Porto Alegre, quarta-feira, 12 de setembro de 2018.

Jornal do Comércio

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HISTÓRIA

Notícia da edição impressa de 12/09/2018. Alterada em 12/09 às 14h50min

Banrisul completa nove décadas de fomento ao desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul

Banco começou a funcionar em salas do prédio do Tesouro do Estado, na Praça da Matriz

Banco começou a funcionar em salas do prédio do Tesouro do Estado, na Praça da Matriz


/BANRISUL/DIVULGAÇÃO/JC
Em diferentes épocas, a trajetória do Banrisul se caracteriza pelo forte comprometimento com suas raízes e com as demandas da comunidade. Foi assim desde o início, na década de 1920, quando foram acolhidas as gestões, principalmente dos pecuaristas, para criação de um banco estadual. Quando o banco começou a funcionar, em 12 de setembro de 1928, o capital inicial era de 50 mil contos de réis, 35 mil deles provenientes do governo estadual e 15 mil dos produtores. A sigla BRGS identificava o Banco do Rio Grande do Sul. A instituição cresceu rapidamente e, em 1929, eram 69 agências no Interior, além da matriz em Porto Alegre.
Graças a esse fôlego, o BRGS conseguiu enfrentar a crise da década de 1930 e ampliou sua capilaridade. Inaugurou mais 22 agências enquanto na época outras instituições não resistiram. Para comemorar os 10 anos de fundação, o banco promoveu várias ações entre as quais a compra de uma área no bairro Espírito Santo, na Zona Sul da Capital, para construção de uma área de convivência para os funcionários.
Os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial e a grande enchente do Lago Guaíba em 1941 são a marca triste da nova década. Mas também serviram para comprovar a importância do apoio do banco. A pedido dos empresários e ciente da gravidade da situação, o BRGS intermediou a concessão de recursos junto ao governo federal para a reconstrução do Estado. Também tornou-se avalista do desenvolvimento rodoviário gaúcho. No mesmo ano, o BRGS inaugurou sua primeira sede, na rua 7 de Setembro.
Novidades na movimentação financeira marcaram os anos 1950. Pela primeira vez, foram contratadas operações de crédito com o Estado por antecipação de receita. Também ocorreu a abertura da primeira agência urbana de Porto Alegre, no bairro São João. Fortalecido, o banco ampliou sua atuação para além do Estado e inaugurou a primeira agência no Rio de Janeiro, em 1953. Em 1957, foi a vez de São Paulo.
Na politicamente conturbada década de 1960, o banco teve de incluir no nome a palavra estado: Banco do Estado do Rio Grande do Sul. A sigla BRGS deu lugar à Bergs. Quando festejou 35 anos, em 1963, o banco tinha uma posição destacada no cenário nacional e cerca de 2,6 mil funcionários. Fazendo jus ao porte alcançado, em 1964 houve a inauguração do atual edifício-sede, na rua Capitão Montanha, 177. No ano seguinte, o banco expandiu sua atuação e passou a deter o controle da Companhia de Armazéns Gerais do Rio Grande do Sul.
Na década de 1970, a instituição investiu em modernização para aprimoramento de processos. Em 1971, houve nova mudança importante na sua identidade com a troca da sigla Bergs pela hoje conhecida Banrisul. O ritmo de crescimento continuou e mesmo depois, em um cenário de crise econômica, o Banrisul despontou como uma das principais instituições financeiras do País. Em 1979, dos 232 municípios gaúchos, apenas 54 ainda não contavam com uma agência Banrisul.
Acompanhando a evolução tecnológica do sistema financeiro na década de 1980 e até se antecipando em algumas inovações, o Banrisul foi um dos primeiros bancos gaúchos a iniciar a automatização dos serviços. Em 1982, foi implantada a automação da leitura de cheques e a transmissão de dados. As agências começaram a ser automatizadas e é dessa época a criação das duas primeiras regionais de entrada de dados para processamento eletrônico, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Com a adoção da tecnologia, houve necessidade de capacitação da equipe e foram treinados 4,8 mil funcionários, mais da metade do quadro funcional.
A década de 1990 trouxe novos desafios com a autorização dada pelo Banco Central para operar como banco múltiplo. Ainda em 1990, lançou a caderneta de poupança e, em apenas sete meses, alcançou 115,2 mil contas abertas. Em 1992, o banco incorporou o Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Badesul) e a Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários do Estado do Rio Grande do Sul (Divergs). Foi o ano da unificação do Sistema Financeiro Estadual.
O perfil de banco varejista foi reforçado em 1997. O Banrisul concentrou a atividade bancária comercial, enquanto a Caixa Econômica Estadual - transformada em Agência de Desenvolvimento - especializou-se no fomento e promoção do desenvolvimento. O banco voltou-se também para o patrocínio e apoio à cultura em geral e para o meio ambiente. E continuou inovando na área tecnológica. Com uma decisão pioneira no mercado financeiro, optou por utilizar o software livre Linux em todos os seus equipamentos. De lá para cá, o banco avançou em sua estratégia digital para possibilitar a realização de operações financeiras com segurança em qualquer lugar e hora, e não descuidou da interação com a comunidade. Os números indicam que a instituição, nestes 90 anos, caminha na direção certa. Em 2017, o lucro líquido do Banrisul alcançou o recorde de R$ 1,053 bilhão. Pelo resultado do balanço do primeiro semestre, o Banrisul encerrará 2018, com uma nova marca histórica. Apenas nos seis primeiros meses o lucro líquido já foi de R$ 505,9 milhões.

