Negócios

Iniciativa que impulsiona a cena de cafés especiais reúne 38 estabelecimentos na Capital

Na última edição, a Rota das Cafeterias movimentou aproximadamente R$ 300 mil nas cafeterias de Porto Alegre, levendo um público de 1,5 mil pessoas aos estabelecimentos participantes
Há pouco mais de uma semana, aconteceu a quarta edição do Caféstival, um dos maiores eventos de cafés especiais no Sul do Brasil. Ao longo de três dias, o evento reuniu cerca de 20 mil pessoas e um total de 40 marcas expositoras no BarraShoppingSul.
Há pouco mais de uma semana, aconteceu a quarta edição do Caféstival, um dos maiores eventos de cafés especiais no Sul do Brasil. Ao longo de três dias, o evento reuniu cerca de 20 mil pessoas e um total de 40 marcas expositoras no BarraShoppingSul.
O período pós-festival é marcado pela Rota das Cafeterias, que, em 2026, chega a um recorde ao reunir 39 negócios. Só no último ano, em quatro meses de ação, foram movimentados R$ 300 mil nos cafés locais, com um público aproximado de 1,5 mil pessoas.

A proposta da iniciativa é explorar locais dedicados exclusivamente aos cafés de especialidade. Este ano, há negócios que participam da ação pela primeira vez, entre eles o La Cookiearacha, especializado em cookies e brownies, e o La Stella, cafeteria e microtorrefação.
A história do La Stella Cafés Especiais e Criações Artesanais já tem alguns anos. O sonho do negócio iniciou há pelo menos 10 anos, quando, em 2015, Maristella Tamborindeguy França, o marido e seus três filhos passaram um ano na Espanha. “Trabalhei 30 anos na área da saúde, como fonoaudióloga. Quando fiz meu doutorado, fomos morar na Espanha e lá aprendemos a ter o hábito dos cafés”, conta Maristela, uma das sócias do La Stella.

Além dela, suas filhas, Antônia e Laura Tamborindeguy França também comandam o negócio. Laura, a filha mais velha, é psicóloga e hoje atua na parte administrativa do café. Já Antônia, estudante de nutrição, faz parte da operação ao lado da mãe, além de toda a produção.

“Na Espanha, percebemos que o pessoal tinha essa cultura dos encontros em cafés. Na cidade onde estávamos, era uma galera mais velha que realizava esses momentos de troca e gostávamos muito de presenciar”, lembra Antônia.

Após um ano no país estrangeiro, a família retornou para o Brasil, mas a semente do negócio próprio já havia sido plantada. “Voltamos para a cidade outras vezes para matar a saudade e encontrar nossos amigos de lá nos cafés”, comenta Maristela, afirmando que sempre teve o desejo de investir no segmento.

Em 2019, a família passou a estudar sobre cafés especiais e entender de que forma poderiam dar o primeiro passo do negócio. “Nós fomos muito inspiradas por marcas como a Willians and Sons, entre outras torrefações de Porto Alegre”, destaca Maristela, que teve que adiar o sonho com a chegada da pandemia de Covid-19.
“Sempre gostamos de cozinhar em casa e tínhamos o costume de consumir produtos artesanais. Na pandemia, isso aumentou muito, tudo que podíamos produzir em casa e não comprar a gente fazia”, explica Antônia, assumindo que o primeiro produto da marca La Stella surgiu de forma não proposital e quase como uma consequência da época. 
O negócio surgiu com a produção de granolas e, em 2020, antes das granolas salgadas se popularizarem nos supermercados, a família passou a vender o produto por WhatsApp e Instagram. “Foi um sucesso, e a gente sempre priorizou por insumos de qualidade”, destaca Maristela, afirmando que o momento deu às sócias uma bagagem de empreendedorismo familiar.
Com as vendas online crescendo, as empreendedoras passaram a ter alguns desafios relacionados ao volume de produção e foi necessário pisar no freio, antes de dar um passo maior e não planejado. Após dois anos de marca, em 2024, Maristela decidiu se afastar de forma definitiva da área da saúde e se dedicar totalmente à marca da família. 
“Nesse mesmo ano, compramos o torrefador e começamos a torrar café. A partir daí, passamos a comercializar além das granolas, os cafés especiais”, conta Maristela. Segundo Antônia, desde o início do negócio, a marca tinha um propósito bem estabelecido. “Decidimos trabalhar só com produtos que realmente fizessem sentido para a gente e com pequenos produtores de cafés especiais. Inclusive, um dos nossos produtores atuais está com a gente desde o início, o Ivan Santana”, comenta a empreendedora, sobre o produtor premiado da cidade de Cabo Verde, no sul de Minas Gerais. 

