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Porto Alegre, sexta-feira, 15 de julho de 2016. Atualizado às 00h03.

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Cinema

Notícia da edição impressa de 15/07/2016. Alterada em 15/07 às 00h03min

O adeus ao diretor Hector Babenco

Cineasta de O beijo da mulher-aranha sofreu infarto fulminante na quarta-feira

Cineasta de O beijo da mulher-aranha sofreu infarto na quarta-feira


ANTONIO PAZ/JC
Cristiano Vieira, com agências
Um infarto na noite de quarta-feira matou, aos 70 anos, o diretor Hector Babenco. Argentino radicado no Brasil, Babenco foi um dos mais importantes cineastas do País. Realizou obras importantes como O beijo da Mulher-Aranha (1985); Lúcio Flávio - O passageiro da agonia (1976); Pixote - A lei do mais fraco (1982) e Carandiru (2003).
Babenco nasceu em Mar del Plata, Argentina, em 1946. Era filho de imigrantes judeus. Saiu da Argentina porque não queria prestar o serviço militar e foi viajar pela Europa. Desembarcou no Brasil em 1969, já casado com a italiana Fiorella Giovagnolli.
Vivendo em São Paulo na virada dos anos 1960 para os 1970, trabalhou como vendedor de enciclopédias e fotógrafo de restaurantes. A pedido da Secretaria Municipal de Cultura fez seu primeiro documentário em 1972, sobre o Masp. No ano seguinte, retratou a vida do piloto Emerson Fittipaldi em O fabuloso Fittipaldi.
O crítico de cinema do Jornal do Comércio, Hélio Nascimento, salienta que a carreira do argentino mostra um cinema marcado pela correção formal e, consequentemente, pela busca do interesse do espectador. "Ele foi, também, o cultor de uma arte voltada para a criação do personagem e pela trajetória de criaturas que, vivendo em determinada sociedade, refletissem em seu destino dilemas e impasses reveladores", explica Nascimento.
A notoriedade chegou para o realizador quando migrou para o cinema de ficção. Seu primeiro longa do gênero foi O rei da noite (1975), sobre a história de Tertuliano (Paulo José), filho de família tradicional que cai na boemia - e nos braços da prostituta Lupi (Marília Pêra). O êxito que obteve o credenciou para dirigir seu próximo filme, um dos mais assistidos da história do cinema nacional: Lúcio Flávio - Passageiro da agonia, drama político sobre um assaltante de bancos na época da ditadura. O personagem foi vivido por Reginaldo Faria. Lúcio Flávio levou quatro prêmios no Festival de Gramado e foi eleito o melhor filme do júri popular na Mostra de Cinema de São Paulo. "Com este filme, Babenco foi um dos primeiros a abordar, de maneira direta, o tema da corrupção associada à violência, num cenário atual até hoje", afirma Nascimento.
Em 1982, o diretor lançou uma de suas mais famosas obras: Pixote - A lei do mais fraco, história de um garoto pobre que sai da Febem e perambula pelas ruas de São Paulo. Entre idas e vindas, topa com uma prostituta Sueli, um dos papéis mais famosos de Marília Pêra. "Sem dúvida, ele deixou para o nosso cinema este que é um de seus mais belos e contundentes filmes", relata Nascimento.
Três anos após, Babenco dirigiu aquele que foi o filme de maior repercussão internacional de sua carreira: a coprodução Brasil-EUA O beijo da Mulher-Aranha, baseado em romance de Manuel Puig.
Na trama, dois presidiários (William Hurt e Raul Julia), de personalidades absolutamente distintas - um homossexual e um militante político - fantasiam enquanto dividem a cela numa cadeia sul-americana. O filme conta com Sonia Braga no elenco e rendeu a Babenco uma indicação tanto ao Oscar quanto à Palma de Ouro, em Cannes.
Babenco acabou ficando sem a estatueta da Academia, mas Hurt levou o Oscar de ator como Luis Molina, o sujeito afeminado que roda pelas ruas de São Paulo. Nos anos 1990, o diretor foi vítima de um câncer no sistema linfático que o levou a um transplante de medula e a uma série de sessões de quimioterapia.
Em 2003, já recuperado do câncer, o cineasta lançou Carandiru. Wagner Moura, Caio Blat, Milhem Cortaz vivem presidiários nesse que é um dos mais caros filmes do cinema brasileiro e que retrata o massacre na Casa de Detenção.
Babenco pode ser definido como um realizador que tomou seu rumo próprio do cinema, fugindo de inovações. "Ao preferir a narrativa clássica mostrou que tal opção, a mesma de tantos mestres do cinema, não é apenas a base de tudo, pois é aquela que oferece ao cineasta amplo espaço para a reflexão e no qual possam se mover figuras humanas verdadeiras", finaliza Nascimento.
No ano passado, Babenco finalizou seu último longa, o autobiográfico Meu amigo hindu, que retrata um diretor de cinema (Willem Dafoe) às voltas com um tumor agressivo. O cineasta esteve em Porto Alegre em março deste ano para o lançamento, quando conversou com o JC.

As principais obras do diretor

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