A Macrorregião Central do Rio Grande do Sul avançou menos do que a média estadual na geração de empregos na comparação interanual entre os meses de janeiro de 2025 e de 2026. Conforme os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), essa porção do Rio Grande do Sul cresceu em apenas 1,06% em volume de vagas ativas, pouco abaixo do próprio Estado, que teve avanço de 1,27%.
"A grande região se caracterizou por uma proximidade com o resultado geral do Estado. Está em uma posição intermediária, sem um destaque muito grande, diferente da Macrorregião Norte, que foi a que mais cresceu. Está próxima da geração de empregos do Sul e acima da Serra, que esteve estagnada com índice próximo a 0%", avalia o pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (DEE-RS), Guilherme Xavier.
Se forem avaliados os seis últimos anos em retrospectiva, sempre tomando o mês de janeiro como referência, é possível perceber um agravamento desse cenário. Afinal, a porção central do Estado perdeu participação na geração de empregos do Estado, caindo de 11,5% para 11,3%. "Cresceu menos do que a média estadual nesse período, avançando apenas 13,1%, enquanto o Rio Grande do Sul avançou 14,3%", explica Xavier.
Para o especialista, entretanto, é nítido que há diferenças entre cada Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) — sistema criado pelo governo gaúcho que divide o Estado em 28 microrregiões. "O Vale do Taquari teve crescimento de 2,2%, acima da média estadual. Já o Corde Central e o Vale Jaguari tiveram pequenas perdas próximas de zero, mas ficaram negativas", destaca.
O Vale do Taquari é justamente o grande destaque na Macrorregião Central — além de ter tido crescimento de população em 2,9% entre 2020 e 2025, conforme o levantamento do DEE-RS, também avançou acima da média estadual na geração de empregos.
Lajeado, a principal cidade, que atua como um centro industrial e de serviços é a maior geradora de empregos. Mas Teutônia também chama atenção, principalmente, considerando que, após as cheias de 2024, o município recebeu 800 novas empresas e 3 mil moradores, conforme apuração da edição de 2025 do Mapa Econômico do RS.
Próximo à média estadual ficou o Jacuí Centro, que ampliou em 1,32% o número de vínculos profissionais ativos. Embora, diferentemente do Vale do Taquari, seja uma parte do Estado que sofreu perda populacional nos últimos anos. A principal cidade, Cachoeira do Sul, tem buscado reter a juventude e atrair novos moradores a partir das instituições de ensino superior ali instaladas.
Já a criação de um ambiente de negócios favorável à atração de investimentos empresariais se fortalece a partir da conquista de um novo distrito industrial. Fato é que no município houve um acréscimo de 1,27% no número de postos de trabalho formais.
Já o Vale do Rio Pardo foi um dos Coredes que se aproximou da estagnação, ampliando em apenas 0,92% as vagas de emprego preenchidas. Lá, enquanto Santa Cruz do Sul, a maior e mais industrializada cidade, lidera no número de vagas, o município de Venâncio Aires se destaca por possuir indicadores positivos constantes.
"Venâncio Aires se destaca tanto nos valores relativos quanto nos absolutos. Não é o primeiro município em todos os indicadores, mas acaba sendo o com desempenho mais constantemente bom nesse conjunto dos maiores municípios da Macrorregião Central", destaca Xavier.
O desempenho local foi puxado pelos setores de construção civil, que aumentou 16,1% no comparativo interanual, fabricação de produtos alimentícios e fabricação de produtos de borracha e material plástico. No retrospecto dos últimos seis anos, os serviços criaram 1.096 novos postos de trabalho — um aumento de 30,2% do volume observado em 2020 —, quase o dobro da variação percentual dos outros dois setores de destaque: a indústria moveleira e a fabricação de máquinas e equipamentos.
O Vale do Jaguari, o menos expressivo entre os Coredes que compõem a Macrorregião Central na geração de empregos, com apenas 16.643 vínculos ativos em janeiro de 2026, teve uma variação negativa. Entretanto, praticamente estagnada, na casa dos 0,0%. Sua maior Cidade, Santiago, apesar disso, cresceu 2,28%.
A Região Central foi a lanterna, com uma perda de 0,16% dos vínculos celetistas ativos e empregos bastante concentrados em Santa Maria — a maior entre todas as cidades da Macrorregião, onde estão 78,6% dos postos de trabalho no Corede. E nem mesmo ela pôde se destacar. "O município teve o terceiro maior saldo de empregos no período, mas, proporcionalmente, o crescimento foi muito pequeno para o seu tamanho. Foram 6,8% em seis anos, menos da metade da média do Estado", explicou Xavier.