A virada de chave

Em 2025, mesmo ainda sem ponto físico, o La Stella participou pela primeira vez do Caféstival. “Foi a primeira participação e vendemos todo o café que levamos. Este ano fomos mais preparados e sentimos que, a cada edição, o nosso trabalho é mais validado”, observa Maristela. “Foi muito importante para nós, porque tivemos esse reconhecimento e percebemos que estávamos no caminho certo”, complementa Antônia.

Meses após a participação do evento, em novembro, a família alugou o ponto onde o café opera hoje, no bairro Auxiliadora. Além da cafeteria, o espaço abriga a microtorrefação do La Stella, que funciona no segundo andar do espaço. O cardápio conta com opções de doces e salgadas, todas produzidos de forma artesanal por Antônia e Maristela. 
Na parte dos salgados, pães de queijo, muffin de espinafre e o carro-chefe, a Torta de Redinha, estão entre as opções que variam entre R$ 10,00 e R$ 22,00. "A torrada leva esse nome, porque, quando a Antônia era pequena, ela pedia a 'torrada de redinha', que é quando o queijo espicha muito e forma uma redinha", explica Maristela, comentando que todas as opções do cardápio contam um pouco das histórias da família
Na parte dos doces está o brigadeiro de parmesão, receita da mãe de Maristela que leva chocolate branco e queijo parmesão é o destaque. Já os cafés do local contam com diferentes técnicas de preparo. As opções como espresso, ristretto e o lungo partem de R$ 10,00. 
"É a primeira vez que participamos da Rota das Cafeterias e estamos muito animadas com o público, que já estamos recebendo. Um dos nossos pontos fortes aqui, além dos cafés, é a hospitalidade e esperamos que o público se sinta em casa", conclui Maristela.  

Com investimento inicial de R$ 40,00, negócio produz mais de 400 cookies por dia

"O café é especial, porque o nosso cookie é especial também", resume Paulo Patta, empreendedor à frente do La Cookiearacha — Cookies & Brownies (@cookiearacha), que, pela primeira vez, está entre os estabelecimentos participantes da Rota das Cafeterias. O negócio, fundado ainda na pandemia de Covid-19, ocupa um ponto físico na rua Barão do Amazonas, no bairro Jardim Botânico, há quase quatro anos. Inicialmente, o local comercializava somente os cookies e brownies, porém, a partir de uma demanda dos clientes, o cardápio passou a ser mais explorado, com destaque para os cafés especiais.
"Não tinha café aqui, eram só os cookies e as pessoas pediam café. Em um primeiro momento, servíamos os cafés tradicionais, mas a galera que frequentava achava horrível", conta Paulo. Pouco tempo depois, a negativa dos clientes virou motivo para o empreendedor realizar um curso de barista na Baden Torrefação.  
"Foi incrível, sensacional o curso. Tive muito apoio e suporte da parte deles depois do curso também. Por enquanto, trabalhamos só com café passado, mas queremos colocar uma máquina de espresso", conta. 
Atualmente, o La Cookiearacha conta com cerca de 20 sabores de cookies, além das opções de brownies. Entre os preparos estão os de sucrilhos, oreo, kinder, brigadeiro e doce de leite, com destaque para o de red-velvet e o de nutella, que são carros-chefes da operação. Os cookies custam a partir de R$ 15,00. 
Segundo Paulo, a receita base dos cookies mudou e melhorou com o passar dos anos. Atualmente, o empreendedor dá preferência a produtos mais selecionados. "Hoje, usamos a baunilha em fava, manteiga, o que a maioria das receitas de cookies substitui por um tipo de gordura inferior, chocolate nobre e cacau belga. Optei por produtos mais caros para melhorar a receita final", explica o empreendedor. De acordo com ele, o interesse pelo curso de barista, segue nessa mesma linha de entregar qualidade e informar o consumidor. 
"Preciso explicar para as pessoas sobre o meu produto e por que ele é mais caro do que um cookie de supermercado. Da mesma forma, acontece com o café especial, que custa mais caro por ser um produto de maior qualidade, com origem.
Na parte de cafés quentes, o local oferece o tradicional passado, o V60, affogato e cappuccino. Entre os gelados, estão o iced mocha, iced caramel, orange coffee e iced latte. Os cafés variam entre R$ 8,00 e R$ 24,00.  

