É hora de inovar, e agora?



Marcas 2019 aborda inovação em diversos setores
CRÉDITO: Marketing JC
Mauro Belo Schneider
Não é de hoje que um dos pedidos mais frequentes de quem dirige as empresas aos seus colaboradores é a busca pela inovação. Toda marca quer oferecer uma experiência diferente. O problema está em como esse processo está sendo tratado.
"Empreendedores vão até o Vale do Silício, visitam as empresas, se assustam e voltam dizendo que precisam inovar. No fundo, não estão dizendo nada para a equipe", constata Maximiliano Carlomagno, sócio-fundador da Innoscience e autor dos livros Gestão da Inovação na Prática e Práticas dos Inovadores.
A definição de "inovar" passa por diversos conceitos. Entre eles, o de transformar novas ideias em resultado. Além disso, é importante entender que existem as inovações incrementais - evolução do que já existe - e as disrruptivas. Se não houver clareza no que se quer apostar, gera-se estresse no ambiente de trabalho. "Acaba que eles (o time) não vão conseguir fazer nada de verdade. Às vezes, pode ensejar até um faz de conta", avisa. 
É essencial entender o setor da empresa e avaliar se o objetivo é alterar processos, oferta, mercado, canal de distribuição ou o modelo de negócio como um todo. "Se você está no setor de jornal, por exemplo, vai precisar agir sabendo que mudaram a forma de consumo e o processo de geração da informação, todo mundo virou jornalista. Até em nível nacional se enfrenta desafios. Tem mais gente vendo Netflix do que a Globo", exemplifica Carlomagno.
O segundo passo, para ele, é entender a empresa no detalhe, ver quais os recursos financeiros disponíveis e qual a ambição dela. Ou seja, fazer um alinhamento da estratégia.
Diferentemente do que muita gente pensa, Carlomagno entende que inovação não pode ser reduzida a questões de aparência, como o jeito descolado de se vestir. "É necessário abordar o tema com concretude e disciplina. Mudar o dress code não nos leva longe. O Google não inova por causa disso, é apenas um elemento da cultura. Inovação depende de direcionamento, de recursos e de gente", interpreta o especialista.
Quando companhias contratam a Innoscience, numa das etapas de sua consultoria, Carlomagno sugere que se difunda a cultura do intraempreendedorismo no ambiente. Para isso, promove workshops e hackathons (maratonas de desenvolvimento tecnológico). Um grupo criativo é capaz de criar soluções úteis, entende.
E, obviamente, inovação deve ser algo constante dentro do universo das marcas. "Ecossistema competitivo é isso. Tira um coelho da cartola e depois tem de tirar outro. Não é um evento isolado. 'Agora que fiz isso fico tranquilo.' A demanda por inovação tem crescido porque as empresas perceberam que não basta fazer uma vez. O mercado copia, responde, outros players entram no seu segmento", coloca Carlomagno.
Um dos reflexos da caçada à inovação se dá no perfil de profissionais que se formam. Segundo os dados da nova edição do Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil, o mercado de trabalho abriu 24,5 mil vagas para profissionais em 10 profissões da economia criativa em meio à crise econômica. O estudo reflete as transformações da nova economia, caracterizada por novos modelos de negócio, hábitos de consumo e relações de trabalho.
O levantamento aponta que a digitalização e a necessidade de compreender o consumidor e as suas vontades são vistas como prioridade pelos empregadores que querem se destacar nesse ambiente novo. É um crescimento muito relevante, especialmente considerando o cenário de recessão, com queda de 3,7% no mercado de trabalho nacional (encerramento de 1,7 milhão de postos de trabalho).
"O mundo tem passado por profundas transformações no mercado de trabalho, que são resultado das transformações socioculturais e do avanço da digitalização. As mudanças nos hábitos de consumo e o digital exigem das empresas uma série de novas competências e habilidades até então inexploradas. Esse movimento já é visível na economia criativa", explica o gerente da Casa Firjan, Gabriel Pinto.
Responsável por empregar 37,1% dos profissionais da economia criativa, o segmento de Tecnologia tem a maior média salarial. Empresas brasileiras se preparam para trabalhar com grande volume de dados e com a convergência das tecnologias. A remuneração média dos criativos em Tecnologia é de R$ 9,5 mil por mês, o que representa mais de três vezes o salário médio nacional (R$ 2,7 mil). O mercado de trabalho criativo no País reúne 245 mil estabelecimentos, 837,2 mil profissionais e o PIB Criativo soma R$ 171,5 bilhões.
Os números mostram que a famosa frase "pensar fora da caixa" não é somente dica de livro de empreendedorismo. Trata-se de uma ação que gera resultados financeiros e é capaz de manter os negócios firmes e fortes no universo das marcas.
E lembre-se que, em alguns casos, é necessário "matar" sua estrutura atual para continuar vivo, sempre valorizando o capital humano. Empresas já consolidadas podem (e devem) mudar. Há exemplos que entraram para a história a partir dessa estratégia, como a Blockbuster, que perdeu espaço para filmes por streaming do Netflix. Se a companhia tivesse se reinventado e ressurgido com um modelo mais atual, poderia ter sobrevivido.
Foi por causa da importância da inovação para o fortalecimento das marcas que escolhemos o tema para permear todas as reportagens desta edição Marcas de Quem Decide. Clique aqui e você verá conteúdos com aplicações práticas no Varejo, Educação, Gestão, Sustentabilidade e Marketing. 

5 perguntas para começar a inovar

1 – Por que estou querendo a inovar?
2 – O quanto preciso inovar?
3 - Onde inovar?
4 - Com quem?
5 – Como fazer isso?



Publicado em 28/03/2019.