Segundo Kolling, ao longo dos 20 encontros já realizados em diferentes regiões, dois desafios apareceram de forma recorrente: a necessidade de melhorias em infraestrutura e a dificuldade crescente de mão de obra, agravada pelo envelhecimento da população.
A esses fatores soma-se o impacto climático, considerado um elemento decisivo para o desempenho econômico recente. “Nos últimos seis anos, o Rio Grande do Sul enfrentou quatro estiagens e uma grande enchente, o que afeta diretamente o Produto Interno Bruto (PIB)”, afirmou. Em 2024, o PIB gaúcho foi de R$ 753 bilhões, representando 5,9% da economia nacional. Em 2019, essa participação era de 6,5%, evidenciando perda de espaço em anos marcados por adversidades climáticas.
Kolling também destacou a volatilidade do crescimento estadual em comparação ao cenário nacional onde o PIB brasileiro apresenta uma evolução mais linear, mas o desempenho do Rio Grande do Sul oscila, refletindo a dependência de fatores climáticos, especialmente no agronegócio.
Dados do levantamento mostram que apenas três dos 28 Coredes registraram crescimento populacional de dois dígitos entre 2010 e 2022: Litoral, Hortênsias e Vale do Taquari. Em contrapartida, a Região Metropolitana perdeu cerca de 700 mil habitantes no período. A tendência de queda populacional deve se intensificar a partir de 2027, com projeção de redução de até 2 milhões de habitantes até 2070, caso não haja mudanças estruturais.
O aumento da presença de imigrantes no mercado formal surge como um dado relevante em que o Estado encerrou 2025 com mais de 53 mil trabalhadores estrangeiros com carteira assinada, com destaque para Caxias do Sul e Porto Alegre, além de municípios do Norte em expansão industrial.
Apesar dos desafios, o levantamento identificou 100 oportunidades de desenvolvimento distribuídas pelas cinco macro-regiões do Estado. Entre elas, destacam-se a industrialização de grãos e produção de biocombustíveis no Norte, a expansão da indústria de alimentos no Centro, investimentos no polo naval e energia eólica no Sul, o crescimento do enoturismo na Serra e o avanço de polos de inovação e saúde na Região Metropolitana.
A metodologia do Mapa Econômico divide o Estado em cinco macro-regiões, a partir das 28 divisões oficiais dos Coredes, agrupadas por proximidade geográfica e afinidade econômica. O estudo cruza dados estaduais, regionais e municipais para traçar uma radiografia detalhada da economia gaúcha.
Kolling ressaltou ainda que o projeto se apoia em uma ampla base de dados, construída a partir de informações públicas, entrevistas e levantamentos próprios do jornal, como o Anuário de Investimentos e a pesquisa Marcas de Quem Decide. “A proposta é entender onde estamos para projetar o futuro”, afirmou.