O Jornal do Comércio realizou no final da tarde desta quinta-feira (18) o quinto encontro do projeto Mapa Econômico do RS em 2026. Na ocasião, foram abordados os desafios e oportunidades para o desenvolvimento da Macrorregião Metropolitana, formada pela região homônima, pelo Vale do Sinos e o Litoral Norte.
O painel Indicadores do Presente e Tendências para o Futuro ocorreu no Teatro CIEE-RS Banrisul e contou com a participação do diretor-geral de Celulose da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, a diretora do Tecnopuc, Flavia Fiorin, e o diretor-geral da Santa Casa, Jader Pires. A mediação do painel foi feita pelo editor-chefe do Jornal do Comércio, Guilherme Kolling.
Na abertura do evento, o presidente do JC, Giovanni Jarros Tumelero, relembrou a trajetória do Jornal do Comércio, que recentemente completou 93 anos, e a importância de projetos como o Mapa Econômico do RS para o desenvolvimento do Estado.
Representando o governo do Estado, o secretário da Comunicação, Caio Tomazelli, citou a parceria entre o poder Executivo e o Jornal do Comércio no aprofundamento da radiografia da economia gaúcha. "Só podemos medir e atuar sobre o desenvolvimento quando temos informações confiáveis", pontuou. Tomazelli mencionou a presença do diretor-geral da CMPC, destacando que poucas vezes o Rio Grande do Sul se uniu tanto em torno de um investimento como está ocorrendo agora em relação ao Projeto Natureza.
Kolling, editor-chefe do JC, explicou a metodologia do Mapa Econômico para o levantamento de dados e análise da atividade econômica do Rio Grande do Sul, e abordou aspectos como a relação entre o crescimento ou retração do PIB diante de eventos climáticos como estiagens e enchentes e os desafios com o envelhecimento da população, a falta de mão de obra e os problemas de infraestrutura.
Lacerda abriu sua fala enfatizando que esse é um momento muito importante para a CMPC e o Rio Grande do Sul. "Justamente onde a CMPC está instalada e onde quer expandir sua atuação é uma das regiões onde tem o menor PIB, que é na Metade Sul do Estado. Já foi muito rica, mas precisa de um impulso de investimento e nós estamos nesse momento com uma oportunidade importante de R$ 27 bilhões que serão investidos na Metade Sul em uma nova fábrica de celulose do tamanho da que existe em Guaíba", afirmou.
O Projeto Natureza da CMPC prevê a construção de três terminais portuários, um deles em Rio Grande com investimento de mais de R$ 3 bilhões. "Hoje a Fepam concedeu a licença prévia, o próximo passo é a licença de instalação que deve ocorrer em 60 dias", contou. A dragagem no canal de acesso ao Porto de Rio Grande receberá aporte de R$ 140 milhões, os armazéns do complexo serão reformados e poderão ser usados por outras empresas. "Navios maiores poderão entrar no Porto de Rio Grande, que se tornará mais competitivo, isso vai favorecer a indústria de fertilizantes e grãos e outras que quiserem se instalar na região. É isso o que o Rio Grande precisa, precisa de projetos", disse.
Ele complementou a fala inicial analisando que um dos problemas mais apontados como entrave ao desenvolvimento, a evasão de população ativa por falta de oportunidade, pode ser minimizado a partir da geração de seis mil vagas de trabalho criadas pela CMPC na Metade Sul, o que vai impactar 100 mil pessoas.
Flávia, do Tecnopuc, abordou as universidades, a inovação e o capital humano. "Em termos de IA, nunca se falou tanto no capital humano. A tecnologia sim é um meio de inovar, mas ela não é um fim em si mesma. A inovação surge em ambiente de instabilidade, a gente olha para o envelhecimento da população não como um desafio, mas um fato que a gente avalia e identifica como lidar." A diretora do Tecnopuc defendeu a necessidade de convergência de uma agenda conjunta entre universidade, poder público e iniciativa privada. "Se olhar para os interesses individuais, corre o risco de ver as oportunidades escorrerem pelas mãos e irem para outros caminhos".
Pires, da Santa Casa, instituição que está completando 223 anos, abordou como a perda do bônus demográfico gera o questionamento de como será tratado o novo idoso. É diferente do de agora e o de antes, esse novo idoso em 20 anos talvez tenha uma preocupação diferente de gerações anteriores. A tendência é de um alongamento da vida, pessoas vivendo 90, 100, 110 anos e a nossa geração tem a oportunidade de organizar o sistema de saúde para atender essas pessoas", ressaltou.