Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 01 de Junho de 2026 às 00:25

Nova usina da Be8 deverá ser entregue até o final do ano

Cerca de 75% das obras já foram realizadas; usina em Passo Fundo fabricará etanol, hidrogênio verde, glúten vital, DDGS e CO2 purificado

Cerca de 75% das obras já foram realizadas; usina em Passo Fundo fabricará etanol, hidrogênio verde, glúten vital, DDGS e CO2 purificado

/Be8/Divulgação/JC
Compartilhe:
Ana Stobbe
Ana Stobbe Repórter
A construção da nova usina de biocombustíveis da Be8, em Passo Fundo, na Região da Produção, segue a todo o vapor. Ao todo, 75% do projeto está completo, especialmente na parte de engenharia, suprimentos e no canteiro de obras, em todas as edificações. Até o final de 2026, as obras deverão ser entregues para que a estrutura entre em funcionamento no mês de março de 2027, operando na sua capacidade máxima. As informações são do vice-presidente de Operações da Be8, Leandro Zat. 
A construção da nova usina de biocombustíveis da Be8, em Passo Fundo, na Região da Produção, segue a todo o vapor. Ao todo, 75% do projeto está completo, especialmente na parte de engenharia, suprimentos e no canteiro de obras, em todas as edificações. Até o final de 2026, as obras deverão ser entregues para que a estrutura entre em funcionamento no mês de março de 2027, operando na sua capacidade máxima. As informações são do vice-presidente de Operações da Be8, Leandro Zat. 
“Estamos avançando de forma satisfatória dentro do cronograma, principalmente nos prédios da caldeira, moinhos, destilaria, docas de fermentação, toda a parte de estocagem, logística, tanques de etanol e silos de armazenamento de cereais”, avalia o executivo. 
A usina deverá gerar diferentes produtos. Entre eles, está prevista a produção de 210 milhões de litros de etanol e de 153,2 milhões de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) por ano. A fabricação será realizada a partir de uma capacidade de esmagamento de grãos anual de 525 mil toneladas. 
Além disso, há o glúten vital, que pela primeira vez será produzido em solo brasileiro, e que é um ingrediente essencial para a indústria alimentícia. A empresa também será pioneira na fabricação em larga escala do produto. A capacidade é de 26,9 mil toneladas do produto ao ano. O CO2 produzido também será comercializado, sendo fornecido a fabricantes de bebidas. 
A expectativa é de que o complexo industrial fomente as culturas de inverno, entre elas o trigo e o triticale. Como o uso será voltado à transformação da matéria-prima, poderão ser utilizados os grãos que não atenderiam aos padrões exigidos pelo setor alimentício, que costuma ter regras rigorosas. 
Há, nesse sentido, uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para o desenvolvimento de cultivares específicas de triticale para a produção de biocombustíveis. O cereal é ideal para a geração de energia por ter um alto teor de amido e uma boa atividade enzimática, o que contribui no processo de produção de etanol. 
Outra iniciativa é uma parceria com a Biotrigo Genética. A união fez com que fossem desenvolvidas duas variedades de trigo destinadas à produção de etanol e DDGS. Por possuírem elevados níveis de amido, as linhagens são ideais para a produção do biocombustível.
“Estamos na fase de início dos plantios. Algumas regiões estão com os plantios de trigo um pouco mais precoces, avançando bem pelas condições climáticas. Agora, vamos ter uma janela favorável para colocar essas sementes na terra. Temos algumas cultivares que estamos trabalhando dentro do nosso ecossistema raiz, estamos evoluindo bem. A área de trigo, neste ano, de forma geral, deve ter redução. Mas estamos felizes com os avanços que tivemos, o entendimento dos cooperados sobre o programa e o quanto essa nova indústria vai trazer de oportunidade para o setor tritícola do Rio Grande do Sul”, comenta Zat. 
No mesmo complexo industrial, está prevista a produção de hidrogênio verde (H₂V), com investimento total de R$ 38,7 milhões, sendo R$ 29,7 milhões em subvenção do governo estadual a partir do Badesul e R$ 8,9 milhões de contrapartida da empresa. A expectativa é de produzir a fonte de energia renovável e construir o primeiro posto de abastecimento do País voltado ao transporte de cargas com tecnologia de ponta e utilização do H₂V.
O prazo para o início da fabricação, entretanto, é posterior aos demais projetos. Conforme a assessoria de imprensa da Be8, a operação de hidrogênio verde deverá começar 24 meses após a assinatura do contrato com o governo estadual gaúcho, que foi realizada em 31 de outubro de 2025. 

Produção já tem destinos conhecidos

Em setembro de 2025, durante imersão da imprensa aos projetos da ECB Holding, da qual faz parte a Be8, em Passo Fundo, o empresário Erasmo Carlos Battistella garantiu que haverá mercado consumidor do etanol. Afinal, já foi estabelecida uma parceria com a Petronas, bandeira combustíveis trazida ao País pelo também gaúcho Grupo Argenta, que também ostenta a rede de postos SIM.
No caso do CO2, gerado durante o processo de fermentação para produção de etanol, foi assinado um protocolo de intenções com a Air Liquide Brasil, empresa que realizará a purificação do gás para posterior comercialização. Com isso, o que seria uma emissão de dióxido de carbono na atmosfera será transformada em insumo industrial, destinada a diferentes fins.
Entre seus possíveis usos estão gases medicinais e terapêuticos para hospitais; soldagem e resfriamento no setor metalmecânico; refrigeração e controle ambiental; e ambientes de estufa nos setores de agricultura e hortifuti. O principal deles, entretanto, é voltado à indústria de bebidas, que tem no gás um ingrediente do processo de carbonatação. 

Os produtos da nova usina de biocombustíveis

  • 210 milhões de litros de etanol ao ano
  • 153,2 milhões de DDGS ao ano
  • 26,9 mil toneladas de glúten vital ao ano
  • CO2 purificado
  • Hidrogênio verde (a partir de 2027) 

Notícias relacionadas