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ESTREIA Notícia da edição impressa de 07/01/2016. Alterada em 06/01 às 18h15min

Venenos em excesso em Os oito odiados

DIAMOND FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Samuel L. Jackson protagoniza Os oito odiados, novo filme de Quentin Tarantino

Ricardo Gruner

O nome Quentin Tarantino já virou um selo, e há um culto em torno de seus filmes. Um dos poucos cineastas badalados tanto pela crítica quanto pelo público, ele retorna em boa forma com Os oito odiados. Sucessor de Django livre (2012), o novo título da carreira do diretor e roteirista norte-americano entra em cartaz definitivamente após uma semana de sessões pontuais em pré-estreia. Com a marca do realizador e disfarçado de entretenimento puro, o faroeste aponta hipocrisias sociais e destaca o racismo e misoginia que se estendem da formação dos Estados Unidos da América até a contemporaneidade.
A polêmica envolve o trabalho há dois anos: em janeiro de 2014, o roteiro do longa-metragem vazou, e Tarantino chegou a cogitar abandonar o projeto. Agora, após exibições, é o teor da violência que dá o que falar - o próprio compositor da trilha sonora, Ennio Morricone, disse ter ficado impressionado, embora entenda o produtor.
A trama se passa alguns anos após o fim da Guerra Civil americana. Neste panorama, entram em cena dois caçadores de recompensas: Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), com alguns cadáveres como bagagem, e John Ruth (Kurt Russel), que carrega uma prisioneira. Os dois querem ganhar gratificações em Red Rock, mas enfrentam as consequências de uma forte nevasca - que os obriga a procurar refúgio em uma parada na estrada, onde eles encontram um grupo de outros viajantes.
Grande parte das controvérsias sobre o filme está nos maus bocados pelos quais passa Daisy Domergue (papel de Jennifer Jason Leigh, o destaque individual do filme). A detida é vítima de agressões físicas que provocam reações adversas naqueles que estão no retiro - artifício com que Tarantino satiriza noções morais até dos personagens mais próximos do senso de justiça. Não há bem ou mal no enredo, cuja trama simplória contrasta com o caráter escorregadio de seus protagonistas.
O palco principal é o armazém onde todos fogem do frio, em estratégia capaz de desapontar os desavisados. Um faroeste filmado em 70 mm Panavision (com ênfase na largura da tela) sugere tomadas abertas a céu aberto, mas não é isso o que acontece. O diretor usa e brinca com convenções ao apresentar um palco fechado e de apenas quatro paredes. É a movimentação dos estranhos em cena, então, a responsável por criar um clima de tensão que se mistura à verborragia. Fruto da direção segura do cineasta, o espectador acaba como um daqueles personagens, ouvindo tudo e acompanhando o caos se formar.
E se Tarantino é um diretor reconhecidamente cinéfilo - recortando e reciclando cenas e sequências de filmes de todos os gêneros e procedências -, agora parece fazer graça de si mesmo também. Uma vez que o banho de sangue na vingança de Django já causou divergências, agora o diretor propõe uma versão ainda mais caricata, e chega até a desconstruir a narrativa em um dos capítulos que dividem a história. O diretor é inegavelmente alguém que se diverte fazendo cinema, mesmo que seus caprichos não sejam para todos os gostos.
No entanto, o apreço especial pela forma não quer dizer que Os oito odiados seja apenas um exercício ao seu bel-prazer. A reunião de personagens que o roteiro apresenta não é escolhido à toa. No núcleo central, há um negro, uma mulher, um mexicano e uma maioria de homens brancos de diversas procedências. Ao longo de quase três horas de duração, Tarantino e seus protagonistas demonstram incongruências comportamentais - algumas medidas e julgamentos valem para uma minoria e não para outra, por exemplo, e essas intolerâncias são constantemente reelaboradas. Para completar, se o armazém em que a história se passa é um retrato de uma sociedade, sobra até para o público - que ri, com cumplicidade, dos absurdos em questão.
Já o elenco inclui nomes como o veterano Bruce Dern (Nebraska), Walton Goggins (que também aparece em Django livre), e uma dupla do já clássico Cães de aluguel (Tim Roth e Michael Madsen). No Globo de Ouro, cuja cerimônia acontece neste domingo, o filme concorre a três estatuetas: melhor atriz coadjuvante (Jennifer Jason Leigh), roteiro (Tarantino) e trilha sonora (Morricone).
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