ANOS 1920: Cinquenta mil contos de réis e o início de tudo

Congresso dos Criadores, em 1927 no Theatro São Pedro
Congresso dos Criadores, em 1927 no Theatro São Pedro
/BANRISUL/DIVULGAÇÃO/JC
Na década de 1920, o Rio Grande do Sul tinha uma população estimada em 2,2 milhões de habitantes e o setor primário predominava, principalmente a pecuária. Mas havia constantes crises da atividade, em decorrência dos altos e baixos dos mercados consumidores de carne e charque e da falta de um agente financiador da produção. Nos congressos de criadores realizados em 1927 e em 1928 o tema predominante foi justamente a necessidade de apoio ao segmento. São Paulo já tinha tomado a dianteira com a criação, em 1926, do Banco de Crédito Agrícola e Hipotecário, posteriormente denominado de Banco do Estado de São Paulo.
Presidente do Estado à época, Getúlio Vargas havia afirmado em sua campanha eleitoral que o Rio Grande do Sul tinha condições de resolver o problema de crédito rural dentro de suas fronteiras e que esse era um dos maiores serviços que poderia prestar às áreas pastoril e agrícola. As gestões para a criação de um banco estadual surtiram efeito e, em 28 de agosto de 1928, o presidente da República Washington Luiz assinou o decreto autorizando o funcionamento do Banco do Rio Grande do Sul (BRGS). Em 6 de setembro do mesmo ano, o governo estadual aprovou os estatutos e, em 12 de setembro, o novo banco começou a funcionar em salas do prédio do Tesouro do Estado, na Praça da Matriz.
Tinha o capital inicial de 50 mil contos de réis, 35 mil deles provenientes do governo estadual e 15 mil dos produtores, e duas carteiras: hipotecária e econômica. O BRGS realizava empréstimos de longo prazo e tinha como garantia a hipoteca de imóveis.
O governo estadual era controlador do Banco do Rio Grande do Sul, mas sua composição acionária também era integrada por produtores rurais e outras instituições financeiras como o Banco Pelotense. Aos poucos, o banco foi se consolidando. Em 3 de outubro, houve a assinatura de contrato com o governo, pelo qual as Coletorias Estaduais passaram a funcionar como agentes do banco. Em 28 de outubro, uma assembleia realizada na Biblioteca Pública do Estado elegeu a primeira diretoria, presidida pelo então secretário da Fazenda Firmino Paim Filho e integrada por outros oito diretores. Na época, eram apenas 17 funcionários, mas, em apenas três meses de atividades, o banco autorizou 37 empréstimos hipotecários, 38 empréstimos urbanos e concedeu 31 mil contos de réis em desconto de títulos e contas correntes.
O banco cresceu rapidamente e, no final de 1928, contava com 29 agências espalhadas também pelo Interior, em cidades como Pelotas, Bagé, Rio Grande, Caxias do Sul e Novo Hamburgo. Ao se encerrar o ano, o BGRS contabilizava 2.003 acionistas e 100 mil ações - 80,6 mil delas em posse do governo, como sócio majoritário. Em 1929, o número de agências dobrou, chegando a 69 no Interior, além da matriz em Porto Alegre. Com seu desempenho, o banco pôde enfrentar a crise que se avizinhava com o crash da bolsa de Nova Iorque, em outubro.
 

