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Publicada em 29 de Junho de 2026 às 20:47

Um mapa com 100 oportunidades para o Rio Grande do Sul avançar

Indústria da inovação ganha impulso com parques tecnológicos de universidades, empresas consolidadas e startups

Indústria da inovação ganha impulso com parques tecnológicos de universidades, empresas consolidadas e startups

TÂNIA MEINERZ/JC
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Guilherme Kolling
Guilherme Kolling Editor-chefe
O Rio Grande do Sul enfrenta pelo menos três grandes desafios para avançar economicamente: infraestrutura, mão de obra e clima.
O Rio Grande do Sul enfrenta pelo menos três grandes desafios para avançar economicamente: infraestrutura, mão de obra e clima.
A precariedade de algumas estradas e a falta de duplicação de vias estruturais prejudicam todas as regiões do Estado, assim como a carência de outros modais, caso do ferroviário. A falta de trabalhadores para preencher vagas abertas em empresas é queixa recorrente em diferentes partes do solo gaúcho. E os efeitos de eventos climáticos afetam a vida de todos, além de ter grande impacto econômico – quatro estiagens e uma grande enchente em seis anos fizeram o RS perder espaço no Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
São temas estruturais que estão na agenda do RS, como mostraram os 20 encontros regionais realizados desde 2023 pelo Jornal do Comércio, nas quatro temporadas do projeto Mapa Econômico do RS. Foram visitadas 17 cidades gaúchas e ouvidas mais de 2 mil lideranças, entre dirigentes de entidades de classe, de associações comerciais e industriais, empresários, executivos, gestores públicos, acadêmicos e profissionais liberais.
O enfrentamento a esses entraves, dependendo da maneira como forem encarados, pode trazer novas oportunidades de desenvolvimento econômico. É o caso da instabilidade no volume de chuvas, que atinge em cheio as lavouras gaúchas.
A irrigação é uma solução para minimizar impactos em temporadas de baixos índices pluviométricos, dando certa estabilidade à produção agrícola, o que por consequência evitaria ciclos de "eletrocardiograma" no PIB gaúcho, que oscila conforme o clima – quando é bom para o agro, sobe; quando é ruim, desce.
Há muito espaço para avançar. O percentual de áreas que utilizam irrigação é pequeno, mas onde a ferramenta é utilizada no RS, os efeitos benéficos são perceptíveis.
O investimento em recuperação e duplicação de rodovias, além de baratear custos logísticos – tema fundamental para a competitividade do Estado que está no extremo sul do Brasil – também estimula novos negócios.
Um exemplo é a estrada federal BR-386, concedida ao setor privado e duplicada parcialmente. Nos trechos onde as obras já avançaram, emergem a instalação de novos centros logísticos e plantas industriais. A rodovia estadual ERS-118 é outro exemplo desse ciclo virtuoso criado a partir da duplicação.
Finalmente, a falta de trabalhadores para vagas formais disponíveis é um problema agravado, no Rio Grande do Sul, pelo envelhecimento da população, que começará a cair a partir de 2027. É preciso reter talentos e atrair habitantes. Dado levantado pela reportagem do JC mostra que ao fim de 2025 eram mais de 53 mil trabalhadores estrangeiros no mercado formal, revelando uma das alternativas: a atração de imigrantes.
São exemplos de desafios que precisam ser encarados para que o Estado avance. Mas o projeto Mapa Econômico do RS vai além e mapeia potencialidades de desenvolvimento nas diferentes regiões. Entre novos projetos e desdobramentos de cadeias produtivas consolidadas, foram identificadas 100 oportunidades.
E várias delas já saíram do papel, como a produção de biocombustíveis no Norte do RS, a expansão do enoturismo na Serra, o crescimento da indústria de alimentos e bebidas na Região Central, a retomada do polo naval na Região Sul e a cadeia da inovação na área Metropolitana.
O interessante é que todas as regiões apresentam projetos importantes para o desenvolvimento, confirmando a diversidade econômica do Estado, um dos ativos do RS.
Na Macrorregião Metropolitana, tema desta edição, o ecossistema de inovação tem sido fomentado há décadas em parques tecnológicos vinculados a universidades, grandes empresas, startups e poder público.
Os resultados, que vinham sendo observados tanto em formação de talentos quanto na atração de empresas, ganharam impulso com novos investimentos, como a instalação de uma fábrica de semicondutores em Cachoeirinha. Verifica-se ainda a multiplicação de projetos de desenvolvimento em Inteligência Artificial, como o laboratório da Dell no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.
A inovação é mais um vetor importante da economia da área mais populosa e com maior PIB do RS, que já se diferenciava pelo setor de serviços, com destaque para o polo de saúde, o principal do Sul do Brasil. Outro setor importante é a construção civil, que cresce com novos estímulos especialmente em Porto Alegre e no Litoral Norte, os dois maiores mercados gaúchos.
Não menos importante é a produção fabril de munícipios no entorno da capital gaúcha, com o Polo Petroquímico de Triunfo, a montadora da General Motors em Gravataí, a fábrica de celulose da CMPC em Guaíba e a diversidade industrial de municípios do Vale do Sinos.
As oportunidades e os desafios apontados pelo Mapa Econômico do RS são indicadores que ajudam a analisar como está o desenvolvimento das regiões, bem como apontar tendências.
São informações em camadas, com dados sobre o Estado, as cinco macrorregiões, os 28 Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento, subdivisão do RS em microrregiões) e os 497 municípios gaúchos. Esta é a quinta edição de 2026 e fecha o retrato do RS.
O resultado é um panorama das diferentes cadeias produtivas, mostrando janelas de oportunidades para estimular o desenvolvimento e caminhos para o RS superar desafios.

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