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Indústria Petroquímica

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 24/05 às 20h03min

Polo de Triunfo projeta crescimento

ANDRÉ BECKER/DIVULGAÇÃO/JC
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) comemora a recuperação verificada pelo setor em 2017, com desempenho 2,5% superior ao de 2016. Com números positivos também em relação a empregos e consumo aparente, a entidade prevê crescimento em todos esses índices ao longo de 2018.
Essa também é a projeção feita pelas empresas do Polo Petroquímico de Triunfo. "A expectativa para o setor petroquímico do Rio Grande do Sul para este ano é de um crescimento acompanhando o incremento de vendas nos setores automotivo, do agronegócio e de caminhões, como também de seguir acompanhando uma melhora na economia em geral", diz o diretor-presidente da Arlanxeo Brasil, Angelo Brazil.
Com duas unidades no polo, que correspondem às antigas fábricas da Petroflex e da DSM, a Arlanxeo é uma das empresas de segunda geração presentes em Triunfo, ao lado de Innova, Oxiteno e Braskem - esta última, a maior produtora de resinas das Américas.
Outras duas empresas - White Martins e BRK Ambiental - também fazem parte do complexo, considerado um dos mais modernos e competitivos da América Latina.
Líder mundial na produção de borracha sintética, a Arlanxeo vê no polo de Triunfo um bom potencial estratégico para o mercado internacional. "No contexto do Brasil, nossa expectativa é de que o polo do Sul assuma uma posição de centralizar e prospectar o incremento do mercado petroquímico no Mercosul, tornando-se referência neste mercado", afirma Brazil.
Triunfo também representa um importante foco de negócios para a Innova, que está investindo R$ 500 milhões na duplicação de duas plantas no polo. Uma delas, que produz poliestireno expansível, estará pronta nos próximos meses. Outra, que irá fabricar monômero de estireno, será concluída em abril de 2019 e terá capacidade para produzir anualmente 420 mil toneladas do produto - presente em pneus, tintas, tecidos, piscinas, assentos de ônibus, barcos e outras aplicações, além de ser matéria-prima para as resinas produzidas pela empresa.
Outro destaque na presença da Innova em Triunfo tem sido a pesquisa. "Parte expressiva do capital intensivo envolvido na atividade petroquímica está canalizada para tecnologia e desenvolvimento. Mantemos na Unidade II, em Triunfo, o Centro de Tecnologia em Estirênicos, referência internacional, onde é possível reproduzir aplicações e alternativas de matérias-primas e processos, aplicando tecnologia de ponta", descreve o diretor de Operações da empresa, Claudio Rocha.
 

Aumenta rotatividade nas empresas

Reunindo mais de 5 mil colaboradores, entre empregos diretos nas empresas principais e funcionários terceirizados que atuam em prestadoras de serviço, o Polo Petroquímico de Triunfo apresenta um alto grau de especialização. "A maioria é de profissionais de nível técnico. Mas há uma boa proporção de profissionais de nível superior, mais do que no mercado em geral, por lidar com alta tecnologia", diz o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas de Porto Alegre e Triunfo (Sindipolo), Carlos Eitor Rodrigues.
Segundo o sindicato, o nível de emprego no polo tem se mantido estável, embora com uma crescente rotatividade. "O pessoal não fica muito tempo. Antes ficava até se aposentar, hoje é bem menos gente que faz isso", descreve Rodrigues, acrescentando: "O lado operacional tem muita coisa automatizada. Na indústria em geral, talvez (a petroquímica) seja uma das mais avançadas nesse sentido. Nos grandes complexos, sempre houve muito destaque em produtividade".
O número de trabalhadores presentes no polo aumentou consideravelmente entre março e abril, quando a Braskem realizou uma parada de manutenção na unidade de Químicos 2. Para desempenhar ações de limpeza e inspeção de equipamentos, a operação abrangeu mais de 2,5 mil profissionais, em momentos de pico. As tarefas envolvem pessoal terceirizado e funcionários da empresa. "Ninguém fica parado. Os empregados que já trabalham na fábrica ajudam a coordenar as equipes terceirizadas. Entra muita gente para trabalhar", relata Rodrigues.
Uma crítica das empresas à estrutura do polo diz respeito a aspectos logísticos. "Há muitas restrições técnicas para entrada e saída de cargas, situação que encarece os produtos e torna a operação mais lenta e custosa. Investimentos em infraestrutura na região são mais do que necessários para fazer valer todo o potencial de competitividade do Rio Grande do Sul", observa o diretor de Operações da Innova, Claudio Rocha.
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