Crescer na incerteza é possível?


Susana Kakuta
Susana Kakuta

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Neste momento, onde inovar é essencial, startups de base tecnológica assumem protagonismo.


A pandemia da Covid-19 tem impactado a sociedade e exigido, de forma intensa e rápida, uma ressignificação das empresas. Neste momento, onde inovar é essencial, startups de base tecnológica assumem protagonismo. São empreendimentos que lidam cotidianamente com a necessidade de trazer o novo para o mercado (preferencialmente rompendo modelos já estabelecidos), com a necessidade de escalar em meio à incerteza. Portanto, surfam com mais habilidade no contexto adverso atual.
Startups nascem numa velocidade ímpar e são responsáveis por parcela importante da inovação surgida na pandemia. Crescem a taxas de três a quatro vezes maior do que a economia global. Juntas, faturam US$ 2,8 trilhões. No Brasil, segundo a Abstartups, são 14 mil startups, que possuem um papel central na economia. São, via de regra, responsáveis pela introdução de novos segmentos, como TI, biotecnologia ou microeletrônica, bem como por exercerem um papel central na modernização de setores tradicionais da economia. Ou seja, são uma parte fundamental, no caso brasileiro, pela retomada do protagonismo mundial de negócios.
No RS, a nossa rede de parques e incubadoras pode garantir a consolidação de uma nova matriz econômica, integrada por um conjunto de segmentos, impulsionados pela inovação. O Tecnosinos, parte integrante do Ecossistema de Inovação da Unisinos, é um exemplo reconhecido internacionalmente. Suas 110 empresas geram 8 mil empregos e ofertam soluções de alto valor agregado, tanto para o mercado nacional quanto para o internacional. A pandemia tem afetado de forma desigual empresas de diferentes portes e segmentos. Ademais, das medidas para mitigar os efeitos econômicos, impuseram-se a demanda por novos clientes, produtos e a necessidade de aumento de receita. Uma pesquisa realizada pelo Tecnosinos com 31 startups aponta que, de forma geral, o comportamento é de crescimento: 35,5% ampliaram seu faturamento entre 11% e 50%. Nenhuma acusou queda. Além disso, 64,6% criaram produtos ou soluções durante a pandemia, sendo que, destes, mais de 19,4% foram direcionados para um mercado não explorado anteriormente. Dessas soluções, 38,7% são relacionadas à pandemia (16,1% de produtos diretamente relacionados e 22,6% de suporte a empresas, em resposta aos desafios da pandemia). Todavia, 16,1% delas apontaram que foi necessário reduzir os investimentos em inovação e 9,7% recorreram a bancos como forma de financiar sua operação.
Inovar requer talento, capital, determinação empresarial, um ecossistema forte e um conjunto de políticas públicas capaz de fazer surgir, crescer e consolidar empresas. Startups são elementos fundamentais para a economia do futuro. São portadoras de crescimento e oportunidades, especialmente para jovens, num Brasil que clama por alternativas de desenvolvimento e cidadania.
Publicado em 26/04/2021.