Entre as cinco regiões em que o
Mapa Econômico do RS divide o Estado, a área que vai do Sul até a Fronteira Oeste, passando pela Campanha, é a que registra o
menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita.
Com grande extensão territorial, essa parte do Rio Grande do Sul representa uma fatia de 12,55% no total das riquezas produzidas em solo gaúcho (dados de 2023, os mais recentes divulgados do PIB de municípios, que permite fazer esse recorte regional).
O município de Rio Grande é um exemplo. Abriga
um dos mais importantes distritos industriais do Estado, o Porto Indústria, que recebeu investimentos bilionários nos últimos anos, como a ampliação da
fábrica de fertilizantes da Yara Brasil.
Ali também há expectativa pela retomada do polo naval, no Estaleiro Rio Grande, já que a Ecovix venceu duas licitações da Transpetro, que encomendou a construção de navios, mais um projeto na cifra do bilhões.
São R$ 6 bilhões que serão alocados na conversão da Refinaria Riograndense em biorrefinaria – a Petrobras já deu sinal verde à iniciativa, mas depende da sócia Braskem, que está em processo de consolidação de um novo controlador.
Outros R$ 6 bilhões disponíveis são do Grupo Cobra, da Espanha, que quer tocar o projeto de térmica a gás natural e terminal de regaseificação – mas ainda depende de aval da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Fecha a soma o terminal de celulose da CMPC no porto, projeto de R$ 1,8 bilhão, que espera o avanço do projeto de licenciamento da nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, alvo de ação judicial do Ministério Público Federal.
O empreendimento da CMPC totaliza R$ 27 bilhões para o Rio Grande do Sul, a maior parte será alocada na Região Centro-Sul, onde será instalada a planta. Compreende outras obras de infraestrutura além do plantio de eucalipto em diversos municípios para abastecer a indústria com matéria-prima para a produção de celulose.
Além de novos free shops do lado brasileiro, usinas eólicas são novidade na economia local e na paisagem de Santana do Livramento
TÂNIA MEINERZ/JC
Paralelamente, diversas outras iniciativas avançam, caso de novos parques eólicos em Santana do Livramento ou a implantação de novas culturas no agro, como o plantio de olivas e uvas – usadas na fabricação de azeite de oliva e vinhos –, que ganham terreno ano após ano.
A matriz tradicional segue forte, com a produção de soja e arroz, esse último com beneficiamento exatamente nessa parte do Rio Grande do Sul. A chamada carne do Pampa também conquista novos mercados, agregando valor com um gado criado a pasto, rastreabilidade e identificação geográfica. Os ovinos, cujo maior rebanho está em Santana do Livramento, também são valorizados, com interesse pela carne de cordeiro.
A Macrorregião Sul vive, ainda, o desafio da perda de população, sofrendo com esse efeito ainda antes do Estado. Enquanto no Rio Grande do Sul a projeção é que o número de habitantes comece a cair a partir de 2027, as microrregiões da Campanha, Fronteira Oeste, Sul e Centro-Sul já perderam população entre 2010 e 2022, datas dos últimos Censos do IBGE.
Ainda assim, Sul e Fronteira Oeste estão entre os cinco Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento) com maior população do Estado.
São alguns indicadores que ajudam a analisar como está o desenvolvimento atual dessas regiões, bem como apontar tendências.
Esta é a quarta temporada do projeto Mapa Econômico do RS que traz, com profundidade e dados, potencialidades das diferentes regiões do Estado. O trabalho combina apuração jornalística, entrevistas, análise de informações do poder público e de entidades privadas com reuniões em municípios de diferentes partes do Rio Grande do Sul. O resultado é um panorama das diferentes cadeias produtivas, mostrando janelas de oportunidades para estimular o desenvolvimento e caminhos para superar desafios.
Percorremos o Rio Grande do Sul em encontros com lideranças regionais, produzindo conteúdos especiais sobre cada macrorregião. Depois da Macrorregião Sul, ainda publicaremos em 2026 outros dois capítulos após os próximos eventos, que estão previstos para 28 de maio em Ijuí (Macrorregião Norte) e 18 de junho em Porto Alegre (Macrorregião Metropolitana).