O Sebrae e a Endeavor produziram conjuntamente a pesquisa Empreendedorismo nas universidades brasileiras, divulgada no final de 2016. A pesquisa mostrou que entre os alunos de ensino superior no Brasil, 5,7% já empreendem (empreendedores), 21% pensam em empreender no futuro (potenciais empreendedores) e 73,3% dos alunos não têm a intenção de abrir um negócio (não empreendedores).
Esses dados revelam uma realidade que também está presente na Universidade Feevale. "Internamente estamos trabalhando fortemente para a construção de um perfil empreendedor por parte do nosso egresso, fomentando, sempre que possível, essa atitude empreendedora, por meio de programas de formação", explica a reitora Inajara Ramos.
As estatísticas da ESPM mostram que 30 a 40% de seus alunos querem abrir o seu negócio. Outros querem ir para empresas, adquirir experiência e só depois abrir o seu negócio. E 25 a 30% querem seguir uma carreira. A ESPM tem uma incubadora com o objetivo de atender ao espírito empreendedor dos alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da Escola. O aluno se candidata e apresenta o projeto.
Os mais maduros e com possibilidades passam para a pré-incubação, momento em que se discute o projeto a ser proposto a fim de amadurecê-lo e lapidá-lo. São seis meses de aulas e debates e processos preparatório para participar da incubadora. Aqueles que forem aprovados entram na incubadora por até dois anos. Depois, seguem para o mercado. Antes de terminar o curso, a maioria já está com sua empresa montada.
O Vice-reitor da UCS, Odacir Deonisio Graciolli, lembra que a Serra gaúcha é conhecida pelo empreendedorismo, mas ressalva que o empreendedor contemporâneo tem que ter muito mais atributos do que somente boas ideias. "É preciso ainda conhecimento, projetos, disciplina, processos, motivação, recursos, equipe multidisciplinar e networking."
Formação transversal
Para Ir. Evilázio Teixeira, Reitor da PUCRS, é importante compreender que o empreendedorismo não significa tonar-se empresário. "Essa é uma visão reducionista do conceito de empreender. Inovação e empreendedorismo são apostas recentes na história das universidades brasileiras e por vezes mal compreendidas. Para nós, o empreendedorismo é também uma maneira de atuarmos diretamente no processo de desenvolvimento econômico da sociedade, e por isso estamos conscientes de que precisamos ensinar a empreender e trabalhar a formação empreendedora de maneira transversal, atingindo todos os cursos e carreiras."
Na FGV existe a mesma compreensão que o empreendedorismo não é apenas criar o seu negócio, mas pode ocorrer dentro das empresas. "O gerente que cria um novo produto ou um novo processo dentro de uma empresa também é um empreendedor. Portanto, o que vemos é que o mundo exigirá pessoas criativas dentro ou fora de organizações", observa o diretor Acadêmico da FGV, Gerson Lachtermacher
Segundo o Reitor da PUCRS, ser empreendedor, no cenário em que vivemos, já não é mais uma opção, mas uma condição de sobrevivência. "Estamos falando da habilidade do ser humano de transformar a realidade, a natureza, interagindo com ela, de tirar as ideias do papel. É um outro jeito de ver o mundo. O empreendedorismo pode estar em todas as nossas ações, podemos empreender em qualquer área do conhecimento, e não só no meio empresarial."
Por ser recente, o Reitor da PUCRS acredita que ainda é necessária uma longa caminhada a fazer como Universidade, para aplicar esse conhecimento na busca de melhores soluções para a sociedade onde atua. "Isso exige repensarmos nossas práticas docentes colocando, efetivamente, o estudante como centro, como foco de todo o processo de aprendizagem. "