ANOS 1930: Expansão em meio à crise internacional

O cofre Berta, de oito toneladas, hoje exposto no Museu Banrisul, é desta época
O cofre Berta, de oito toneladas, hoje exposto no Museu Banrisul, é desta época
/CLAITON DORNELLES /JC
Ao efeito dominó provocado pela recessão norte-americana em todo o mundo, somaram-se a Segunda Guerra Mundial e turbulências internas, como a revolução que levou Getúlio Vargas à presidência da República, terminando com a chamada República Velha. Mesmo neste cenário, o Banco do Rio Grande do Sul (BRGS) ampliou sua capilaridade e em 1930 inaugurou 22 agências. Outras instituições não resistiram por conta da desconfiança generalizada e da corrida para as retiradas de depósitos. O Banco Popular pediu autofalência e o Banco Pelotense também pediu a liquidação.
Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder federal foram adotadas diversas medidas de cunho social e trabalhista. As Caixas de Aposentadoria e Pensões, instituídas em 1923, beneficiavam poucas categorias profissionais. Com o novo Ministério do Trabalho, outras foram incorporadas e as garantias trabalhistas foram estendidas a um número bem maior de trabalhadores. Dessa forma, foi criado o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos (IAPM), em junho de 1933, o dos Comerciários (IAPC), em maio de 1934, o dos Bancários (IAPB), em julho de 1934, o dos Industriários (IAPI), em dezembro de 1936, e os de outras categorias profissionais nos anos seguintes. Em fevereiro de 1938, foi a vez do surgimento do Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado (Ipase).
O BRGS acabou implantando a "conta Fundo de Previdência Social" com capital de 100 contos de réis. Em 1934, o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários começou a receber depósitos semestrais do banco no valor de 100 mil réis. Foi uma década importante para o banco que, em 1931, incorporou o Banco Pelotense. Em 1932, para evitar que os efeitos da crise atingissem a pecuária, o interventor do Estado, José Antônio Flores da Cunha, autorizou o banco a criar uma linha de crédito garantida pelo governo no valor de 50 mil contos de réis. O banco apoiou, em 1935, a exposição comemorativa ao centenário da Revolução Farroupilha, promovida no então Campo da Redenção. Nesse ano, o banco tinha 435 funcionários e as aplicações totalizavam 30,9 mil contos de réis no primeiro semestre e 32,9 mil contos de réis no segundo. Os empréstimos hipotecários chegavam a 31,1 mil contos de réis. É dessa década também a compra do cofre Berta, de oito toneladas, hoje exposto no Museu Banrisul.
É também uma época de novos protagonismos na economia gaúcha. Industriais gaúchos se mobilizam em torno da fundação do Centro da Indústria Fabril (Cinfa) que teve A. J. Renner como primeiro presidente. Com o apoio do Cinfa foram organizados novos sindicatos industriais até que, em 1937, criaram a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul. Nesse ano, com depósitos de 142,8 mil contos de réis, o banco passou incólume pelas turbulências políticas decorrentes da decisão de Vargas de substituir o governo constitucional pelo Estado Novo. Para comemorar os 10 anos de fundação, promoveu várias ações como a compra de um terreno no bairro Espírito Santo, na zona sul de Porto Alegre, para construção de uma área de convivência - chamada cassino - para os funcionários.
 

