É necessário empreender


Derly Fialho, 
Diretor-superintendente
do SEBRAE/RS Derly Fialho, Diretor-superintendente do SEBRAE/RS

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O que funcionou há 50 anos, não terá vez nos próximos dez, pois existe uma nova geração de empreendedores que está reescrevendo a sociedade em que vivemos


Historicamente, os momentos de dificuldades econômicas têm sido o berço de bons negócios. Enquanto alguns estão desanimados, se deixando levar pelo derrotismo, outros empreendedores identificam oportunidades para começar suas empresas. Podemos citar o exemplo de companhias bem-sucedidas como General Motors, AT&T, Disney, MTV, fundadas durante períodos de recessão econômica. É mais salutar encarar o momento como uma oportunidade para abrir novas trilhas, procurar portas abertas do que esmurrar a porta que se fechou.
Empresas e negócios podem e devem surgir em períodos de crise, pois é neles que o empreendedorismo se fortalece e se torna a principal alternativa para a retomada do crescimento econômico de um país. Dados da última pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostram que, de cada 10 brasileiros adultos, quatro já possuem ou estão envolvidos com a criação de uma empresa, maior índice em 14 anos. É um dado muito positivo, porém, para que estas empresas nascentes possam ter vida longa, é fundamental uma atuação diferenciada do empreendedor. Aqueles focados em resultados irão arregaçar as mangas e começar a trabalhar em um plano para sobreviver diante das adversidades iminentes. Como se fala popularmente no meio empresarial "em tempos de crise, uns choram, outros vendem lenços".
Mais do que possível, temos certeza de que empreender nestes momentos de dificuldade financeira é algo necessário, pois somente com empreendedorismo poderemos emergir da crise. Atitude empreendedora como a de empresários ou colaboradores, fazendo mais com menos e lançando mão de parcerias estratégicas, é o que fará a diferença para nos tornarmos uma nação mais desenvolvida e justa.
Porém, um ponto de alerta é que modelos inovadores que atendem a novas demandas e necessidades comumente estão assumindo o mercado de empresas ultrapassadas e ineficientes em períodos de recessão. É um processo de seleção natural, em que somente os preparados e dispostos sobrevivem. No livro Incansáveis, o autor Maurício Benvenutti ressalta que estamos vivendo uma época em que as coisas ficam obsoletas cada vez mais rápido, fazendo não só produtos e serviços desaparecerem e serem substituídos por outros, mas indústrias inteiras serem devoradas por formas mais eficientes de trabalho. O que preocupa é que muita gente não está percebendo esse movimento ou não quer enxergar. O fato é que estas mudanças não têm volta. O que funcionou há 50 anos, não terá vez nos próximos 10, pois existe uma nova geração de empreendedores que está reescrevendo a sociedade em que vivemos.
Hoje, celulares, redes sociais, computação em nuvem, internet das coisas, big data e várias outras inovações são facilmente convergidas, transformando não só produtos e serviços, mas modelos de negócios. Por isso, a necessidade de inovar é iminente. Mais do que isso, visualizar o futuro de cabeça aberta e trabalhar arduamente na busca de alternativas melhores e mais eficientes, de preferência quebrando paradigmas e conceitos tradicionais.
Confira a entrevista realizada com Derfly Fialho durante a premiação Marcas de Quem Decide:
Publicado em 27/03/2017.