O Tú Bar, espaço que traz, desde 2023, inspirações uruguaias para o bairro Santa Cecília, criou uma alternativa para driblar as adversidades trazidas pelo inverno. Com a queda no movimento noturno em razão das baixas temperaturas, o espaço aposta no cardápio de almoço quinzenalmente.
Sophia Corá, empreendedora à frente do bar, conta que a estratégia segue a mesma premissa já adotada pelo bar em outros momentos, apostando em eventos que atraiam a clientela. Neste ano, em virtude da Copa do Mundo, que iniciou em junho e encerra no dia 19 de julho, o movimento foi ainda mais impactado no inverno. "Como um bar que não estava transmitindo os jogos, começamos a bolar o que a gente podia fazer para compensar os dias. Não queria colocar telão. Então, decidimos em sempre compensar com um evento uns dias antes ou abrindo em um dia diferente, como um domingo ou uma segunda", conta Sophia.
A ideia de retomar os almoços foi inspirada em um outro momento desafiador vivido pelo negócio. Durante as enchentes de 2024, por questões de segurança, o Tú Bar focou na operação diurna, com almoço e café. "Na época das enchentes, os almoços foram muito populares. Naquele período de retorno, não abríamos à noite, porque a cidade não estava muito segura. Fizemos o Tú Cantina e muita gente, principalmente do bairro, curtiu. Fizemos a primeira edição no sábado de Dia dos Namorados. Fizemos um brunch e não vieram só namorados, veio de tudo e deu supercerto. Faturamos mais do que num sábado comum. Então, pensamos em investir nesse formato no inverno."
Comparando o movimento noturno com o diurno, Sophia destaca os bons resultados da estratégia adotada para a estação mais fria. "Na quarta-feira que teve jogo do Brasil, abri para almoço e vendi 20 almoços. Não tenho 20 pessoas vindo em uma quarta-feira à noite", pondera.
Neste sábado (11), o bar opera das 11h30min às 15h. O cardápio será chivito com Fernet Cola, mantendo a inspiração uruguaia. O espaço, que é decorado com cores claras, como amarelo e azul, e conta com um amplo balcão, favorece a operação no turno inverno. "O bar tem uma arquitetura muito bonita de dia, tem sol. Ele foi criado de uma forma que pode ser usado de dia", diz a empreendedora.
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Inverno atípico
Mesmo que os empreendedores da vida noturna da Capital já estejam acostumados com uma queda de movimento durante o inverno, Sophia destaca que, em 2026, a estação tem se mostrado especialmente desafiadora. "O inverno está sendo cruel esse ano. Tenho trocado ideia com amigos donos de outros estabelecimentos e todos estão muito mal, são raras as exceções que dizem que o inverno está sendo bom. Pessoas que têm empresas há anos falando que nunca tiveram um inverno tão cruel", conta a empreendedora.
No entanto, para ela, as dificuldades dos últimos meses não estão ancoradas somente nas baixas temperaturas. "São várias coisas: a Copa; o frio, que começou em maio; em função das eleições, a galera, inconscientemente, começa a segurar o dinheiro. É um momento. Os restaurantes no mundo inteiro estão se queixando de várias situações. Acompanho muito restaurantes dos Estados Unidos e da Europa, principalmente, e o pessoal reclamando das mesmas coisas que nós. Imposto muito alto, fornecedor cada vez mais caro, as margens estão cada vez mais baixas, não para de fechar e de abrir restaurante, a competição pela novidade é o tempo inteiro e é muito cansativa", ressalta a empreendedora, que destaca a preocupação com as previsões de um El Niño severo nos próximos meses como um mais um desafio para os negócios gaúchos. "Tem as ameaças do El Niño, logo em seguida das eleições, que as pessoas não deixam de sair, mas seguram um pouco mais o dinheiro porque não sabem o que vai acontecer com a economia. Então tudo se junta", afirma.
Estratégias para consolidar um negócio
Sophia acredita que Porto Alegre tem uma adesão muito boa para novos negócios, o que se torna um desafio quando as operações deixam de ser novidades. De portas abertas desde 2023, a empreendedora acredita que, agora, conseguiu consolidar o modelo de negócio, que hoje opera somente com ela na cozinha e com uma bartender. "Entendemos o movimento, o faturamento médio, mas não esperava um inverno tão duro. Mas acho que estamos conseguindo nos consagrar, o pessoal já nos conhece. Chegamos num ponto de estabilidade, não vai crescer mais, o faturamento tem um teto e está tudo certo, ele só não pode baixar", adverte.
Para manter a clientela ativa, Sophia conta que sempre está inovando. "Abrir para o almoço, fazer um evento especial, colocar música, mas é bem cansativo sempre estar tendo que contar com uma novidade", pondera a empreendedora, que acredita que a forma de operar mudou muito. "Vamos inventando para conseguir se manter. Infelizmente, a gente não consegue só existir como um bar como antigamente, que o dono bar só abria a porta e esperava os clientes entrarem. Infelizmente ou felizmente, porque a gente se mantém ativo e criativo, o que é legal também. A gente tem que estar sempre criando alguma coisa para as pessoas voltarem a ser curiosas para vir."