ANOS 1940: Inclusão feminina e aplicações superiores a 1 bilhão de cruzeiros

Em 1943 o banco recebeu as primeiras colaboradoras em seu quadro funcional
Em 1943 o banco recebeu as primeiras colaboradoras em seu quadro funcional
/BANRISUL/DIVULGAÇÃO/JC
Os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial e a grande enchente do Lago Guaíba em 1941 são a marca triste do início da década. A cheia deixou cerca de 70 mil flagelados e moradores sem água potável e sem energia elétrica. As águas levaram mais de 40 dias para baixar e deixaram um rastro de destruição e prejuízos em todos os segmentos. Houve perda de máquinas, matérias-primas, mercadorias e os negócios ficaram paralisados também em outras cidades além da Capital. A pedido dos empresários e ciente da gravidade da situação, o Banco do Rio Grande do Sul (BRGS) intermediou a concessão de recursos junto ao governo federal, via Banco do Brasil, para a reconstrução do Estado. Assim, a linha de crédito de 60 mil contos de réis ganhou o aval do Estado para ser paga em 15 anos com juros de 4% ao ano.
Ainda em 1941, o banco tornou-se o avalista do desenvolvimento rodoviário gaúcho, com um empréstimo de 90 mil contos de réis para o Plano Rodoviário Estadual. O objetivo era ampliar e aprimorar a malha rodoviária do Estado. No mesmo ano, o BRGS ganhou sua primeira sede. A inauguração do prédio na rua 7 de Setembro aconteceu no dia 27 de novembro. O banco ainda teve outros três locais até chegar ao atual edifício-sede na rua Capital Montanha.
Os efeitos da guerra bateram forte no Rio Grande do Sul. Com a dificuldade de exportar, houve queda nos abates de bovinos, suínos e ovinos e necessidade de aporte de recursos para financiar a produção. Em meio às turbulências do conflito mundial, as mulheres começam a conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Acompanhando essa evolução, em 19 de março de 1943, o BRGS recebeu as primeiras colaboradoras em seu quadro funcional. Elas foram admitidas como auxiliares, realizando cópias de documentos. As pioneiras foram Lydia Haidée Pallares, Sarita Aguinsky, Sylvia Montin Teixeira, Yara Gomes de Mello, Anna Safro, Léa Raphaela D. Azevedo, Belloni Marques, Maria Amélia Gonçalves Hillial e Diva Schramm. Todas aprovadas em um concurso com mais de 100 candidatas.
A segunda metade da década de 1940 é também repleta de transformações econômicas e políticas. Houve a deposição de Getúlio Vargas, em 1945, e o estabelecimento de uma nova constituição, em 1946. No cenário mundial, as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki provocam a destruição e o rendimento dos japoneses, encerrando a Segunda Guerra Mundial. O Rio Grande do Sul, que aproveitou o aumento dos preços com a exportação, teve de enfrentar uma queda da safra, em 1945, e redução das vendas externas pelo fim da Guerra. O banco foi o porto seguro para os produtores com problemas devido à baixa produção de grãos. Foram concedidos créditos de 197 milhões de cruzeiros para a agricultura e à indústria agrícola e de 233 milhões de cruzeiros (nesta época, a moeda já havia passado de contos de réis para cruzeiro) à pecuária e à indústria pastoril.
Em 1948, o BRGS comemorou seus 20 anos de existência e aplicações no valor total de 1,5 bilhão de cruzeiros. A década terminou com contribuições relevantes ao desenvolvimento e qualificação da infraestrutura do Estado, como programas de eletrificação, construção de estradas e prédios destinados à educação e à saúde públicas.

ANOS 1950: Carteira de câmbio e fundo imobiliário para o edifício-sede

Interior da agência São João, em 1954, primeira agência urbana de Porto Alegre
Interior da agência São João, em 1954, primeira agência urbana de Porto Alegre
BANRISUL/DIVULGAÇÃO/JC
Nos anos 1950 surgiram novidades na movimentação financeira do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (BRGS). Em 1950, pela primeira vez, foram contratadas operações de crédito com o Estado por antecipação de receita. Também foi inaugurada a primeira agência urbana de Porto Alegre, no bairro São João. No ano seguinte, o banco criou o Fundo de Fomento Agropecuário voltado aos pequenos produtores interessados na compra de terras, gado e adubo. Inicialmente, recebeu um aporte de 10 milhões de cruzeiros e ficou estabelecido que os produtores poderiam obter empréstimos de até 20 mil cruzeiros. Mesmo com a boa performance, o banco adotou algumas cautelas, como a redução de empréstimos hipotecários que tivessem a terra como garantia.
Com foco no bem-estar de seu quadro funcional, o banco, em 1952, destinou 1 milhão de cruzeiros para empréstimos a funcionários que queriam reformar ou ampliar suas casas. Eles também ganharam um aumento de 25%. Também houve a criação de um fundo de auxílio para os aposentados e ocorreu a instituição do Regulamento de Pessoal, com o estabelecimento de um quadro de funções e salários. No mesmo ano, os acionistas aprovaram o aumento do capital de 50 milhões de cruzeiros para 75 milhões de cruzeiros.
Com o fortalecimento da marca, o banco ampliou sua atuação para além do Estado e inaugurou a primeira agência no Rio de Janeiro, em 1953. Em 1957, foi a vez de São Paulo. Nas comemorações do jubileu de prata, o BRGS também festejou o maior movimento bruto de aplicações já registrado, chegando a 3,5 bilhões de cruzeiros. A abertura de novas agências no Interior continuou avançando, como a destinação de recursos para a melhoria dos rebanhos gaúchos de bovinos e ovinos. Em 1957, a Assembleia Legislativa aprovou a lei de autoria do Executivo instituindo recursos e normas para a carteira agrícola com foco no pequeno produtor.
Na mesma época, a assembleia dos acionistas aprovou o aumento de capital em 100%, passando de 100 milhões de cruzeiros para 200 milhões de cruzeiros. E foi lançado o fundo imobiliário para a construção do edifício-sede. Uma das principais novidades e que colocou o banco em outro patamar foi o início das operações da Carteira de Câmbio que aconteceu em 12 de setembro, dia em que o banco completou 30 anos de atividades. Com essa operação, o BRGS estabeleceu intercâmbio com 130 bancos de 30 países.

