A vez da influência dos MICRO



Rafael Terra é especialista em Marketing Digital e CEO da Fabulosa Ideia
CRÉDITO: LUCAS FRANCK/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Fofonka
Enquanto influenciadores digitais com milhares de seguidores emplacam campanhas publicitárias em seus canais, começa a entrar em evidência o poder daqueles que têm menos alcance, os microinfluenciadores. São pessoas normais, com impacto dentro de um determinado círculo e que conseguem resultados efetivos.
"Não tem nada a ver com fama, tem a ver com relevância dentro do contexto, mesmo que ele seja bem pequeno", aponta o especialista em Marketing Digital e CEO da agência Fabulosa Ideia, Rafael Terra. Por motivos óbvios, o investimento para que uma pessoa com menos seguidores dissemine a sua ideia também acaba sendo menor (e incomparável aos de grandes influenciadores). "Muitas marcas enormes não têm nada a ver com blogueiras de moda, por exemplo. Então, por que não descobrir quem são os influenciadores do seu nicho e aparecer para quem realmente interessa?", indaga. Mas esta pergunta o mercado está por fazer a si mesmo. Segundo Terra, as empresas ainda precisam descobrir o poder que está guardado com os microinfluenciadores.
"É um assunto novo que as marcas estão descobrindo, e cada vez vai ser mais assertivo pela questão do custo", acredita. Além de ser acessível para micro e pequenas empresas, pois não requer o investimento alto dos influenciadores famosos.
Neste contexto se insere o Marketing peer to peer, ferramenta que é trabalhada de dentro para fora nas empresas, em que os próprios funcionários são os principais influenciadores. "É a partir do colaborador que uma informação pode vir a ser um viral. As pessoas não têm só amigos, mas amigos de amigos. Atingem grupos onde o algoritmo da marca grande não chega", explica ele. O algoritmo tende a entregar conteúdo para quem já segue e acompanha a marca. Furar esta bolha seria o trabalho dos micro.
A empresa pode engajar o colaborador desde a admissão no setor de Recursos Humanos (RH), realizando treinamentos para alinhar o storytelling que a marca quer evidenciar, empoderando os funcionários para assumirem as narrativas e promovendo ações para que as equipes participem digitalmente.
"O segundo momento é produzir conteúdo colocando estes colaboradores como protagonistas. A melhor forma de engajar alguém é falar sobre esse alguém. Se ele está no centro, tende a se engajar ainda mais", recomenda Terra. Neste caso, o essencial não deve ser invisível aos olhos: "Não adianta contar algo fake", resume. Além do RH para captar profissionais competentes e ativos digitalmente, a comunicação e endomarketing são imprescindíveis para não causar o efeito contrário e acabar gerando mídias negativas para as empresas.
"A gente tem que saber que hoje o consumo da informação é muito fragmentado. Talvez esse microinfluenciador vá atingir um público que o grande não irá." O micro pode levar a marca onde a marca não alcança. Já pensou?
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Publicado em 26/03/2018.