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Porto Alegre, terça-feira, 08 de novembro de 2016. Atualizado às 23h54.

Jornal do Comércio

Panorama

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ESTREIA

Notícia da edição impressa de 09/11/2016. Alterada em 08/11 às 17h06min

Representante brasileiro no Oscar, filme Pequeno segredo estreia amanhã

Escolhido para representar o Brasil no Oscar, Pequeno segredo estreia amanhã

Escolhido para representar o Brasil no Oscar, Pequeno segredo estreia amanhã


DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Pequeno segredo já dividia opiniões antes mesmo do público assistir ao filme. Quando a produção foi anunciada como a representante brasileira para uma possível competição pelo Oscar de melhor título estrangeiro, o diretor David Schurmann e sua equipe se viram em meio a um furacão. Houve até quem já torcesse contra o filme - selecionado em detrimento de trabalhos como Aquarius (de Kleber Mendonça Filho, estrelado por Sonia Braga). Houve também, claro, aqueles que passaram a torcer a favor.
Depois de uma estreia limitada em algumas cidades no mês de setembro para cumprir os requisitos do Oscar, o longa-metragem, enfim, entra em cartaz amanhã. Polêmicas à parte, a narrativa não é um desastre cinematográfico e nem uma obra que redefinirá a produção audiovisual brasileira contemporânea. Baseado em uma história real, o título se debruça sobre a natureza do amor - um tema que invariavelmente tem a capacidade de dialogar com o grande público e emocioná-lo.
A história faz referência à família Schurmann, à qual pertence o próprio diretor do filme. Conhecidos por suas viagens marítimas, o casal Heloísa (papel de Júlia Lemmertz) e Wilfredo (Marcello Antony) aqui se dedica mais a Kat (a jovem Mariana Goulart). Filha adotiva do casal, a menina nasceu portadora do vírus HIV - e, em uma pré-adolescência vivida nos anos 1990, requer atenção especial.
Se o centro do enredo está na ligação entre mãe e filha, também são outras duas mulheres que conduzem os outros eixos do filme. Com narrativa dividida em três realidades, o longa dá espaço para o casal Jeanne (Maria Flor) e Robert (Errol Shand); e para Barbara (Fionnula Flanagan, do elenco de Lost), uma senhora que deseja que o filho aventureiro volte para casa, na Nova Zelândia.
Assinado em conjunto pelo diretor ao lado de Marcos Bernstein e Victor Atherino, o texto tem a seu favor a força de uma história real. A partir da montagem, pouco a pouco o espectador vai deduzindo a conexão entre os núcleos. Além do "segredo" em comum - que, se não é revelado com impacto, também não é tratado com sensacionalismo barato -, as três partes da história trabalham a ideia de família. Realizador e roteiristas exploram o combustível e as renúncias que estão envolvidos neste conceito, mesmo que a obra seja, em uma esfera, uma carta de amor específica aos Schurmann.
O cineasta, faz-se necessário dizer, é irmão de Kat e filho de Heloísa. Sua relação com boa parte da história, é, portanto, de proximidade. E talvez esse fator emocional tenha pesado em alguns elementos da abordagem. Júlia Lemmertz, por exemplo, interpreta uma personagem quase 100% correta e amável. A rigor, não há nada errado com isso, mas o antagonismo que uma das personagens exerce é tão grande que o roteiro acaba escorregando em direção a um dualismo artificial.
Ao partir de um microuniverso para atingir um espectro maior, uma ideia comum à contação de histórias, o longa-metragem cumpre trunfo importante para a experiência do espectador. E esse mérito tem valor adicional em um caso como este, no qual é a essência da história - mais do que a busca por imagens eternizáveis - que provavelmente vai ressoar após os créditos finais.
Dito isso, assim como cheio de ternura - em especial no retrato de Kat -, o longa-metragem também contém os lugares-comuns do melodrama, um gênero que frequentemente cai no exagero. Da música carregada até a utilização de narrações, o sentimentalismo é tônica durante as quase duas horas de enredo. Com essa característica, Pequeno segredo fica muito mais perto do tipo "filmão", que, se fosse norte-americano, poderia conquistar bilheterias expressivas, do que dos longas-metragens autorais e de provocações sociais habituais aos festivais de cinema.
A campanha pelo Oscar começou na semana passada em Los Angeles. Os nove semifinalistas serão conhecidos em dezembro - já o anúncio da seleção dos cinco concorrentes a melhor filme em língua estrangeira, assim como a lista completa de indicados, está previsto para 24 de janeiro. Obras como Elle (França), de Paul Verhoeven, e Toni Erdmann (Alemanha), de Maren Ade, já despontam como possíveis nomeados.
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