ANOS 1960: Destaque nacional e Fundação Banrisul

Fundo imobiliário possibilitou construção do edifício-sede, na Rua Capitão Montanha, inaugurado em 1964
Fundo imobiliário possibilitou construção do edifício-sede, na Rua Capitão Montanha, inaugurado em 1964
/BANRISUL/DIVULGAÇÃO/JC
Foi uma década politicamente conturbada. O Brasil ganhou uma nova capital e vivenciou a implantação do regime militar, com a instabilidade política e institucional afetando a economia do País. Logo no início, em 1960, o banco tem de mudar de nome por uma exigência do governo federal. O presidente Juscelino Kubitschek assina um decreto-lei determinando que todas as instituições financeiras estaduais, autorizadas a operar como banco, deveriam inserir no nome a palavra Estado. Assim, o Banco do Rio Grande do Sul passa a denominar-se Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A. Com isso, a sigla BRGS foi substituída por Bergs.
No mesmo ano, os acionistas aprovaram um novo aumento do capital de 200 milhões de cruzeiros para 500 milhões de cruzeiros. Os funcionários, por sua vez, foram beneficiados com os abonos familiar e escolar e puderem ter acesso ao Fundo para Financiamento da Casa Própria. O capital dobrou no ano seguinte e o banco abriu a primeira agência em Brasília. As mulheres, que só tinham ocupado cargo de auxiliares, avançaram em suas conquistas e o Bergs reconheceu pela primeira vez o direito de elas serem promovidas. Elas passaram a ocupar o mesmo cargo dos homens, o de escriturárias.
A economia gaúcha dá sinais de que é possível uma recuperação. Alguns setores começaram a buscar alternativas. Foi o caso da carne, que se voltou também para a produção de frangos, e os setores têxtil e de calçados que encontraram saídas na exportação. Para completar, a safra agrícola teve excelentes resultados. Em 1962, a Carteira de Crédito Agrícola financiou pequenos e médios produtores com um crédito no valor total de 279,6 milhões de cruzeiros. Quando festejou 35 anos, em 1963, o banco já ostentava uma posição destacada no cenário nacional e contava com cerca de 2,6 mil funcionários. No final do ano foram aprovadas alterações nos estatutos e ratificados os atos que instituíam a Fundação Banrisul de Seguridade Social. Criada com o objetivo de apoiar os funcionários e suas famílias, a Fundação foi uma das primeiras entidades do gênero formadas por empresas gaúchas.
Fazendo jus ao porte alcançado pela instituição, em 1964 houve a inauguração do atual edifício-sede, na rua Capitão Montanha, 177. No ano seguinte, o banco expandiu sua atuação e passou a deter o controle da Companhia de Armazéns Gerais do Rio Grande do Sul, com 79,60% das ações. Mas foram tempos difíceis, por conta do quadro político de exceção. No entanto, o banco seguiu sua trajetória. Expandiu a atuação da Carteira de Câmbio por meio de convênios assinados com mais 46 bancos, chegando a 278 casas bancárias, em 50 países. Houve também a ampliação das operações de crédito, financiamento e investimento, ao assumir o controle acionário da Mobilizadora de Capitais S.A. Mocasa.
Com a criação do Banco Nacional de Habitação (BNH), a instituição foi autorizada a atuar como agente financeiro, através da Carteira de Crédito Imobiliário, nos programas Mercado de Hipotecas e Plano de Financiamento de Habitação Rural, entre outros. No final dos anos 1960, o capital do banco foi elevado para 30 milhões de cruzeiros novos (na época, a moeda já era o cruzeiro novo) e houve a incorporação do Banco Real de Pernambuco.
 

