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Indústria Naval

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 24/05 às 19h53min

Polo naval: Estagnação pode se prolongar

ALINA SOUZA/PALÁCIO PIRATINI/JC
O conjunto de três estaleiros, instalados nas cidades de Rio Grande e São José do Norte, já chegou a empregar mais de 20 mil pessoas. Mas, com a movimentação drasticamente reduzida, conta atualmente com menos de mil trabalhadores, em funções de manutenção e conservação. Empresários e gestores públicos destacam a busca de alternativas para recuperar a região - tanto na aposta em novos negócios como na retomada da produção naval.
O compasso é de espera. O estaleiro QGI, em Rio Grande, aguarda os cascos das plataformas P-75 e P-77, que virão da China, mas provavelmente apenas no segundo semestre. O EBR, em São José do Norte, concluiu a P-74 em fevereiro e busca novas encomendas. "Acreditamos que, em médio prazo, teremos novos contratos de construção de módulos e integração no EBR", projeta o diretor-presidente do Arranjo Produtivo Local (APL) Polo Naval de Rio Grande e Entorno, Danilo Giroldo.
O terceiro estaleiro, o Rio Grande, é o de situação mais difícil, devido ao processo de recuperação judicial da empresa proprietária, a Ecovix (leia nesta página). Mas o polo naval, como um todo, sofre devido à decisão da Petrobras de não encomendar mais plataformas no Brasil, anunciada em 2017. "Embora possa se justificar tal decisão pela situação financeira da Petrobras, não houve qualquer política de redução de danos para uma região que se envolveu profundamente na indústria naval. As consequências dessa parada são muito graves", observa Giroldo, também vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
Para contornar essa crise, o governo do Estado vem tentando atrair negócios para o polo, tanto na área naval como em outras, como a produção de vagões de trem. "Ainda são só ideias", admite o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Evandro Fontana, que acrescenta: "Temos consultado entidades do setor industrial e ouvido empresas. Existem empresas interessadas em explorar o polo naval. O Estado procura ouvi-las e estabelecer contatos."
Em escala local, a busca é de impulso também em outros setores da economia. Uma novidade importante é o Parque Tecnológico Oceantec, da Furg, inaugurado recentemente, com a perspectiva de fomentar e diversificar a indústria local. "Na prática, as soluções para Rio Grande passam pela economia preexistente. Pela localização geográfica, a cidade tem possibilidades que outros municípios não têm", diz o prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer, sem menosprezar a importância do polo naval: "A indústria naval é importante não só para a cidade, mas para o Estado e o País, e movimentava também outros setores. Temos que buscar alternativas para manter essa indústria".
 

Ecovix pretende retomar atividades e busca parcerias

Em recuperação judicial desde 2016, a empresa Ecovix - proprietária do Estaleiro Rio Grande - pretende retomar as atividades no polo naval por meio de parcerias. Uma possibilidade, segundo a direção da empresa, seria a continuidade da construção da P-71, interrompida depois de rompido o contrato com a Petrobras - episódio que levou à demissão de cerca de 3,2 mil funcionários. O reinício dos trabalhos poderia gerar inicialmente em torno de 600 empregos, com apoio do grupo japonês Toyo - que mantém o estaleiro EBR, em São José do Norte.
Mas tudo ainda depende da aprovação do plano de recuperação judicial da companhia. Em abril, o Tribunal de Justiça do Estado decidiu permitir a retomada da assembleia de credores da Ecovix - etapa apontada como essencial para a empresa tornar possíveis novos negócios. A dívida total é de cerca de R$ 7,5 bilhões.
Para o Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande e São José do Norte, o quadro gera apreensão. "A Ecovix está mobilizando a opinião pública. Vemos um deslumbre, é quase uma novela mexicana. Mas queremos saber se a empresa realmente terá condições de contratar", diz o vice-presidente da entidade, Sadi Machado. O sindicalista prevê um ano inteiro de incertezas para o polo naval: "Talvez, no final deste ano, aconteça alguma coisa. Até lá, vamos sofrer".
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