para a conclusão das obras de recuperação das rodovias da região afetadas durante as fortes chuvas e enchentes de maio de 2024.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi outro ponto abordado. Agostini elogiou o tratado, que na sua opinião vai facilitar a compra de equipamentos e abrirá as portas do Rio Grande do Sul e do Brasil para a Europa. "É difícil entrar no mercado europeu, mas há muita oportunidade para o setor moveleiro", afirmou. Por outro lado, Rezler apontou que os setores de hortifrutigranjeiros e de vinhos terão dificuldades com o acordo entre os dois blocos econômicos. 
Rezler destacou a pujança da região da Serra. "Somos responsáveis por várias famílias que trabalham conosco, e o senso de responsabilidade faz com que a gente não saia do empreendedorismo."
Agostini lembrou que hoje temos um desafio que é cuidar e manter os talentos. "Não sei o que é preguiça, só sei o que é levantar cedo, trabalhar e me dedicar e ter sabedoria para seguir acreditando nesse País. É um mar de oportunidades, precisamos só colocar as pessoas certas no lugar certo."
Bortoli pontuou que é preciso atenção às pessoas. "Não adianta ser chefe, é preciso ser líder."

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