ANOS 1970: Modernização e crescimento aos 50 anos

Em 1979, 232 municípios, entre eles Pelotas, já contavam com agências do Banrisul no Estado
Em 1979, 232 municípios, entre eles Pelotas, já contavam com agências do Banrisul no Estado
/BANRISUL/DIVULGAÇÃO/JC
Na década do seu cinquentenário, o banco investiu em modernização para aprimoramento de processos com racionalização dos serviços, adoção de novos métodos de trabalho e redução de custos. Um dos avanços foi a mecanização do fichário analítico dos correntistas de suas agências. O que antes era anotado manualmente em cadernetas e livros-caixa começou ser registrado, ao final do expediente, em grandes fichas colocadas em máquinas, onde cada tecla correspondia à operação bancária efetuada pelo cliente durante o dia.
As mudanças chegaram ao quadro de funcionários com a revisão do Regulamento de Pessoal do Banco, a reorganização do quadro de carreira e a implantação de um novo sistema de avaliação de méritos. Nessa época também houve a criação das gerências regionais e as assessorias de Marketing, de Câmbio e Financeira. E, em 1971, ocorreu uma mudança importante na identidade da instituição financeira. A MPM Propaganda comandou uma campanha que marcou definitivamente a história do banco, transformando o até então Banco do Estado do Rio Grande do Sul - cuja sigla era BERGS - no hoje conhecido Banrisul.
Com a nova sigla, surgiram os cubos que compõem a logomarca do banco. Criação do artista plástico pernambucano Aloysio Magalhães, foram concebidos para representar as ideias de solidez, coesão entre os funcionários e integração da instituição com a comunidade.
Eram tempos de milagre econômico e, no Estado, o governador Euclides Triches deflagrou uma expressiva campanha de captação de recursos para o banco. O objetivo era aumentar a capacidade do Banrisul de conceder empréstimos a empreendimentos públicos e privados do Estado e o seu capital foi de 40 para 80 milhões de cruzados. Também em 1971, a Fundação Banrisul começou a administrar o restaurante do Edifício-Sede e as colônias de férias de Porto Alegre e de Rainha do Mar. O ritmo de crescimento continuou e mesmo depois, em um cenário de crise econômica, o Banrisul registrou, em 1975, um lucro líquido de 113,6 milhões de cruzados, 15 novas agências abertas no interior do Estado e ampliação do quadro de funcionários para 5.796 pessoas.
Houve também iniciativas para captar clientes de outros estados. Para tanto, contou com a capilaridade de sua rede que abrangeu Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Brasília, Pernambuco, Ceará e Mato Grosso. Quando chegou o cinquentenário, o Banrisul já contabilizava 215 agências e 8 mil funcionários.
Dentro das comemorações dos 50 anos, adquiriu 18 hectares na zona sul de Porto Alegre para construção do Centro de Treinamento e da sede social da Fundação Banrisul. Com um sólido perfil, o Banrisul despontou como uma das principais instituições financeiras do País. Em 1979, dos 232 municípios gaúchos, apenas 54 ainda não contavam com uma agência Banrisul.

