Cachoeira do Sul, cidade muito afetada pela limitação de acesso por conta da reforma da Ponte do Fandango, recebeu a segunda edição do ano do projeto do JC Mapa Econômico do Rio Grande do Sul. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 15 de abril, na Sociedade Rio Branco e debateu os desafios e oportunidades para as Regiões Centro, Vale do Rio Pardo, Vale do Taquari, Vale do Jaguari e Jacuí Centro.
"Não conseguimos entrar na cidade ou sair com facilidade", criticou o presidente da Câmara de Agronegócio, Comércio, Indústria e Serviços de Cachoeira do Sul (Cacisc), Rafael Vargas de Quadros, que foi um dos painelistas. Apesar disso, ele lembrou, como ponto positivo, que a nova estrutura, cuja obra deve ser concluída em dois meses, aumentará a capacidade de carga.
Ao lado dele, estavam no palco o presidente da Olivas do Sul, José Alberto Aued, e a presidente do Sindilojas Vale do Jacuí (Cachoeira do Sul), Marli Schneider. Aued endossou a reclamação sobre a infraestrutura.
"Não tivemos três anos de livre acesso na Ponte do Fandango. Surgiu alguém e disse que tinha que aumentar a ponte em 3 metros. O prejuízo que está trazendo ao nosso povo é impressionante. Acho uma obra absurda, não tem justificativa", enfatizou. Motoristas chegam a esperar quatro horas para desembarcar em Cachoeira pelo serviço de balsa.
Marli Schneider focou sua fala na qualidade de vida da região. "É uma cidade boa de se viver, com criminalidade baixa, todo mundo se conhece", observou.
Mapa Econômico Central ocorreu na Sociedade Rio Branco
Dani Barcellos/JC
A representante do Sindilojas, composto por 15 cidades do Vale do Jacuí, listou, ainda, potencialidades para desenvolver o turismo em fazendas de olivas e noz pecã. Em relação ao crescimento do varejo, ela acredita que seja preciso haver mais indústrias, pois não há renda suficiente para as lojas. "As famílias estão viradas em dívidas. Está difícil para dar crédito", compartilhou, relatando o fechamento de negócios e o aumento no desemprego.
Os painelistas citaram a importância da presença de universidades, como a Ulbra, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que vai oferecer em Cachoeira do Sul um curso pioneiro de Ciência de Dados e Inteligência Artificial.
Além disso, falaram sobre a participação de grandes empresas no município, como a Cargill. Outro ponto mencionado foi a diversificação do agronegócio para além das olivas e noz-pecã. Aued sugeriu olhar para o pistache e a maçã. A questão das ferrovias, do porto e do aeroporto entraram nas reivindicações de melhorias, com consenso sobre a necessidade de melhorais em infraestrutura.
A atividade foi mediada pelo editor-chefe do Jornal do Comércio, Guilherme Kolling, que explicou a metodologia do Mapa Econômico do RS, com o propósito de produzir indicadores da economia gaúcha a partir de levantamento de dados e encontros em diferentes partes do Estado para ouvir lideranças regionais. "Fazendo o monitoramento dessas oportunidades ao longo dos anos, conseguimos aferir quais regiões estão avançando", expôs.
O governador Eduardo Leite enviou um vídeo reconhecendo o papel do evento do JC, ao afirmar que ajuda o Estado a identificar desafios para serem superados e as iniciativas necessárias para destravar o desenvolvimento.