De 20 a 400 cookies por dia

A primeira cozinha do negócio de Paulo e Rafaela Florence, namorada e sócia do empreendedor, começou no apartamento do casal. "Em 2019, começamos a fazer alguns testes com cookies e docinhos e vendíamos no Gasômetro, mas sem experiência nenhuma em gastronomia", conta o proprietário da La Cookiearacha. 
Doutor em biologia molecular, Paulo abandonou o pós-doutorado e decidiu apostar no negócio de cookies. Mesmo sem terem experiência no segmento gastronômico, os empreendedores arriscaram. Na época, Rafaela atuava como técnica de enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid, no hospital matriz do Grupo Hospitalar Conceição e estudava enfermagem, e os cookies também foram uma forma de escapar do período difícil. 
"A receita original da massa é da Rafaela, ela que começou a coisa. Teve um momento que falei 'deixa eu fazer um teste com outros ingredientes e outro processo'", conta Paulo, comentando que no mesmo tempo em que a bolsa de estudos acabou, o casal começou a vender os preparos em aplicativos de delivery
"Trouxe um pouco da experiência de laboratório, de insistir, mudar a receita até dar certo. Brinco que nosso investimento inicial foi de R$ 40,00. Compramos uma manteiga no mercado, uma farinha, tínhamos algumas coisas em casa", relata o empreendedor, detalhando que os demais ingredientes foram comprados a partir das vendas dos primeiros cookies. 
O negócio que começou com vendas só para amigos, familiares e conhecidos, passou a atender um público maior. Com isso, o casal foi se equipando melhor e buscando novas receitas. Para acompanhar o crescimento da demanda, eles decidiram dar um passo maior. "No final de 2021, pensamos em fazer uma aposta, alugar uma loja. Em 2022 viemos para cá, todo mundo botou a mão", lembra Paulo. A mudança para o ponto físico exigiu adaptações e em novembro daquele ano, a loja ficou pronta e os atendimentos começaram de forma simples.
"Começamos quase como crianças vendendo limonada. Botamos uma mesa em frente à loja, com uma pequena estufa, e ficávamos atendendo as pessoas desse jeito", conta o empreendedor.
Desde então, a criatividade passou a ser uma das marcas da operação. Paulo explica que gosta de desenvolver novas receitas e testar combinações, muitas vezes inspiradas por sugestões dos próprios clientes. "Faço docinhos, tenho ideias e posso testar as receitas, e isso é muito divertido. O pessoal dá sugestões, os clientes, e eu vou explorando", diz.
A base de toda a produção continua sendo a mesma criada nos primeiros anos do negócio. "O primeiro produto foi a massa do cookie de baunilha, que vira todos os outros cookies. Todos partem da mesma base", explica.
O crescimento da produção acompanhou a popularidade da marca. Se no início eram preparados apenas 24 cookies por dia em uma pequena batedeira doméstica, hoje o cenário é outro. "Compramos aquela batedeira com o dinheiro das primeiras vendas. Depois começamos a precisar fazer mais de uma massa por dia, às vezes até três. Tivemos que comprar uma maior", lembra.
Atualmente, a produção chega a cerca de 400 cookies por dia e conta com equipamentos industriais e um sistema de organização que permite congelar e armazenar parte da produção sem comprometer a qualidade. "Faz parte do processo o congelamento, porque isso ajuda na organização e na padronização", explica o empreendedor.
O próximo passo já está sendo pensado, mas sem pressa. Segundo o empreendedor, a ideia é estruturar o negócio para, futuramente, trabalhar com franquias ou fornecer produtos para outros estabelecimentos. "Já pensamos em um modelo de franquia ou em vender os produtos para outros lugares, mas cheguei recentemente nessa receita que considero ideal. Então vamos devagar", afirma.

