Conhecida por ser a segunda macrorregião com mais pessoas empregadas no Estado, atrás apenas da Metropolitana, a Serra não teve um crescimento visível ao longo de 2025. Afinal, ao comparar o mês de janeiro do ano passado com o mesmo período de 2026, a variação no número de vagas de trabalho ativas foi de apenas 0,01%, conforme dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A indústria, principal segmento dessa parte do território gaúcho, por sua vez, teve uma queda de 1,3%.
"Enquanto a Serra perdeu 1,3% dos empregos na indústria, o Estado teve uma variação próxima a zero. Foi uma ênfase setorial que pesou mais lá do que em outras regiões. No Norte do Estado, o crescimento foi de 4%, enquanto outros locais se aproximaram da média estadual. Se pegar 2020 a 2026, no período de seis anos o Rio Grande do Sul cresceu 9,9% em empregos na indústria, e a Serra ficou bem perto, com 9,8%, já o Norte se destacou de novo, com 26,4%", avalia o pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (DEE-RS), Guilherme Xavier Sobrinho.
Uma explicação para isso, conforme o especialista, pode ser a desaceleração em atividades de construção civil ligadas à recuperação de infraestruturas afetadas pelas enchentes de 2024. Isso porque o segmento está englobado dentro das atividades industriais. "Houve muito crescimento para responder às necessidades de reconstrução e depois isso retraiu no Estado. Pode ser que esse desempenho, em algumas dessas regiões, tenha a ver com o comportamento do setor", avalia.
Mesmo com as perdas, a Serra ainda tem uma grande participação na geração de vagas de trabalho no setor industrial do Estado. Enquanto, conforme estimativa do DEE-RS para 2025, a macrorregião concentrava 13,6% do total da população gaúcha, entre os empregos formais o percentual subia, em janeiro de 2026, a 18,7%. Mas, analisando os vínculos ativos na indústria, 32,5% dos empregados na área estavam nessa parte do Rio Grande do Sul.
Ao analisar minuciosamente os Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) que compõem a macrorregião, é possível perceber dinâmicas diferentes. Tanto é que a perda de empregos industriais ficou focada principalmente na Serra Gaúcha, com Caxias do Sul estável, baixas significativas em Flores da Cunha e um avanço em Carlos Barbosa e Farroupilha. O Corede, como um todo, perdeu 0,18% dos vínculos de trabalho.
A Região das Hortênsias, por outro lado, foi a que mais gerou empregos no período de um ano, com um crescimento de 2,87% no número de vagas de trabalho formais. Ao todo, foram quase 1,3 mil apenas em Gramado, sua principal cidade, um valor bastante superior ao de outros municípios serranos.
Na cidade, o crescimento se concentrou em quatro segmentos, conforme o pesquisador do DEE-RS: alimentação, atividades de atenção à saúde humana, alojamento e serviços para edifícios e atividades paisagísticas. Em suma, o que cresceu, longe de ser a indústria, foram os serviços — que são o carro-chefe da economia das Hortênsias.
Os Campos de Cima da Serra, por sua vez, tiveram uma baixa de 2,76% no número de vínculos formais ativos. Entretanto, olhando em perspectiva, é uma região que tem crescido nos últimos seis anos, representando o maior percentual de aumento no número de empregos entre os Coredes que compõem este capítulo do Mapa Econômico do RS, de 28%. Os indicadores são influenciados pela pequena representação no total de empregos em comparação com outros Coredes — sendo uma região menor, as variações, ainda que mínimas, têm um peso maior.
Nessa região, o grande destaque foi para Vacaria, que perdeu 861 vagas de janeiro de 2025 a janeiro de 2026. O número se destaca frente ao total de vínculos empregatícios desfeitos na região, que foi de 973.
O Vale do Caí teve um leve crescimento, de 1,02%. No acumulado de seis anos, também performou positivamente, aumentando 13,1% dos seus vínculos formais no mercado de trabalho. Alguns municípios da região, como Capela de Santana e Vale Real tiveram redução na geração de empregos. Mas, no total, foram compensados por outros que cresceram consideravelmente, como São Sebastião do Caí, Montenegro, Salvador do Sul e Tupandi.
Já o Vale do Paranhana e Encosta da Serra caiu 0,4% no número de vagas na comparação interanual e cresceu, nos últimos seis anos 8,5% — o menor indicador entre todos os Coredes do Estado para o período. Lá, embora Presidente Lucena e Rolante tenham performado bem, com crescimento na geração de emprego, outros municípios como Taquara, Igrejinha e Três Coroas reduziram consideravelmente o número de pessoas atuando na formalidade.