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Publicada em 05 de Maio de 2026 às 20:25

Desenvolvimento da Região Central do RS passa pela duplicação de três rodovias

Duplicação da rodovia BR-290 é fundamental para área central do RS; dois dos quatro lotes da obra apresentam entraves significativos

Duplicação da rodovia BR-290 é fundamental para área central do RS; dois dos quatro lotes da obra apresentam entraves significativos

TÂNIA MEINERZ/JC
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Guilherme Kolling
Guilherme Kolling Editor-chefe
Um dos desafios que aparece em todas as cidades que recebem painéis do projeto Mapa Econômico do RS é a falta de infraestrutura. Há demanda, especialmente, por duplicação de rodovias e asfaltamento de estradas. Mas o tema também emerge relacionado a outros modais, seja o desejo de mais conectividade por aeroportos regionais, seja a ativação de ferrovias ou o uso de hidrovias.
Um dos desafios que aparece em todas as cidades que recebem painéis do projeto Mapa Econômico do RS é a falta de infraestrutura. Há demanda, especialmente, por duplicação de rodovias e asfaltamento de estradas. Mas o tema também emerge relacionado a outros modais, seja o desejo de mais conectividade por aeroportos regionais, seja a ativação de ferrovias ou o uso de hidrovias.
Solucionar o gargalo logístico é, sem dúvidas, fundamental para o Estado. Mas é ainda mais decisivo para a Macrorregião Central do RS. Entre as cinco áreas em que o Mapa Econômico do RS divide o Estado, essa porção registra o menor PIB, com uma fatia de 11,88% das riquezas do Rio Grande do Sul.
Ao mesmo tempo, a Macrorregião Central tem diversas oportunidades de desenvolvimento. Uma delas está relacionada à concessão de rodovias nos últimos anos, com a projeção de obras em importantes eixos logísticos.
A BR-386, que está no bloco de rodovias sob administração do Grupo CCR, tem previsão de duplicação entre a faixa central e o Norte do RS, o que beneficiará especialmente a Região do Vale do Taquari.
Outra concessão importante é a da RSC-287, ao Grupo Sacyr. A empreitada de ampliação dessa estrada facilitará o escoamento da produção entre Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, e Santa Maria, na Região Central, bem como a conexão com a Região Metropolitana de Porto Alegre.
São obras fundamentais, que certamente atrairão investimentos quando concluídas, o que já acontece, por exemplo, no município de Estrela, que recebeu aportes em centros logísticos com as melhorias na BR-386.
Outra rodovia fundamental para a Macrorregião Central é a BR-290, a partir de Eldorado do Sul em direção à Fronteira Oeste. É uma rodovia federal, que está em obras de duplicação e, apesar dos esforços do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ocorre em uma velocidade menor do que a desejada. Felizmente, 14 quilômetros de duplicação foram entregues no município de Pantano Grande no fim de abril. Mas a região dará um salto, mesmo, quando trechos maiores estiverem concluídos.
Há ainda casos pontuais, em que apenas uma obra específica pode alterar a realidade de um município. É o caso de Cachoeira do Sul, que sediou o evento do Mapa Econômico do RS, em abril. O principal acesso ao município, para quem vem da BR-290, está interrompido em virtude de melhorias na Ponte do Fandango.
Principal acesso ao município de Cachoeira do Sul está interrompido por obras na Ponte do Fandango; travessia do rio Jacuí é feita por balsa  | TÂNIA MEINERZ/JC
Principal acesso ao município de Cachoeira do Sul está interrompido por obras na Ponte do Fandango; travessia do rio Jacuí é feita por balsa TÂNIA MEINERZ/JC
É possível buscar um acesso alternativo, via Rio Pardo, ou enfrentar a fila para pegar uma balsa, que faz a travessia sobre o Rio Jacuí. Por tudo isso, a expectativa é grande com a conclusão das obras na ponte, o que, sem dúvidas, vai alterar o cotidiano de quem precisa sair ou chegar a Cachoeira do Sul.
A projeção é de que a empreitada seja concluída nos próximos meses, ainda neste ano. São exemplos de como a infraestrutura pode atrasar ou alavancar negócios.
Apesar dos entraves, a região tem vivido transformações, com novas alternativas ao desenvolvimento. No setor do agronegócio na Região Jacuí Centro, novas culturas estão ganhando espaço. Soja, arroz e produção de carne seguem fortes, mas a economia se diversifica com olivicultura e a fabricação de azeites, cultivo de eucaliptos e também noz-pecã. Na Região do Vale Jaguari, a aposta é na produção de biocombustíveis.
A microrregião mais rica da faixa central do Estado segue sendo o Vale do Rio Pardo, com forte industrialização ligada ao tabaco. O Vale do Taquari também avança, especialmente através da expansão da indústria de alimentos e bebidas.
No Corede Região Central, onde Santa Maria é a principal referência, a inovação impulsionada pela universidade e a própria duplicação da RSC-287 são fatores que podem transformar a economia.
Para dar conta de trazer as peculiaridades das diferentes partes da Macrorregião Central do RS, o Mapa Econômico muda, a cada ano, o local do encontro para debater com lideranças regionais. Assim, passamos por Santa Cruz do Sul (2023), Santa Maria (2024), Lajeado (2025) e Cachoeira do Sul (2026).
Esta é a quarta temporada do projeto que busca mapear, com profundidade e dados, potencialidades de desenvolvimento das diferentes regiões do Estado. O trabalho seguirá combinando apuração jornalística, entrevistas, análise de informações do poder público e de entidades privadas com reuniões em municípios de diferentes partes do Estado.
O resultado é um panorama das diferentes cadeias produtivas, mostrando janelas de oportunidades para estimular o desenvolvimento e caminhos para superar desafios. Mais do que isso, a iniciativa busca, com jornalismo de dados, cruzar informações e criar novos indicadores sobre o presente da economia gaúcha, permitindo mais precisão no planejamento do futuro do Estado.
Seguiremos, neste ano, percorrendo o Rio Grande do Sul em novos encontros com lideranças regionais, produzindo conteúdos especiais sobre cada macrorregião. Ainda publicaremos outros três capítulos após os próximos eventos, que estão previstos para 12 de maio em Santana do Livramento (Macrorregião Sul/Fronteira Oeste), 28 de maio em Ijuí (Macrorregião Norte) e 18 de junho em Porto Alegre (Macrorregião Metropolitana).

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