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Publicada em 10 de Junho de 2026 às 20:00

Economia do Norte do RS avança ao agregar industrialização ao agronegócio

Usina da Camera, em Ijuí, na Região Noroeste Colonial do RS, recebeu investimentos para ampliar produção de combustível a partir de soja e canola

Usina da Camera, em Ijuí, na Região Noroeste Colonial do RS, recebeu investimentos para ampliar produção de combustível a partir de soja e canola

TÂNIA MEINERZ/JC
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Guilherme Kolling
Guilherme Kolling Editor-chefe
Um dado que chama a atenção até mesmo entre lideranças regionais da Macrorregião Norte do Estado é que essa parte do Rio Grande do Sul consolidou-se na segunda colocação no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, atrás apenas da Macrorregião Metropolitana.
Um dado que chama a atenção até mesmo entre lideranças regionais da Macrorregião Norte do Estado é que essa parte do Rio Grande do Sul consolidou-se na segunda colocação no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho, atrás apenas da Macrorregião Metropolitana.
É o que aponta levantamento realizado a partir dos PIBs municipais. Esse recorte, que permite analisar a riqueza das regiões, mostra que os 11 Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento) que formam a área setentrional do RS, juntos, representam a segunda força da economia do Estado. Isso aconteceu nos anos de 2020, 2021, 2022 e 2023 – dado municipal mais recente, divulgado pelo IBGE no ano passado.
Ou seja, na década de 2020, a Macrorregião Norte do RS ganhou relevância no cenário econômico gaúcho e teve, em todos os exercícios, PIB superior ao da Macrorregião da Serra. Há oscilações, e o Norte do Estado se favorece quando o PIB gaúcho como um todo cresce mais, o que acontece em anos em que o clima ajuda e a safra impulsiona a economia do Rio Grande do Sul.
De qualquer forma, para a equipe do Jornal do Comércio, que desde 2023 trabalha no mapeamento da economia do Estado, essa informação da força do Norte gaúcho não chega a surpreender.
Ao longo desses quatro anos em que visitamos diferentes cidades, nos impressionou o dinamismo dos municípios do Norte gaúcho, com obras de novos empreendimentos, distritos industriais, cooperativas fortes, comércio pujante, além de uma paisagem em que as plantações chegam até a beira das estradas.
Indústrias como a Balmer, em Ijuí, fortalecem a economia do Norte do RS | TÂNIA MEINERZ/JC
Indústrias como a Balmer, em Ijuí, fortalecem a economia do Norte do RS TÂNIA MEINERZ/JC
O eixo principal que impulsiona a economia do Norte gaúcho é a agregação de valor ao agronegócio, com a industrialização de diversos produtos. O Mapa Econômico do RS identifica dezenas de oportunidades de desenvolvimento a cada ano. A principal novidade que está saindo do papel na parte Norte do Estado é a industrialização de grãos para a produção de biocombustíveis.
São diversas culturas usadas na fabricação de biodiesel e etanol em vários municípios gaúchos, em projetos de grandes e médias empresas, além de cooperativas. Exemplos são a produção de biodiesel de soja e canola em Ijuí pela 3tentos e pela Camera; o projeto de etanol de trigo e outras culturas de inverno, da Be8 em Passo Fundo; e, em Cruz Alta, o projeto da Soli3, liderada por cooperativas da região: Cotrijal (Não-Me-Toque), Cotripal (Panambi) e Cotrisal (Sarandi).
O avanço da construção civil também é um reflexo da força regional em vários municípios. A maior cidade do Norte gaúcho, com mais de 200 mil habitantes, é Passo Fundo, onde há mais de 100 edifícios em construção atualmente.
Tem ainda o setor de serviços, especialmente na saúde, já que, de novo, Passo Fundo é o terceiro polo de saúde na Região Sul do Brasil, atrás apenas de Porto Alegre e Curitiba (PR). Mas há também centros de saúde importantes e de referência em outros municípios, caso do Hospital de Clínicas Ijuí.
Entre os desafios, o Norte padece do mesmo problema que afeta o Estado como um todo, os gargalos na infraestrutura. Além disso, também sofre com o envelhecimento e – em dezenas de municípios – com a redução da população.
Nesse aspecto, chama a atenção que o Estado já possui mais de 53 mil trabalhadores estrangeiros no mercado formal, movimento que ajuda a reduzir os impactos da escassez de mão de obra. Quatro municípios da Macrorregião Norte aparecem entre os seis no Estado que mais empregam imigrantes: Erechim, Passo Fundo, Marau e Tapejara.
Outro problema é o impacto dos eventos climáticos extremos no agronegócio. Nos últimos seis anos, o RS passou por quatro estiagens e uma grande enchente. Como foi dito, isso se reflete no resultado do PIB do Estado, que em 2025 somou R$ 753 bilhões, o equivalente a 5,9% do PIB nacional. Em 2019, a participação gaúcha no PIB do Brasil era de 6,5%.
Criado em 2023, quando o Jornal do Comércio completou 90 anos, o projeto Mapa Econômico do Rio Grande do Sul reúne dados econômicos, sociais e demográficos dos 497 municípios gaúchos, apontando os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento do Estado. São indicadores que ajudam a analisar como está o desenvolvimento atual dessas regiões, bem como apontar tendências.
Esta é a quarta temporada do projeto Mapa Econômico do RS que traz, com profundidade e dados, potencialidades das diferentes regiões do Estado. O trabalho combina apuração jornalística, entrevistas, análise de informações do poder público e de entidades privadas com reuniões em municípios de diferentes partes do RS.
O resultado é um panorama das diferentes cadeias produtivas, mostrando janelas de oportunidades para estimular o desenvolvimento e caminhos para superar desafios. Percorremos o Rio Grande do Sul em encontros com lideranças regionais, produzindo conteúdos especiais sobre cada macrorregião.
Este é o quarto capítulo de 2026 e trata do Norte do RS (os anteriores foram sobre Serra, Centro e Sul).
Ainda publicaremos mais um especial após o evento previsto para a próxima semana, no dia 18 de junho, em Porto Alegre (Macrorregião Metropolitana).

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