Porto Alegre, quinta-feira, 19 de dezembro de 2019.

Jornal do Comércio

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Perspectivas 2020

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Cooperativismo

Notícia da edição impressa de 19/12/2019. Alterada em 19/12 às 03h00min

Períodos de crise estimulam união e planejamento

Perius explica que a expectativa é continuar com os investimentos em 2020

Perius explica que a expectativa é continuar com os investimentos em 2020


MARCELO G. RIBEIRO/arquivo/JC
Carlos Villela
A crise econômica - da qual o Brasil se recupera a passos lentos, de acordo com os indicadores econômicos dos últimos cinco anos - tem no cooperativismo uma forma de suavizar esses impactos para a população. De acordo com dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2019, produzido pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), o País soma 6.828 cooperativas, que, juntas, têm mais de 14,6 milhões de cooperados e empregam mais de 425 mil pessoas.
A crise econômica - da qual o Brasil se recupera a passos lentos, de acordo com os indicadores econômicos dos últimos cinco anos - tem no cooperativismo uma forma de suavizar esses impactos para a população. De acordo com dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2019, produzido pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), o País soma 6.828 cooperativas, que, juntas, têm mais de 14,6 milhões de cooperados e empregam mais de 425 mil pessoas.
"A origem das cooperativas atuais foi em 1844, durante a Revolução Industrial na Inglaterra, e surgiram como um movimento anticrise", afirma o vice-presidente da Central Sicredi Sul, Marcio Port. Em 2020, a cooperativa de crédito quer abrir 20 novas agências no Rio Grande do Sul, além de aumentar a participação em outros estados - hoje, já são 23 unidades federativas que contam com agências do Sicredi. Essa é uma tendência oposta à de bancos como Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, que, somados, devem fechar 1,2 mil agências até o final de 2020. Além disso, a cooperativa de crédito planeja investir R$ 700 milhões na área de tecnologia da informação até 2023, dando prosseguimento a um projeto de transformação tecnológica que teve início em 2016 e envolve cerca de 400 pessoas.
Para Port, embora a instituição tenha planos para o próximo ano e expectativa de crescimento semelhante à dos últimos anos, os olhares também devem estar voltados para muito mais adiante. "Temos que ter um olhar inspiracional para 2030, ter claro qual é a visão de futuro e nossa proximidade com o associado. As grandes bases são inalteradas", diz. E é essa proximidade, acredita ele, que faz com que as pessoas se voltem às cooperativas nos momentos de instabilidade. "Quando o cenário não é bom, a tendência é ir para o que eu confio mais. No cenário em que as pessoas estão inseridas em cidades pequenas, isso é mais forte", afirma. Segundo Port, bancos se retraem em períodos de crise e reduzem a concessão de crédito de forma generalizada, enquanto as cooperativas se atentam de forma mais específica aos municípios e regiões. Por isso, ele acredita que cabe às cooperativas de crédito enxergar as oportunidades de investimento e novos negócios nos municípios. "O crédito é o motor da economia, e uma região que recebe crédito, nos anos seguintes, vai se desenvolver. Se tem a instituição financeira que acredita na região, o PIB dela vai crescer", diz o vice-presidente da Central Sicredi Sul.
Na área de saúde, o cooperativismo também se faz presente. Nacionalmente, são em torno de 48 milhões de pessoas no País que utilizam sistemas privados de alguma maneira, e o Sistema Cooperativo Unimed responde por 37% desse mercado. De acordo com José Antonio Lumertz, atuário da Unimed Federação-RS, o sistema de saúde privado, em 2018, desonerou o SUS em R$ 160 bilhões. "Estamos atingindo o entendimento que o modelo complementar entre o setor público e o setor privado permite ganhos relevantes de escala, pois os recursos financeiros são finitos, frente às necessidades de um país continental e com perfis de desenvolvimento socioeconômico muito variados", informa Lumertz.
Para o presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), Vergílio Perius, o setor cooperativista não parou na crise por causa das características específicas. "Esse é o DNA das cooperativas, serem entidades não de capital, mas de pessoas, e essas pessoas reagem positivamente diante de um cenário de crise", explica. "Admitimos mais de 6 mil empregos, houve novos investimentos em ramos como agroindústrias e empresas de software."
De acordo com Perius, a expectativa para 2020 é continuar o grau de investimentos, "com uma grande expectativa de colocar mais agroindústria no campo". Entretanto, o que ele aponta como precondição para esse setor continuar crescendo é que o governo federal crie uma linha especial de crédito para investimento de agroindústria. "Os juros são muito caros, 7,5% ao ano, e está travado o investimento. A inflação está em torno de 3,5%, não tem rentabilidade, e o governo vai ter que atender a uma redução de juros para financiar projetos agroindustriais", esclarece.
Perius também deseja que o governo tenha um olhar diferenciado no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, parando de construir edifícios verticais. "A verticalização de prédios não produz mão de obra", diz. "Cada metro quadrado de construção, quando não tem guindaste, gera três empregos. Quando tem guindaste, é uma desgraça, porque um guindaste substitui 128 pessoas na construção civil." De acordo com Perius, o modelo ideal é o de casas horizontais e com capacidade qualificada de habitação, como as feitas pelas cooperativas habitacionais. "Agroindústria e construção civil geram empregos, e o Brasil precisa gerar emprego. Os dois setores podem dar as melhores respostas do País para ajudar esses desempregados e as novas populações que estão por vir", afirma.
A abertura de novas linhas de crédito especiais para o cooperativismo também é vista como ideal pelo presidente da Cooperativa Vinícola Garibaldi, Oscar Ló. "Poderia ter mais linhas específicas de financiamento tanto para investir nas pequenas propriedades quanto para as cooperativas fazerem seus investimentos", afirma. Para Ló, a base da cooperativa são seus associados, e há uma relação de mutualismo na medida em que se propicia aos seus associados a garantia de poderem produzir onde eles sabem que podem entregar sua produção com segurança e de receber por isso. Em contrapartida, a cooperativa assegura ao cooperado a assistência técnica, o fornecimento de muda e as orientações de produção. Ló diz que 2019 foi um ano difícil, mas que foi possível alcançar um crescimento de 16%. Na área de espumantes, que são a especialidade da cooperativa, foi registrado um aumento de 30%. A expectativa para 2020 é um crescimento entre 12% e 15% na produção.
No Vale do Taquari, a cooperativa Dália investiu mais de R$ 100 milhões em um novo complexo agrícola no município de Arroio do Meio, incluindo um abatedouro frigorífico, fábrica de farinhas e também de rações para o sistema integrado de frangos. Além disso, outros R$ 100 milhões foram aplicados em projetos em 10 municípios, como um matrizeiro em Vale Verde, um incubatório em Mato Leitão e nove condomínios de produtores em oito municípios.
O complexo foi inaugurado no último dia 13 de dezembro, e o abate começa na segunda quinzena de janeiro, visando a um turno de funcionamento em plena capacidade até o segundo semestre. Posteriormente, o plano é expandir para três turnos de atividade e um abate diário de 55 mil frangos. O grupo também quer expandir os investimentos em suinocultura para aumentar o abate em 10%. "Estamos em uma região que talvez seja a mais cooperativada do Brasil", afirma Gilberto Antônio Piccinini, presidente da Dália. Segundo ele, em torno de 80% dos moradores do Vale do Taquari são ligados a alguma cooperativa.
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