ANOS 1980: Desburocratização e informatização

Em 1984, o Banrisul chegou a 292 agências integradas ao sistema de contas-correntes
Em 1984, o Banrisul chegou a 292 agências integradas ao sistema de contas-correntes
/BANRISUL/DIVULGAÇÃO/JC
Em meio às oscilações da economia e à inflação, o Banrisul adotou um controle rígido dos parâmetros de liquidez para se adequar aos novos tempos. Isso foi necessário principalmente para fazer frente à decisão do Conselho Monetário Nacional de limitar em 45% a expansão das aplicações normais e aplicar um redutor da taxa de juros. O banco reduziu custos e efetuou o remanejamento de funcionários. Entre as medidas administrativas também centralizou a escrita e instituiu o Programa de Desburocratização. Houve a criação de uma diretoria adjunta com a missão de coordenar a captação de recursos e o desenvolvimento de novos produtos e serviços considerados fundamentais para o crescimento da economia gaúcha.
Ao mesmo tempo, acompanhando a evolução tecnológica do sistema financeiro e até se antecipando em algumas inovações, o Banrisul foi um dos primeiros bancos gaúchos a iniciar a automatização dos serviços. Houve um investimento expressivo na compra de um computador de grande porte e de outros, menores. Em 1982, foi implantada a automação da leitura de cheques e a transmissão de dados. As agências começaram a ser automatizadas, usando a tecnologia da microfilmagem e a comunicação telex-computador, integrando as agências.
É dessa época a criação das duas primeiras regionais de entrada de dados para processamento eletrônico, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Com a adoção da tecnologia, houve necessidade de capacitação da equipe e, para isso, foram treinados 4,8 mil funcionários, o que representou mais da metade do quadro funcional. No início da década, houve a instalação de um escritório de representação em Nova Iorque para dar suporte a empresas gaúchas de exportação e importação. Posteriormente, o escritório foi transformado em agência. As facilidades da tecnologia chegaram para os clientes com a instalação de terminais de computador para consultas on-line em agências de Porto Alegre e do Litoral. Os serviços de telesaldo - consulta via telefone - e de cobrança especial via telex também começaram a operar em 1983. No mesmo ano, o Banrisul decidiu estimular a criação de novas microempresas e instituiu o Programa de Crédito Proemprego.
O uso da tecnologia cresceu em 1984 e o Banrisul chegou a 292 agências integradas ao sistema de contas-correntes automatizadas no Centro de Processamento de Dados (CPD) Central. Em 1985, ano do fim do regime militar, o banco aplicou 29 bilhões de cruzeiros em automação. Houve a instalação de 219 terminais de clientes em 91 agências e postos de serviço, e a informatização das agências Central e Urbana da Azenha, na capital gaúcha. Para agilizar a transferência de fundos, as carteiras de câmbio foram conectadas em 1986, através de terminais de computador e telex, à Rede Internacional de Transferência de Fundos (Swift). A informatização avançou rapidamente e, em 1988, foi criado o Banrimicro, sistema pelo qual o cliente acessava o CPD através do seu microcomputador, podendo consultar informações de conta-corrente, FGTS, Ações Banrisul e Carteira de Letras.
Mas as dificuldades financeiras enfrentadas pelo governo gaúcho se refletiram no desempenho do banco. Em 1987, por exemplo, o total captado em depósitos à vista e a prazo líquido foi destinado a recompor as finanças do Estado. A situação se reverteu com o programa de saneamento financeiro que gerou superávit necessário para os investimentos em infraestrutura. O Banrisul, que já tinha formado a imagem de sólido e moderno, começou a se preparar para novos desafios.
 

ANOS 1990: Banco com múltiplas ações

Salas de autoatendimento, como a da agência central, foram disponibilizadas a partir de 1993
Salas de autoatendimento, como a da agência central, foram disponibilizadas a partir de 1993
/BANRISUL/DIVULGAÇÃO/JC
Uma das principais notícias para o Banrisul nos anos 1990 foi a autorização do Banco Central para que a instituição operasse como banco múltiplo, com as carteiras comercial, de crédito imobiliário e de crédito, financiamento e investimento. Ainda em 1990 implementou a caderneta de poupança. Em 1992, incorporou o Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Badesul) e a Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários do Estado do Rio Grande do Sul (Divergs). Foi o ano da unificação do Sistema Financeiro Estadual, com presidência única para o Banrisul e a Caixa Econômica Estadual. Com a incorporação do Badesul, o Banrisul ampliou sua capacidade de financiar o setor produtivo do Estado e disseminou o crédito a longo prazo.
A automação dos serviços continuou em curva ascendente e o banco ofereceu aos clientes o Banrisul eletrônico, para retirar extratos e sacar dinheiro. Antes, já tinha o Banrifax, pelo qual os clientes podiam obter informações sobre suas transações financeiras ao conectar seus aparelhos de fax ao sistema do banco. Em 1993, foi inaugurada a primeira sala de autoatendimento totalmente automatizada, no Praia de Belas Shopping, em Porto Alegre. A conjuntura econômica, entretanto, enfrentava muitos revezes. A mistura de inflação baixa com juros altos e aperto de crédito provocou inadimplência elevada, retração e demissões. Os bancos tiveram de se adaptar para segurar a queda de rentabilidade. Muitos não resistiram e quebraram. O governo reagiu e, em 1995, lançou o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) com fusão e incorporação de bancos.
O Banrisul fez a lição de casa. Adotou a reorganização interna da direção-geral e da rede de agências, programas de demissão voluntária e um novo modelo de gestão, instituído pelo Programa de Mobilização para a Gestão Estratégica (PMGE). O perfil de banco varejista foi reforçado em 1997. Dentro do Sistema Financeiro Estadual, concentrou a atividade bancária comercial, enquanto a Caixa Econômica Estadual - transformada em Agência de Desenvolvimento - especializou-se no fomento e promoção do desenvolvimento econômico e social do Estado.
O banco, que até a metade da década patrocinava apenas feiras econômicas e regionais, voltou-se também para a cultura em geral e para o meio ambiente. Em 1996, por exemplo, tornou-se o patrocinador oficial do Festival de Cinema de Gramado e passou a captar recursos para filmes brasileiros por meio do programa Banrisul Cinema, da Banrisul Corretora de Valores. Em 1998, quando completou 70 anos, além de um selo comemorativo também apresentou um lucro líquido de R$ 60,7 milhões.

