Segundo Kolling, ao longo dos 20 encontros realizados ao longo de quatro temporadas do Mapa Econômico do RS desde 2023, dois desafios apareceram de forma recorrente nas diferentes regiões: a necessidade de melhorias em infraestrutura e a dificuldade crescente de mão de obra, agravada pelo envelhecimento da população.
A esses fatores soma-se o impacto climático, considerado um elemento decisivo para o desempenho econômico recente. "Nos últimos seis anos, o Rio Grande do Sul enfrentou quatro estiagens e uma grande enchente, o que afetou diretamente o Produto Interno Bruto (PIB)", afirmou.
Kolling também destacou a volatilidade do crescimento estadual em comparação ao cenário nacional onde o PIB brasileiro apresenta uma evolução mais linear, mas o desempenho do Rio Grande do Sul oscila, refletindo a dependência de fatores climáticos, especialmente no agronegócio.
No aspecto populacional, os dois últimos Censos do IBGE mostram que apenas 3 dos 28 Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento, microrregiões que formam a divisão oficial do RS) registraram crescimento populacional de dois dígitos entre 2010 e 2022: Litoral, Hortênsias e Vale do Taquari.
O aumento da presença de imigrantes no mercado formal surge como um dado relevante em que o Estado encerrou 2025 com mais de 53 mil trabalhadores estrangeiros com carteira assinada, com destaque para Caxias do Sul e Porto Alegre, além de municípios da Macrorregião Norte em expansão industrial.
Apesar dos desafios, o levantamento identificou 100 oportunidades de desenvolvimento distribuídas pelas cinco macrorregiões do Estado. Entre elas, destacam-se a industrialização de grãos e produção de biocombustíveis no Norte, a expansão da indústria de alimentos e bebidas na Macrorregião Central, investimentos no polo naval e energia eólica na Macrorregião Sul e Fronteira, o crescimento do enoturismo na Serra Gaúcha e o avanço de polos de inovação e saúde na Região Metropolitana.
A metodologia do Mapa Econômico do RS divide o Estado em cinco macrorregiões, a partir das 28 divisões oficiais dos Coredes, agrupadas por proximidade geográfica e afinidade econômica. O estudo cruza dados estaduais, regionais e municipais para traçar uma radiografia detalhada da economia gaúcha.
Kolling ressaltou ainda que o projeto se apoia em uma ampla base de dados, construída a partir de informações públicas, entrevistas e levantamentos próprios do jornal, que já tem tradição em produzir indicadores da economia do Rio Grande do Sul, como o Anuário de Investimentos do RS e a pesquisa Marcas de Quem Decide. "A proposta é entender onde estamos para projetar o futuro", afirmou.