Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 29 de Abril de 2026 às 18:07

Rio Grande do Sul tem a cidade mais envelhecida do Brasil

Em Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari, idade mediana da população é de 53 anos

Em Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari, idade mediana da população é de 53 anos

Instagram/Prefeitura de Cachoeira do Sul/Reprodução/JC
Compartilhe:
Ana Stobbe
Ana Stobbe Repórter
Duas ruas principais cruzam os vales. Na região central da cidade, áreas verdes e arborizadas compõem a paisagem. Esse é o cenário que se desenha em Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari. Nada diferente do esperado para um dos 236 municípios com menos de cinco mil habitantes do Rio Grande do Sul, conforme o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Exceto por um recorte do levantamento: quase quatro a cada dez coqueirenses possuem mais de 60 anos.
Duas ruas principais cruzam os vales. Na região central da cidade, áreas verdes e arborizadas compõem a paisagem. Esse é o cenário que se desenha em Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari. Nada diferente do esperado para um dos 236 municípios com menos de cinco mil habitantes do Rio Grande do Sul, conforme o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Exceto por um recorte do levantamento: quase quatro a cada dez coqueirenses possuem mais de 60 anos.
A cidade é a mais envelhecida do Brasil. Para se ter uma ideia, a cada cem crianças de zero a 14 anos em Coqueiro Baixo, existem 277,14 habitantes acima dos 65 anos, levando o município a ter uma idade mediana de 53 anos. E, enquanto no Brasil 13,46% da população é considerada idosa, no Rio Grande do Sul, o índice sobe a 20,15%. Os coqueirenses quase dobram o indicador gaúcho, que sobe a 38,91% na localidade do Vale do Taquari.
O envelhecimento populacional é uma tendência da transição demográfica, que levará a uma redução da população nos próximos anos — em 2027 o número de habitantes do Rio Grande do Sul já deve começar a cair, ao passo em que o Brasil espera que o processo de queda inicie em 2042. Essa dinâmica é decorrente, principalmente, de dois fatores: o aumento da longevidade e a redução no número de filhos por mulher. Isso, é claro, associado à dificuldade de atrair suficientes migrantes para compensarem as diferenças numéricas.
Essas mudanças impactam o setor público, que precisa desenvolver políticas públicas adaptadas à nova realidade. Municípios como Coqueiro Baixo, que já enfrentam a mudança do perfil populacional na prática, podem indicar quais caminhos podem ser seguidos por outros municípios que precisarão se preparar para um futuro próximo em que idosos superarão o número de crianças.
Buscamos atendê-los no Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e na área da saúde. Tem grupos de dança com dez casais que ensaiam quinzenalmente e se apresentam aqui e em outros municípios, temos artesanatos para as mulheres da terceira idade e também um projeto que acontece nas comunidades do interior, à noite, duas vezes por mês. Além disso, atendemos pessoas em casa com fisioterapeutas e médicos, inclusive campanhas de vacinação. Em casos extremos, levamos os pacientes ao posto de saúde do município ou ao hospital mais próximo”, conta o prefeito de Coqueiro Baixo, Luciano André Ongaratto.
Conforme o chefe do Executivo coqueirense, entre 65% e 70% da população do município ainda reside na zona rural. Por isso, as ações nas comunidades interioranas são tão importantes. As visitas residenciais das equipes de saúde também englobam pessoas acamadas. Com isso, Ongaratto estima que cerca de cem idosos sejam assistidos em casa, o que representa quase 10% dos 1.290 habitantes de Coqueiro Baixo.
A quantidade de pessoas vivendo no ambiente rural também perpassa por outro problema: o êxodo da juventude e a dificuldade em garantir a sucessão das propriedades. Esse é outro aspecto que tem sido trabalhado pela prefeitura: “Temos incentivado os jovens a ficarem no campo, principalmente na produção de frangos e suínos de corte, assim como gado leiteiro. Nossa geografia é muito acidentada, e essas são nossas vocações agrícolas. Fazemos um investimento bem alto, através de incentivos, nesse sentido”, explica Ongaratto.

Mão de obra se tornou desafio local

No aspecto econômico, o gestor municipal acredita que a quantidade de aposentados no município auxilia a girar o setor de serviços, especialmente o comércio. Entretanto, no aspecto da mão de obra, Ongaratto afirma ser um empecilho, especialmente considerando que os trabalhos no campo são, de certa forma, manuais.
Pensando em atrair população jovem ao município, a prefeitura tem atuado, principalmente, na geração de um ambiente de negócios favorável à chegada de indústrias que possam se instalar no local. Principalmente, no campo do beneficiamento de madeira, considerando que a silvicultura é forte na cidade. 
Para a melhoria econômica, também há uma iniciativa de incentivar o turismo rural. Entretanto, isso depende de melhorias no acesso asfáltico ao município. “Estamos buscando uma rota alternativa para cá que poderia beneficiar mais de 15 municípios do Vale do Taquari, desde a época das enchentes, mas ainda não fomos beneficiados. Seria possível, inclusive, que, pela BR-386, ao invés de dar a volta por Lajeado, as pessoas viessem por aqui e por Nova Bréscia, o que estimularia nosso turismo rural”, acrescenta Ongaratto. 

Macrorregião Central do RS tem outras cidades entre as mais envelhecidas do País

Ao analisar as 20 cidades mais envelhecidas do Brasil, o Rio Grande do Sul se destaca: abriga 19 delas – confira o ranking. Dessas, oito estão na Macrorregião Central, sendo todas de pequeno porte. São elas: 
  • Coqueiro Baixo — 30,08% da população acima de 65 anos (1ª no Brasil)
  • Relvado — 26,73% da população acima de 65 anos (4ª no Brasil)
  • Ivorá — 25,45% da população acima de 65 anos (7ª no Brasil)
  • Vespasiano Corrêa — 25,03% da população acima de 65 anos (9ª no Brasil)
  • Travesseiro — 24,58% da população acima de 65 anos (14ª no Brasil)
  • São João do Polêsine — 24,31% da população acima de 65 anos (16ª no Brasil)
  • Forquetinha — 24,07% da população acima de 65 anos (17ª no Brasil)
  • Nova Bréscia — 23,52% da população acima de 65 anos (20ª no Brasil)

Notícias relacionadas