ANOS 2000: Capitalização e estratégia digital

Banco entrou no século XXI ainda mais focado nas ações voltadas ao desenvolvimento da economia gaúcha, com investimentos na produção, educação, saúde e na geração de emprego e renda
Banco entrou no século XXI ainda mais focado nas ações voltadas ao desenvolvimento da economia gaúcha, com investimentos na produção, educação, saúde e na geração de emprego e renda
/CLAITON DORNELLES /JC
O Banrisul ingressou no século XXI firme em seu propósito de ser "um banco público rentável, sólido e competitivo, integrado às comunidades, às quais presta serviço com excelência". E continuou inovando na área tecnológica. Com uma decisão pioneira no mercado financeiro, optou por utilizar o software livre Linux em todos os seus equipamentos, o que representou economia, maior estabilidade e segurança. Com as fusões e aquisições no mercado financeiro, os bancos tiveram de se tornar ainda mais competitivos e o Banrisul percebeu o movimento de aumento da demanda de crédito e lançou produtos para todos os perfis de clientes, entre os quais o Credifácil Funcionário Público e Crédito Pessoal Credicarro. Depois ingressou também no ramo de Consórcios para a compra de tratores, automóveis e casas.
A forte ligação com a comunidade foi reconhecida em 2003, quando comemorou 75 anos. Pela primeira vez, o Banrisul obteve o primeiro lugar na pesquisa Top of Mind, como o banco mais lembrado pelos gaúchos. As ações voltadas ao desenvolvimento da economia gaúcha com investimentos na produção, educação, saúde e na geração de emprego e renda também se intensificaram. Em 2005, novamente o banco demonstrou estar à frente em relação à segurança nas transações eletrônicas e foi pioneiro na América Latina ao lançar o Cartão Internet Banrisul com chip.
Em 2007, o Banrisul deu mais um importante passo em sua trajetória com a conclusão do processo de capitalização e emissão secundária de ações preferenciais de titularidade do Estado do Rio Grande do Sul. Foi a maior colocação primária de ações com bancos na América Latina e os recursos de R$ 800 milhões reforçaram a base de capital do banco. O movimento permitiu financiar a expansão das operações de crédito e implementar estratégias comerciais e de investimentos em tecnologia da informação. Isso garantiu maior competitividade e fortaleceu ainda mais o papel de agente voltado ao desenvolvimento da economia gaúcha. O Banrisul aderiu ao Nível 1 de Governança Corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo e, ao terminar a década, já era uma das 500 melhores empresas do Brasil, ocupando a 110ª posição no ranking "As 500 melhores da dinheiro", e classificado em 83º na lista dos 100 maiores grupos econômicos do País, da publicação anual Valor Grandes Grupos.
De lá para cá, o banco avançou em sua estratégia digital para possibilitar a realização de operações financeiras com segurança em qualquer lugar e hora, e não descuidou da interação com a comunidade por meio de sua política de patrocínios. Em 2010, por exemplo, disponibilizou para os clientes pessoa física um canal de acesso via celular para realização de operações financeiras. Os números indicam que a instituição está na direção certa. Em 2017, o lucro líquido do Banrisul alcançou o recorde de R$ 1,053 bilhão, o que representou uma elevação de 59,6% sobre o apurado no ano anterior. Pelo resultado do balanço do primeiro semestre, o Banrisul encerrará 2018, com uma nova marca histórica. Apenas nos seis primeiros meses o lucro líquido já foi de R$ 505,9 milhões.
 
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