Negócios participantes da Rota de Cafeterias 2026

Em 2026 a Rota das Cafeterias chega a um recorde ao reunir mais de 30 negócios. Confira abaixo os cafés participantes desta edição: 
1. Abuela: rua Câncio Gomes, nº 664 – Floresta. 
2. Angélica: rua General João Telles, nº 301 – Bom Fim.
3. Agridoce: rua Sarmento Leite, nº 1024 – Cidade Baixa.
4. Baden: avenida Jerônimo de Ornelas, nº 431 – Santana; rua Azevedo Sodré, nº 74 – Passo d'Areia e Mercado Público (2º piso).
5. Brio: rua 24 de Outubro, nº 1728 – Auxiliadora.
6. Café do Mercado: Mercado Público, lojas nº71, nº73 e Banca F - Centro Histórico; térreo do Shopping Praia de Belas e avenida Cairú, nº163 - Navegantes. 
7. Charlie: rua Tenente-Coronel Fabrício Pillar, nº 822 – Mont'Serrat e rua Barão de Santo Ângelo, nº 212 – Moinhos de Vento.
8. Contraponto: rua Tenente-Coronel Fabrício Pillar, nº 1033 – Mont'Serrat.
9. Devora: rua Vicente da Fontoura, nº 1417 – Santana.
10. Farrô: avenida Venâncio Aires, 1031 – Farroupilha.
11. Gatinhos: rua Domingos José de Almeida, nº 87 - Rio Branco.  
12. Ginkgo: rua Cel. Bordini, nº 332 - Auxiliadora.
13. Hani: avenida Independência, nº 1211 - Independência.
14. Horneria: avenida Nova York, nº 231 - Auxiliadora.
15. Johnny e Julie: rua 24 de Outubro, nº 1681, loja 3 – Auxiliadora.
16. La Cookiearacha: rua Barão do Amazonas, nº 801 – Jardim Botânico. 
17. La Stella: rua Anita Garibaldi, nº 694 - Auxiliadora.
18. Le Monde: rua Joaquim Silveira, nº 256 - loja 6 - São Sebastião.
19. Macun: rua Octávio Corrêa, nº 67 - Cidade Baixa.
20. Massa Madre: rua: Marquês do Pombal, nº 316 - Moinhos de Vento e rua Joaquim Nabuco, nº 19 - Cidade Baixa. 
21. Mimô do Zé: rua Felizardo, nº 750, Campus Esefid da UFRGS - Jardim Botânico.
22. Moa: rua Duque de Caxias, nº 687 - Centro Histórico. 
23. Mr. White: rua Ramiro Barcelos, nº 1221 – Independência.
24. Nolie: avenida Osvaldo Aranha, 862 - Bom Fim.
25. Ode: rua Felipe Camarão, nº 737 - Bom Fim.
26. Oh Bruder: Casemiro de Abreu, nº 1495 - Bela Vista; rua Fernandes Vieira, nº 360 - Bom Fim e rua Bezerra de Menezes, nº 290 - Passo d'Areia. 
27. Original Coffee: avenida Ipiranga, nº 50 - Praia de Belas. 
28. Poa Café Armazén: Praça Doutor Maurício Cardoso, nº 61 - Moinhos de Vento. 
29. Prazer Café: avenida Venâncio Aires, nº 1019 - Farroupilha. 
30. Quiero Café: rua Santana, nº 1005 – Farroupilha; rua dos Andradas, nº 735 – Centro Histórico; Praça Dr. Maurício Cardoso, nº 141 – Moinhos de Vento e avenida Assis Brasil, nº 3621 – Cristo Redentor.
31. Café da República: rua da República, nº 358 - Cidade Baixa.
32. Sensorial: rua 24 de Outubro, nº 395 - loja 30 - Moinhos de Vento. 
33. Uai Why: rua Irmão José Otão, nº 576 - Bom Fim e rua Padre Chagas, nº 347 - Moinhos de Vento. 
34. Vírgula Café: rua Dr. Florêncio Ygartua, nº 200 - Moinhos de Vento. 
35. Vive Le Café: rua Anita Garibaldi, nº 2418 - Mont'Serrat.
36. Willians and Sons: rua Luiz Só, nº 215 - Petrópolis e rua Dinarte Ribeiro, nº 214 - Moinhos de Vento. 
37. Yami: rua Tenente Coronel Fabricio Pillar, nº 198 - Mon't Serrat. 
38. Entre Gatos: avenida Copacabana, nº 800 - Vila Assunção.
39. Mal Assombrado: rua Cel. Fernando Machado, nº 513 - Centro Histórico.