Inspirada no texto Urge tombar o Guaiba, escrito em 1993 por Iberê Camargo, a Fundação Iberê (av. Padre Cacique, 2000) abre neste sábado (14), uma grande exposição com pinturas, desenhos e textos em que o artista abordou o tema. Iberê Camargo – Território das Águas apresenta 42 obras que mostram, claramente, que a valorização do meio ambiente estava, além da arte em seus escritos. Pela primeira vez, também serão expostas sete paisagens de Maria Coussirat Camargo. Parte delas foi vista uma única vez, em mostra de alunos do curso de Artes Plásticas do então Instituto de Belas Artes, no final da década de 1930. Na inauguração, a entrada é franca. A exposição fica disponível até o dia 23 de fevereiro de 2025.
As águas acompanharam Iberê desde Restinga Seca, sua cidade natal. Uma restinga onde, em algum momento, águas e areias se juntaram, mas o tempo acabou por deixar o solo seco. Depois, as mudanças constantes de cidade, em razão da profissão do pai como ferroviário, o levaram para lugares por onde passavam outros rios. Foram as lembranças dessas paisagens que motivaram os primeiros trabalhos de Iberê. E foi essa conexão que embasou, mais tarde, a sua revolta com a exploração desenfreada dos recursos naturais.
Próximo das suas obras finais, aumentaram as preocupações do artista com as mudanças climáticas e a poluição das águas, como mostra, por exemplo, a pintura Rio dos Sinos (1989), que hoje integra uma coleção mineira e que registra, com uma forte carga de tensão, um pescador desolado, e peixes mortos à borda das águas de um dos rios mais poluídos do Estado.
Exímia aluna do Colégio Sévigné, a Dona Nena, Maria Cruz Coussirat (1915-2014) nasceu com a arte pulsando na família – a mãe gostava de pintar e todas as mulheres Coussirat tocavam piano ou cantavam –, diferentemente de Iberê Camargo, cuja mocidade no interior do Estado foi culturalmente limitada. Maria e Iberê se conheceram em 1937, no Instituto de Belas Artes da Universidade de Porto Alegre, atual Instituto de Artes da UFRGS. Ela estudou Pintura e formou-se em dezembro de 1940; ele frequentou o Curso Técnico de Arquitetura, mas largou antes de se formar. Pouco tempo depois de receber seu diploma, Maria decidiu que sua vida seria cuidar do marido, na vida e na arte.
Além de guardar todo o tipo de material documental relacionado ao pintor, e que hoje faz parte do acervo da Fundação Iberê, a opinião de Dona Maria era marcante no processo criativo do artista. Ela palpitava sobre as cores e o que estava faltando na composição das obras. Mais do que companheira, Maria Coussirat Camargo era a verdadeira guardiã da obra do pintor. Foi dela a ousadia de erguer a Fundação que mantém o legado do artista.
As águas acompanharam Iberê desde Restinga Seca, sua cidade natal. Uma restinga onde, em algum momento, águas e areias se juntaram, mas o tempo acabou por deixar o solo seco. Depois, as mudanças constantes de cidade, em razão da profissão do pai como ferroviário, o levaram para lugares por onde passavam outros rios. Foram as lembranças dessas paisagens que motivaram os primeiros trabalhos de Iberê. E foi essa conexão que embasou, mais tarde, a sua revolta com a exploração desenfreada dos recursos naturais.
Próximo das suas obras finais, aumentaram as preocupações do artista com as mudanças climáticas e a poluição das águas, como mostra, por exemplo, a pintura Rio dos Sinos (1989), que hoje integra uma coleção mineira e que registra, com uma forte carga de tensão, um pescador desolado, e peixes mortos à borda das águas de um dos rios mais poluídos do Estado.
Exímia aluna do Colégio Sévigné, a Dona Nena, Maria Cruz Coussirat (1915-2014) nasceu com a arte pulsando na família – a mãe gostava de pintar e todas as mulheres Coussirat tocavam piano ou cantavam –, diferentemente de Iberê Camargo, cuja mocidade no interior do Estado foi culturalmente limitada. Maria e Iberê se conheceram em 1937, no Instituto de Belas Artes da Universidade de Porto Alegre, atual Instituto de Artes da UFRGS. Ela estudou Pintura e formou-se em dezembro de 1940; ele frequentou o Curso Técnico de Arquitetura, mas largou antes de se formar. Pouco tempo depois de receber seu diploma, Maria decidiu que sua vida seria cuidar do marido, na vida e na arte.
Além de guardar todo o tipo de material documental relacionado ao pintor, e que hoje faz parte do acervo da Fundação Iberê, a opinião de Dona Maria era marcante no processo criativo do artista. Ela palpitava sobre as cores e o que estava faltando na composição das obras. Mais do que companheira, Maria Coussirat Camargo era a verdadeira guardiã da obra do pintor. Foi dela a ousadia de erguer a Fundação que mantém o legado do artista.