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Publicada em 30 de Março de 2026 às 00:55

Conexões que sustentam sistemas

A dupla de empreendedores Cesar e Greta Paz marcou presença no Marcas de Quem Decide

A dupla de empreendedores Cesar e Greta Paz marcou presença no Marcas de Quem Decide

DANI BARCELLOS/ESPECIAL/JC
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Cesar Paz, Empreendedor e ativista da inovação


As novas ondas de empreendedorismo em tempos de transformação digital criaram uma mentalidade simples: empreender, crescer e vender. Como se o sucesso estivesse concentrado nesse ponto final.
Cesar Paz, Empreendedor e ativista da inovação
As novas ondas de empreendedorismo em tempos de transformação digital criaram uma mentalidade simples: empreender, crescer e vender. Como se o sucesso estivesse concentrado nesse ponto final.
Nós vivemos essa história na indústria da publicidade. Duas vezes, dois ciclos completos.
Somos pai e filha, empreendedores de gerações diferentes, que construíram empresas em jornadas relativamente curtas e, em momentos distintos, chegamos ao chamado “exit”, com a venda da AG2 e da Eyxo para grupos internacionais. O ciclo mais recente, juntos.
Mas a principal lição desses processos não foi sobre vender.
Foi sobre o que permanece e sobre a fragilidade de um modelo que trata conexões como meios para um fim, e não como estruturas que sustentam o que continua.
Esse deslocamento muda a forma como entendemos o sucesso. Durante muito tempo, ele foi associado a um ponto de chegada. Mas, na prática, o exit nunca é o fim de uma jornada. Ele reposiciona o empreendedor e a empresa dentro de novos sistemas.
E talvez esse seja o ponto central: as empresas não operam isoladamente. Fazem parte de sistemas.
A pesquisadora Donella Meadows, referência em pensamento sistêmico, mostrou que quase tudo o que importa acontece dentro de sistemas interconectados e que compreender suas conexões e seus fluxos é essencial para intervir de forma efetiva neles.
Quando ignoramos isso, passamos a otimizar partes e a desorganizar o todo.
No mundo dos negócios, isso se traduz em decisões eficientes no curto prazo, mas frágeis no longo. Crescemos em métricas, mas perdemos coerência. Escalamos resultados imediatos, mas fragilizamos relações que nos sustentam.
É aqui que as conexões precisam ser revisitadas.
Nos negócios e na construção de marcas, conexões estratégicas não são apenas relações que viabilizam crescimento. São estruturas que organizam fluxos de valor, cultura e impacto e é a qualidade desses fluxos que determina a sustentabilidade de qualquer trajetória.
Empresas são organismos vivos inseridos em ecossistemas mais amplos. Ignorar isso é produzir crescimento desconectado e, portanto, insustentável.
Talvez o maior erro seja tratar o fim de um ciclo como sucesso.
Ele não é.
É um estado transitório dentro de um sistema em movimento.
Porque sucesso não é sobre terminar um ciclo.
É sobre manter vivos e coerentes os fluxos e as conexões que o tornaram possível.

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